Domingo, 06 de Dezembro, 2015

 

Alckmin, Amanhã será um Lindo Dia!

"..Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria,

Que se possa imaginar, amanhã redobrada a força,


Pra cima que não cessa, há de vingar
..."

(Música de Guilherme Arantes)

(revolta nos anos 60 e 70 por estudantes)

Palavras de ordem, Hino Nacional, bandeiras, policiais, pancadarias, muita bomba de gás nas ruas. E nada disso foi somente nessa semana em São Paulo. Essas também foram as marcas das revoltas por estudantes nos anos 60, 70 e finalmente em 1980. Depois de três décadas de intensa luta, com desaparecimentos de estudantes e muita repressão, a ditadura militar cedeu.
Cedeu?

(revolta nos anos 60 e 70 por estudantes)

Não em São Paulo, na duradoura ditadura de Geraldo Alckmin, governador do estado. Ele recuperou o prestígio... da polícia repressora entre os repressores. Ao atacar estudantes com socos, murros e pancadarias, os policiais de São Paulo apoiados por Alckmin estão com 40 anos de atraso.

Orgulhosos do seu DOI-CODI, onde muitos sumiram nos anos militares, a PM paulista se esconde sob a bandeira da ordem para bater em jovens de 14 e 15 anos. É claro que são incentivados por algumas partes da população, sobretudo os motoristas que estão atrasados para chegar ao trabalho, e que passam nas ruas de manifestantes chamando-os de vagabundos e arruaceiros. E é claro que agora os estudantes são taxados de pertencerem a movimentos políticos para desestabilização, como fizeram no Paraná. Certamente tem mesmo alguma intenção ou integrantes do mesmo movimento, mas isso não invalida a revolta e os protestos contra a política educacional ditadora imposta aos professores e alunos pelo governo paulista.

Os mesmos que criticam esses estudantes, são os mesmos que colocam seus filhos em escolas particulares e pagam de R$1.500 a R$3.000 por mês para se enganarem no ensino de péssima qualidade em São Paulo. Enganam-se os transeuntes ou motoristas que criticam os estudantes da rede pública de São Paulo, ao imaginar que seus filhos estão tendo ensino de qualidade na rede particular.

Ao terceirizar o ensino, o governo federal e o governo estadual se livraram no passado das severas críticas ao seu péssimo instrumento de ensino. Hoje as redes particulares possuem laboratórios de kit-montagem, laboratórios de Física com poucas aulas práticas, laboratórios de Biologia com lâminas prontas e já montadas sem instigar os alunos ao verdadeiro ensino da Ciência. Na rede pública nem isso existe.

(revolta nos anos 60 e 70 por estudantes)

Tanto é assim, que a grande maioria das escolas de São Paulo, mesmo as da rede particular, estão bem atrás no ranking das melhores escolas do país. Para mostrar o lado ditador de Alckmin, ele próprio escolheu como seu secretário um professor que foi reitor da UNESP- Universidade Estadual Paulista – o senhor Herman Voorwald.

O professor Herman recebe um salário de R$ 28.445,00, acima do teto estabelecido por lei, uma vez que o governador recebe um salário de R$ 20.000.

O professor Herman é bastante conhecido na Unesp por sempre estar a favor da burocracia dominante e contra qualquer tipo de reinvindicação.

Por isso ele detinha o "prestígio" do governador de São Paulo.

Durante os atuais manifestos dos estudantes, o ex-reitor disse que os estudantes não deveriam ir às ruas contra o governo, mas contra os professores que fizeram greve.

É bem característico de sua tradição esvaziar movimentos de reinvindicações, criando discussões entre grupos para desarticular qualquer mudança sobre qualquer sistema ao qual ele participe.

Em 14 de Maio de 2014 o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo condenou as contas das três universidades paulistas pelos salários acima do teto, e condenou os três reitores (USP-UNESP-UNICAMP) a pagarem multa de R$ 10.000 reais por seus atos de auto-remuneração ilegal.

O senhor Herman é um deles. Qual o prêmio para o senhor Herman? Tornou-se secretário de educação de Geraldo Alckmin.

Se juntarmos a isso, o fato do governador colocar um secretário de segurança pública que valoriza a opressão através da força bruta, com policiais que cresceram assistindo filmes americanos de policiais que fazem justiça com a própria mão, o caldo está pronto para a volta aos anos 60.

O século passado não terminou no Estado de São Paulo, não quando se pensa em governo, em educação, em saúde e em segurança. É visível à noite, nos últimos meses, a intensa blitz na polícia nas ruas.

Isso seria ótimo, se policiais fizessem blitz em locais onde realmente as chacinas acontecem, onde os verdadeiros bandidos e malandros se escondem.

(revolta nos anos 60 e 70 por estudantes)

revolta atual de estudantes em São Paulo

Professor sendo preso em São Paulo

 

Aluna sendo presa em São Paulo

 

Mas qual o propósito de viaturas pararem em frente a bares, descerem armados, espalhar cone nas ruas e ficarem olhando para dentro dos bares? E sem ... bafômetro!

Já presenciamos diversas vezes bares serem esvaziados pelos donos com medo de tal ato de repressão por parte da polícia paulista. Ninguém consegue entender as tais blitz de intimidação, quando os verdadeiros assassinos estão em bairros colocando medo na população carente com o tráfico de drogas correndo solto.

Então, não é de se espantar, como os jornalistas estão mostrando, o fato de alunos de 15 anos levando socos no rosto, serem levados de cabeça para baixo como os antigos “pau de arara”, professores sendo amarrados e tudo, tudo, tudo hereditário da época “gloriosa” do DOI-CODI.

Se a história se mantém, amanhã o dia será lindo. O senhor Alckmin e sua polícia não aprenderam que quanto menos conversa, quanto mais baterem, mais os estudantes vão crescer nas ruas, parando trânsito e levando mais e mais gente contra eles.

A bagunça, infelizmente pelo despreparo do governo Alckmin só está começando. Havia o perigo de muita gente morrer de forma inocente, por bala perdida, por rojões, apenas por estar indo ao trabalho.

O que aconteceria se uma dezena de estudantes morressem, por gás, por socos nas cabeças ou balas?

Graças ao Datafolha que mostrou uma queda vertiginosa na popularidade de Alckmin, o mesmo com vistas à eleição de 2018, voltou atrás. Disse que "entendeu o recado dos estudantes e dos pais" e que estava cancelando o projeto que gerou tanta revolta.

Vitória dos estudantes.

Parece que o senhor Herman não entendeu o recado. Nem bem terminou a coletiva onde o governador voltava atrás, o secretário condenado pelo tribunal de contas pedia demissão. Ele não queria voltar atrás nem negociar nada.

Os estudantes estavam errados em parar o trânsito e enfrentar a truculência da polícia?

Não, os estudantes estão certos, pois se hoje vivemos em “relativa” democracia, não foi graças aos moços “bonzinhos” de outrora, mas devido as revoltas que estragaram a economia, prejudicando os moços "bonzinhos". E quando se perde dinheiro, o governo perde o trono.

Amanhã será um lindo dia, a semana será uma linda semana, mas para a felicidade ser completa, a educação de verdade deveria ser completa, com igualdade de condições de uso de laboratórios, boa remuneração, boa condição de ensino com escolas limpas e modernas. Não nesses prédios ultrapassados de São Paulo, que mais lembram o tempo da repressão militar do que de um ensino vigoroso e dinâmico. Não nessa falsa propaganda de ensino de qualidade divulgada há quase 20 anos pelo mesmo homem que manda bater nos estudantes.

 

 

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