Sexta-feira, 28 de Outubro, 2016

 

Perigo: Tufão branco voltando na Bovespa

Era uma noite de primavera, no início da década de 1970. Uma época difícil, dura, pra todo mundo e ainda mais para quem morava no interior do Brasil. Os carros precisavam colocar correntes para percorrer 10 horas de lama entre o interior e a capital de São Paulo. E quem tinha carro, que glória. Apenas um dos meus tios tinha um automóvel, o famoso DKV, o gracioso "lata de sardinha" como chamava meu pai.

O sonho do meu velho era ter um DKV usado, e sempre namorava o carro do meu tio. Mas, isso era um sonho tão distante que no meu interior soava como uma pitada de piada. Nem mesmo casa nós tínhamos. Morávamos de favor na casa de meu avô, bem no fundo da casa, numa espécie de galpão de único ambiente.

Minha mãe separava o ambiente, fazendo em três partes, com um móvel de cozinha e depois outro ambiente com um guada-roupa (aliás nosso único). Mas ao contrário do que se possa imaginar, não tenho rancor, ou raiva, ou mesmo ódio daquela época. Tenho muita saudade, muitas boas lembranças, pois ninguém almejava ser milionário naquela época, todo mundo queria ter trabalho e família.

As pessoas faziam o famoso "foot" ao redor do coreto. Eu era muito pequeno e não entendia que graça tinha ficar andando em círculos, era muito mais interessante jogar bola. E as noites? Graças aos céus não existia JN, não tinham fantasias inventadas pelas maldades da Rede Globo, não se tinham os medos fantasiosos e pretensiosos dos editores. Não em televisão, mas tinha no rádio. A rádio Globo já começava a massificar o povo com seus programas ainda toscos perto dos clássicos da rede Tupi.

Então, a noite o que fazíamos? Ouvir estórias dos primos mais velhos. Eles pareciam tão grandes e valentes, e muito inteligentes. Nós os pequenos, rodeávamos esses primos mais velhos para aprender algo. E primo é primo, não é mesmo? Gosta de fazer maldade com os mais novos, gosta de colocar terror, e gosta de inventar estórias.

Numa dessas noites uma prima contou uma estória de terror tão convincente que todo mundo ficou ouvindo. Ela tinha dom pra isso, sabia entreter todo mundo. E com o vento batendo nas árvores e uivando ao nosso redor no alpendre da velha e surrada casa de meu avô, ela termina a estória de maneira trágica com o dedo apontado pra mim sobre um crime: "foi você".

Caramba!

Quase morri de tanto susto. E os mais velhos, claro, riram muito, muito da malandragem da prima. Quando fui crescendo, confesso que também apliquei esses golpes nos primos e irmãs mais novas. Faz parte do crescimento do ser humano. Mas a gente aprende com o tempo, que enganar leigos, aterrorizar os mais novos, inventar estórias para se aproveitar dos inocentes, é errado.

Bem, pelo menos os mais honestos e de boa formação aprendem isso. Mas no mercado financeiro, isso soa um pouco "careta".

E observamos todos os dias, mentiras sobre mentiras. Se pelo menos 50% das análises sobre altas e baixas do mercado financeiro tivessem um pouco de matemática séria, ou de estatística com a ferramenta adequada, o mercado seria um pouco mais comportado.

Mas um professor certa vez afirmou:" o mercado é assim, porque nós somos irracionais". É verdade, ele tem razão.

Quem não se lembra daqueles chamados, emails, banners de sites, avisos em propagandas de grandes jornais, vídeos no youtube de que "A Petrobras está falida". Ou ainda, "A Petrobras morreu, não compre ações da empresa". Ou ainda, " A corrupção destruiu a Petrobras". Bem, aí está a empresa, novamente entre as 3 maiores em valores na Bovespa.

Ah sim, só falta dizer que é a boa gestão da nova diretoria. Claro que não. Os investidores externos voltaram (como voltariam mesmo) porque petróleo é moeda, petróleo é lucro, petróleo é arma de guerra. Ou será que alguém tem dúvida que mesmo quebrada, quando o louco do presidente da Venezuela sair, os investidores vão comprar ação da empresa de petróleo venezuelana? Claro que vão.

A ganância pelo petróleo é a responsável por tudo nos grandes investidores.

Tudo que se passa agora se passou no passado. Só nos últimos 20 anos, esses terrores baratos de falência de empresas estatais aconteceu pelo menos quatro vezes, em quatro ciclos diferentes. Primeiro porque os governos tem interesse em vender patrimônio e levar propina. Segundo porque sempre teremos crise financeira, pois a ganância humana nunca termina. E por último, que os especuladores quando já ganharam muito num ativo, precisam torná-lo barato para recomprar depois.

Os árabes estavam incomodados com o xisto americano e pré-sal brasileiro. Então continuaram produzindo muito para tornar o barril bem baratinho e quebrar os países e empresas que não tem abundância do produto. Uma vez que conseguiram isso, mês passado, cortaram a produção para fazer o preço subir novamente. Precisa de inteligência para prever isso?

Foi com base nisso que desejávamos no fim da década de 1990 algo que não dependesse dessas fofocas baratas do mercado. Ao criar o Índice de Mudanças Abruptas (IMA), pensamos o tempo todo em algo onde nossa "experiência", ou "notícias de jornais", não significassem nada para o modelo matemático.

E é assim que o IMA funciona. Não depende de notícias.

E como está em nosso livro(ver aqui) , a metodologia wavelet sobre o espectro de frequências, faz aparecer uma estrutura muito interessante de um Tufão Branco na tela. E quando isso ocorre, quando esse tufão aparece, uma enorme queda acontece. Não quero afirmar como minha prima, "foi você que causou isso", mas por algum motivo, a matemática da wavelet capta antes, um evento que ocorrerá alguns dados depois.

Em 2008, muito antes das grandes quedas nas bolsas de valores, o que se via no espectro da Bovespa era o gráfico ao lado. O grande tufão branco (explicado no livro "Mudanças Abruptas no Mercado Financeiro").

Antes que se iludam em dizer que isso é grafismo, não! Isso não é análise gráfica, mas um modelo matemático, com teoremas, hipóteses e demonstrações sobre a ferramenta conhecida como wavelet.

Com base na construção matemática de uma coisa chamada "espaço" de representação, onde existem soluções inclusives com números chamados de complexos ou imaginários (raiz quadrada de número negativo, por exemplo), o espectro das frequências parece antecipar a tendência dos dados que ainda vão acontecer.

Quanto tempo antes?

No padrão de 15 minutos a estatística nos mostra que cerca de dois dias e meio antes, o alerta soa e com 93% de acerto uma grande queda sempre vem.

Para os dados de fechamento diário do Ibovespa, a queda pode demorar semanas. Por exemplo, no caso de 2008 o alarme soou em maio daquele ano. Dois meses antes da queda generalizada.

Previsões sobre o PIB

 

 

 

Subtração das tendências na formação do ruído de fundo

 

 

 

 

A última vez que essa estrutura que representa altas frequências apareceu foi em 2011, com quedas violentas no Ibovespa (ler o texto "Alerta no sinal de crash. Ibovespa vai virar forte").

Algumas filtragens de tendências devem ser realizadas antes, pois a matemática envolvida exige que seja assim. Então, após retirar tendência linear e sazonal, o sinal que sobra, parece ter informação "preciosa" sobre os movimentos.

Ao lado mostramos um exemplo realizado para esses nossos atuais dias. A subtração de uma reta ajustada aos dados fornece o segundo gráfico dos três ao lado.

Então, o melhor cosseno ou seno ajustado aos dados e subtraido do sinal, forma o terceiro gráfico. É com esses dados, agora com média zero e oscilação finita e limitada, que as wavelets tentam se ajustar para compor um espectro.

Esse espectro, quando sintonizado aos dados, formecem valores para diversos coeficientes, de diversas ondas, com diversas amplitudes que juntas, formam o grande sinal branco na área escura do gráfico.

O sinal se move, de um lado para outro no espectro, sempre da esquerda para a direita. Mas com algumas composições de dados, esse gráfico para. (veja nosso vídeo no youtube)

Sim, o gráfico estaciona, se infla, enche e fica numa forma de tufão inclinado.

Essa forma ocorre, estranhamente, antes de um grande crash nos dados. Uma grande e violenta mudança ocorre na série de dados.

Sempre ocorre esse tufão branco? Em nossas análises e estatísticas, para os dados de bolsa de valores (não somente Bovespa mas em todas as outras do mundo), o acerto sobre queda é de mais de 90%.

E para os dados de 15 minutos analisados em nosso canal online?

O nivel de acerto tem sido de 93%.

Por exemplo, ao lado, mostramos algumas quedas e os tufões que apareceram para o Ibovespa com dados de fechamento diário no Ibovespa antes do crash de 2008.

E então, processamos as wavelets para ver como está o espectro nessa semana, com dados até quinta-feira dia 27 de outubro.

E ele está ao seu lado. A forma de grande tufão branco, a qual é a base e origem para nosso Ìndice IMA, está formado, estacionado e engrossando no espectro.

Significa que mais e mais frequências de alta intensidade e muito pequeno período, estão atuando no Ibovespa e entramos agora em alerta máximo.

Esse tufão vai estourar no espectro. Sempre estoura, é necessário que estoure, isso é provado por teoremas matemáticos sobre wavelet. E sendo assim, essa "bolha" da Bovespa vai estourar. As ações subiram só no embalo, sem que os dados da economia real das empresas acompanhassem esses retornos positivos grandes. Olhando os relatórios trimestrais, percebe-se os lucros caindo assustadoramente em grandes empresas e indústrias.

Uma queda forte, será inevitável.

Ah sim, não estamos falando isso agora que todo mundo está dizendo. Já alertávamos isso no primeiro semestre em nossa análise, ainda quando o IMA-crash estava em zero (ou seja, não tinha tufão no espectro).

Quando o Ibovespa cairá?

Pode ser na semana que vem, pode ser no fim do ano. Mas não será uma queda de correção, por exemplo com 3%, ou 5%. Podemos esperar uma queda por volta de 20% ou mais. Com IMA-crash acima de 0,8, a probabilidade de uma queda nesse nível é de mais de 90%. O Ibovespa poderá retornar para o nível de 50.000 pontos.

Motivos?

Não faltam motivos aqui no Brasil, ou internacionais. Os fundos vão começar a remanejar suas carteiras no fim de ano e vão precisar colocar um certo terror no mercado para comprarem ações baratas. Os politicos estão fazendo sua parte, nas lambanças do congresso nacional. E no cenário internacional, é caos em cima de caos.

Desde a eleição nos EUA, crise na Síria, banco alemão com problema e Russia se unindo à China para combater os EUA no campo militar e dos negócios.

Minha prima cresceu, casou-se, tem filhas maravilhosas e como mãe, compreendeu que aquele terror é coisa de criança. Nunca mais fez isso, e eu também não. Já o mesmo não se pode esperar do mercado financeiro. Ele está cheio de analistas como minha prima em sua infância, com um detalhe que torna toda história diferente.

Nós crescemos, esses analistas não. Nós mostramos com matemática e temos uma possibilidade de erro conhecida. Já o mercado, só sobra o apontamento dos dedos para o investidor, dizendo que o "o culpado é você" !

 

 

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