
Segunda-feira, 25 de Julho, 2011
Acreditar sem pensar
Aquela tarde de 1938 seria diferente para os camponeses e cidadãos americanos nos EUA. O pôr do sol era bonito no campo, com a poeira das estradas fazendo o sol ficar mais vermelho do que de costume. Como sempre as pessoas sentavam ao redor do rádio para ouvir músicas, notícias e conversar esperando o sono chegar. Um jovem jornalista da CBS resolveu fazer uma narrativa, adaptativa da obra de Herbert George Wells, intitulada "Guerra dos Mundos" (War of the Worlds). O jornalista que viria a ser famoso como cineasta era Orson Welles e teve a idéia de criar a narrativa como uma brincadeira para a noite do Halloween. Essa brincadeira se tornou a maior demonstração do efeito manada na história moderna. Na narrativa de Orson Wells, extraterrestres estavam invadindo a Terra com suas naves espaciais e matando todos os terráqueos. O exército americano estava nas ruas de Nova York tentando lutar contra as naves espaciais, mas era impossível vencê-los. Então, após quase uma hora de narrativa como se ele (Orson Welles) estivesse no meio da batalha, o repórter relata que os Ovnis estariam lançando uma fumaça tóxica branca. Criando a sensação de que ele próprio tinha inalado a fumaça venenosa, Welles começa a tossir e faz um barulho como se estivesse caindo. Deixa o rádio em silêncio por 5 minutos como se estivesse morto. Pronto. A confusão estava armada. Segundo relatos, 65% dos americanos acreditaram que realmente existia uma guerra contra os extraterrestres e começaram a deixar suas casas, pegando estradas em direção ao Oeste dos EUA, fugindo da região de Nova York. Muitos cidadãos começaram a chegar nos hospitais com crises de choro e estresse. Os telefones da CBS se entupiram e travaram com tantas ligações, perguntando se realmente Ovnis estariam atacando a Terra.
Hitler percebeu claramente o poder de usar palavras em rádio e adaptou muito bem para sua lavagem cerebral no povo alemão em prol da causa ariana. O ditador Josef Stalin também percebeu o poder da experiência de Orson Welles e colocou pânico na população russa e no mundo, ao exibir em seus desfiles as enormes ogivas nucleares. Nos EUA o presidente Roosevelt usou sua convocação para a guerra através do rádio, com palavras estudadas para convencer todos a participarem da guerra. Mesmo no ataque nuclear ao Japão, criou a história de pedir para os japoneses desistirem da guerra quando os aviões já estavam próximos ao Japão. Ele já sabia que a resposta seria negativa por parte do comando japonês, mas arquitetou bem sua novela real no rádio para mostrar que tinha dado opções aos japoneses. O experimento da "guerra dos mundos" mostrou que o efeito manada e a imaginação humana podem levar ao caos e catástrofes inimagináveis. Agir antes de pensar pode criar pânicos desnecessários como na crise de 1929, 1987 e a última crise de 2008. Sair em manada vendendo tudo, pode colocar não somente sua conta em perigo, mas a conta financeira do país inteiro. Quando o presidente dos EUA Barak Obama disse no meio da semana passada que, o acordo estava quase concluído entre os membros dos partidos Republicanos e Democratas, estava usando a estratégia de Orson Welles para criar o efeito manada positivo nos mercados financeiros. Por um dia ele conseguiu, mas a ferramenta de Welles precisa ser adaptada para a velocidade da internet. As novelas inventadas pelos governantes duram apenas horas, pois rapidamente todos têm acesso aos dados, às conversas reais e tudo volta a estaca zero. A novela de Orson Welles teve bastante sucesso e ainda tem, não no mercado financeiro, mas ainda nas estratégias de guerra e de espionagem. Infelizmente o presidente dos EUA não vai conseguir seu acordo para aumentar os débitos até dia 2 de Agosto. Não vai conseguir pois os Republicanos não querem sua reeleição no ano que vem. E se ele conseguir será algo paleativo, só para enganar o mercado. Claro que ele sairá para a imprensa e dizer que a "guerra" terminou e o país venceu. Mas não será assim tão simples. Os Republicanos são maioria no Senado, o que vai travar o desenvolvimento das ações do presidente. Para os Republicanos, quanto pior melhor para eles, afinal de contas foram criticados pelo mundo inteiro e ficaram isolados com a política Bush. Agora é a hora de darem o troco ao mundo.
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É só observar as palavras do líder Republicano e ver que tem um certo sorriso em suas falas. Ele está adorando ver o presidente Obama acuado, sem saída para um prazo que se esgota. O pior de tudo, é que filtrando seu rancor, o partido Republicano tem razão. Os EUA não podem aumentar esse débito impagável, pois isso é que faz o país ainda estar atolado na crise. Há muitos anos os EUA deveriam ter repensado nos gastos exorbitantes de guerra, de crédtos sem lastros e de gastos sem créditos. O que vai acontecer? Se o congresso americano permitir um orçamento com maiores débitos (hoje em 14 trilhões de dólares) para 20 trilhões de dólares os mercados mundiais vão subir no primeiro instante. E vão subir forte. Mas como esse débito é impagável e a economia não consegue andar com as próprias pernas, as agências de risco (Moody's, Standard & Poors e Fitch) vão rebaixar as notas dos títulos americanos. Agora é uma questão de honra para elas rebaixar os títulos mais seguros do mundo. As agências vão rebaixar para mostrar ao presidente da França Sarkozy que elas têm mais poder que ele. Isso porque o presidente da França quer criar uma agência européia para dar notas e recomendações de risco, tirando o poder e o montante financeiro das três maiores agências particulares. Logo, pelo sim ou pelo não, a decisão das três agências é criar confusão para manter dinheiro em suas mãos. Por isso é importante não ouvir de modo tão irracional o que dizem políticos em televisão sem antes raciocinar. Sempre se deve imaginar o que há por trás de alguns atos que "parecem" ter lógica óbvia, mas na verdade é obscura. Depois de 2 de Agosto só existe uma certeza. Os títulos americanos terão perdido a guerra, não contra os ET's de Orson Welles, mas contra seus próprios políticos. |
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