Mudanças Abruptas

Análise Semanal Ibovespa

13/10/2010 a 22/10/2010

Por motivos excepcionais, essas duas semanas ficaram sem análises. Voltamos às nossas análises em caráter normal. O que direcionou as bolsas nessas duas semanas foram as discussões sobre a "guerra das moedas", termo aliás cunhado pelo ministro Mântega. Quem chegou primeiro, a crise das moedas ou as acusações sobre atuações isoladas dos Bancos Centrais?

Os governos novamente colocaram lenha na fogueira da ambição dos operadores de moedas. Tudo começou quando as discussões se voltaram sobre a taxa de desemprego americana. Para se defender de sua impotência, o governo americano acusou novamente a China de controle de sua moeda. Como os ataques dos especuladores de moedas tinham feito uma ameaça ao japão, o mercado tomou folêgo depois da acusação e resolveu brincar de bandido e mocinho. E agora quanto mais se fala da queda generalizada do dólar, mais os ataques continuam. Foi um erro o discurso americano sobre a China. Ao tentar mudar o foco da impotência do desemprego, o governo de Obama atirou em seu próprio território.

A Europa, motivada pelas greves da França se vê em greves e passeatas generalizadas nessas últimas duas semanas. Agora lá, além do foco do desemprego aparece o caso das mudanças nas regras da aposentadoria.

Enquanto isso no Brasil, a Petrobrás finalmente reconheceu aquilo que já haviámos comentado em análises e textos do site: precisa de mais dinheiro e a capitalização não foi suficiente. Segundo o presidente da Petrobrás serão necessários mais US$ 30 bilhões para o pré-sal. Por que os analistas não disseram isso antes dos gerentes recomendarem compras a todos os pequenos clientes? Já respondemos isso em texto anterior. Resposta: mordaça.

Então, para tentar acalmar o mercado de moedas, o G20 colocou como pauta de reunião, uma discussão para tomada de decisão conjunta. Impossível essa solução. A China já alertou que não vai flexibilizar o câmbio. Logo, tudo fica como está. Do lado brasileiro a solução de IOF aumentado regulou a queda do dólar, mas será por pouco tempo pois o déficit americano não pára de aumentar na casa dos trilhões.

O IMA-crash nessas últimas duas semanas atingiu o valor de 0,9 voltando para 0,88 no fim dessa semana. Exatamente quando o valor do Ima-crash atingiu 0,9 o Ibovespa chegou aos 72 mil pontos. A semana termina com IMA em 0,88. Investidor de longo prazo já deve ter percebido que se tivesse comprado na euforia dos 72 mil de alguns meses atrás teria ganhado menos que poupança. Para o investidor de médio prazo foi um bom negócio entrar aos 61 mil, vender aos 70 mil, comprar aos 66 mil e vender agora aos 72 mil pontos. Pode-se perceber que para cada investidor o cenário do mundo é diferente.

IMA crash = 0,88

IMA entrada = 0,00

 

A linha vermelha é a análise da transformada wavelet do Ibovespa para o nível de estresse e possível crash (quedas abruptas mas a nível de 15 minutos) e o gráfico em azul é a transformada wavelet para o nível de entrada no mercado.

 

Na análise de 11/10/2010 foi dito:"...Para os três dias restantes da semana (quarta-feira a sexta-feira) os dois sinais estão praticamente nulos. Talvez haja alguma tendência de pequena alta, mas com a "guerra das moedas" e as incertezas do desemprego nos EUA, podemos ter realizações dos lucros das últimas semanas..."Tivemos realização forte e quem puxou a queda do Ibovespa foi a Petrobrás como pode-se ver no gráfico intraday de 15 minutos abaixo. No gráfico acima do Ibovespa é possível reparar o acerto do sinal de IMA-crash.

Quando o IMA-crash indicou valor acima de 0,7, o Ibovespa começou a virar caindo mais de 4% para o patamar de 69.000 pontos, quase entrando em 68 mil pontos. Foi um acerto interessante do IMA-crash que apareceu exatamente após três dias de oscilação presa entre 72 mil e 72.500 pontos. Essa é sempre a característica de alta-frequência, ou seja, o sinal fica preso oscilando dentro de uma faixa. Quando isso ocorre o IMA dispara.

Em termos de Petrobrás, a PETR4 começou a cair depois do IMA-crash atingiur 0,7 para ela também. Quando o IMA-crash reverteu e começou a diminuir a PETR4 estava em R$26,00. Quando o IMA-crash chegou em zero, a PETR4 estava negociada em R$25,00 e quando apareceu o sinal de entrada a PETR4 chegou a R$23,90. Uma queda violenta de mais de R$2,00 para a PETR4 alertada pelo IMA. Um investidor hipotéticamente seguindo o IMA teria evitado uma perda de 7%.

O IMA-entrada está muito forte, indicando possível recuperação do Ibovespa, e sobretudo da PETR4. Essa ação chegou hoje a estar com IMA-entrada no ponto máximo 1,0, indicando um excelente ponto de entrada. Ainda há um espaço para entrada boa na segunda-feira com o IMA-entrada marcando 0,9 para a PETR4 e 0,8 para o Ibovespa. Bons lucros devem aparecer na semana que vem.

 

 

 

FATOS RELEVANTES POSITIVOS

VALE pagará R$ 5 bilhões em proventos.

Estoques americanos aumentaram 0,6% em agosto

Governo brasileiro aumenta IOF para conter especulação com o Real

Apple tem lucro recorde com o iPad

Pedidos de seguro-desemprego nos EUA cai 5% na semana

PIB da China cresce 9,6% anualizado. Mas velocidade cai a cada trimestre

 

FATOS RELEVANTES NEGATIVOS

PETROBRAS precisa de mais US$30 bilhões

Dólar cai abaixo de RS$1,68

BC aumenta IOF de 4% para 6% para segurar dólar

Produção americana cai 0,2% em agosto.

China aumenta taxa de juros

Brasil mantém taxa de juros em 10,75%

 

PRÓXIMA SEMANA

-Reunião do G20

-Ações contra os ataques às moedas

dias observação 358

Eventos(sinais de alerta de crash)

35
Acertos 28 (80%)
Falsos Alarmes 07 (20%)
Queda média -2.2%
Queda máxima -6,6%
Queda mínima -0,08%
Valorização média nos falsos alertas +1,46%
Valorização máxima nos falsos alarmes +2,3%
Valorização mínima nos falsos alarmes +0,2%
Tempo médio até o mínimo valor após o sinal de alerta 2,87 dias
Tempo máximo até o mínimo valor após o sinal de alerta 7,4 dias
Tempo mínimo até o mínimo valor após o sinal de alerta 30 minutos