Sexta-feira, 13 de Agosto, 2010

 

 

Unificando os prejuízos

Se não fosse a Alemanha ... a Europa estaria voltando aos tempos incrédulos. Desde a unificação a Alemanha viveu e passou por diversos estágios. Euforia, sensação de liberdade e depois medo. Medo tanto do lado capitalista como do ex-lado comunista. A irmã rica ficou com medo de se contaminar com a depressão oriental e a irmã pobre com medo de sofrer não mais por perseguições de governo, mas pelo cruel cenário de desemprego provocado pelo capitalismo da época.

Um receio tomou conta do mundo: qual seria o rumo da Alemanha? Como seria tratada a unificação? Passo a passo o medo foi dando lugar a ... trabalho. É com trabalho e produção (leia-se exportação) que a Alemanha traçou seu caminho da unificação. Com muito esforço para produzir e vender produtos "caros" mas mais sofisticados é que a Alemanha conseguiu se manter em pé desde 2008.

Conforme já tínhamos salientado em " a nova dama de ferro", a premiê alemã foi a única que arregaçou as mangas e teve coragem para minimizar as especulações de curto período. Isso foi em Maio de 2010 e até hoje o cenário é o mesmo. A Alemanha trabalha e aperta, e resto da zona do euro fica em estatísticas e discursos vazios. Até a Inglaterra sumiu do cenário principal e das discussões sobre a crise.

O yahoo! finance e outros, publicaram os resultados do crescimento europeu do segundo trimestre. A imprensa lardeou que "Europa cresce 1%" ou "Europa cresce mais que EUA". Vamos pensar na seguinte questão. Suponha que seu patrão diga a você que seu aumento salarial será de 0,2%. Ou um outro patrão, que você trabalhou duro mas vai receber 0,6% de aumento. Estaria o leitor contente?

Foi o que aconteceu com as estatísticas sobre crescimento. Quinze países da Europa cresceram zero! E um país (leia-se Alemanha) cresceu 2%. Média de 1% de crescimento. Bom, vamos aos números reais:

Alemanha: crescimento de 2,2%.

França: cresceu (?) 0,6%.

Espanha: 0,2% com taxa de desemprego aumentando para 20% !!

Grécia : Não cresceu, caiu 1,5%

Inglaterra: cresceu 1% (tinha crescido 1,7% no primeiro trimestre).

A estória à parte da Inglaterra é que está carregando um enorme fardo que não é dela. Como está no texto "Terrível e desesperador empréstimo" a irmã Irlanda está custando caro para a reino e para a rainha.

Quem segurou a queda do Euro? Como pode-se notar no gráfico da cotação euroxdólar, o euro só não caiu abaixo de 1 dólar porque a Alemanha colocou e aprovou a toque de caixa barreiras e novas regras. Se a Alemanha não tivesse endurecido e obrigado os outros países a adotar algumas medidas, as exportações não teriam se valorizado financeiramente. Se isso não ocorresse o resultado de hoje seria muito, mas muito pior. E foi da noite para o dia mesmo como avisamos na época ( "Euro monta trincheiras, mas o inimigo vencerá"). E na época ainda se falava que a França sairia do Euro (" França jogará a toalha").

Só tem uma saída de vez da crise. E a saída quem mostrou foi a Alemanha unificada. Trabalho de verdade, duro, real e menos especulação barata no mercado financeiro. Enquanto a regra não for seguido, o mundo está mais para época medieval do que para "jornada nas estrelas".