Quinta-feira, 14 de Setembro, 2017

 

Aquecimento Destrutivo

Não existe esse negócio de "convicção". Convicção é para crentes em teorias, religiões ou outros cultos onde não se pode provar os acontecimentos passados e se espera que Deus dirija nossos caminhos. O resto, em todas as demais áreas, convicção é para mentes limitadas e rasteiras. Precisamos de provas, precisamos coletar provas, precisamos analisar provas para julgar um evento. Sem isso a humanidade deve voltar à idade média.

E o papa Fransciso deu uma lição espetacular contra os tais adeptos da "convicção". Contrariando o grande EUA, contrariando Donald Trump, Francisco afirmou : "Os pesquisadores sempre estiveram corretos sobre o aquecimento global".

Quem contrói tudo por dinheiro, só pensando no dinheiro, só trabalhando pelo dinheiro, perde pelo dinheiro. O resultado prático da vida é ganhar dinheiro para viver a vida, e não viver a vida para ganhar dinheiro. O maior poluidor do mundo de todos os tempos foi os EUA, somente agora nas últimas décadas sendo ultrapassados pela China.

Como dever moral os EUA deveriam ser os primeiros a enfrentar o problema do aquecimento global que eles começaram. Afinal a indústria dos carbonetos surgiu, ou pelo menos se moldou lá, no formato que conhecemos. O resultado de tudo isso é a perda total das condições mínimas suficientes para uma vida sadia. Sua casa vai pelos ares em qualquer crise financeira, podendo ou não começar com um desastre natural.

A figura a seguir é do caminho feito pelo furacão mais devastador dos últimos anos, o Katrina de 2005. Por ironia do destino ele passou pelas áreas onde existem as maiores refinarias no golfo do México. Adentrou EUA e causou bilhões de dolares de estragos.

Naquele ano os cientistas alertaram que esse tipo de furacão seria mais frequente, com devastações cada vez maiores e o pior: em série mortal tanto para vidas quanto para economias. Políticos deram de ombros e passaram a ridicularizar os relatórios da ONU e de diversos órgãos científicos do mundo.

Donald Trump, que foi eleito com ajuda das petrolíferas, simplesmente retirou a assinatura dos EUA no acordo de combate ao aquecimento global. Segundo seu entendimento, ele "tem convicção" de que não existe aquecimento global. E com isso os preços das ações das empresas ligadas ao petróleo disparou. O preço do barril que andava estagnado em torno de 40 dolares, passou os 50 dolares e as ações subiram por todo o globo.

E nesse ano um evento raro, não inédito, mas raro, ocorreu no Atlântico Norte. A formação em série de 3 furacões, conforme em 2005 muitos cientistas já tinham previsto. Kátia, Irma e Jose se formaram na mesma semana e seguiram com trajetória para o golfo do México.

A destruição mais sentida foi nas Ilhas Virgens e Caribe, além de Cuba, sendo desvatadas com bilhões de dolares de prejuízos. Por sorte o Irma perdeu força quando tocou o solo dos EUA, mas foi sorte. Até quando ela vai durar? Por exemplo, as ilhas Key próximas a Flórida, perderam milhões de dolares. E elas são muito pequenas, quase imperceptíveis no mapa.

Coms inundações, casas destruídas e falta de energia, existem economistas prevendo algo em torno de 1 trilhão de dólares de prejuízo por onde o Irma passou. As empresas de seguro estarão preparadas para outros desastres?

Isso não é convicão, é a realidade. Vai acontecer nos próximos capítulos do aquecimento global.

Baixamos os dados do NOAA com todos os furacões desde 1851 catalogados. Com o aquecimento global, o derretimento das geleiras se torna mais frequente. Com água mais fria migrando para os oceanos, esses verdadeiros "rios" de água doce migram para as regiões equatoriais. Essa diferença de temperatura causa perturbação na evaporação que se torna mais irregular, com chuvas fora do período que seria natural.

Oscilando mais a evaporação, a formação de nuvens torna-se mais frequente e quando uma depressão atmosférica ocorre, a tempestade começa a se formar e girar, formando os furacões. Vamos observar esses dados.

Medimos a frequência da ocorrência dos furacões com ventos acima de 230 km/k. Essa contagem de furacões começa em 1853 e vem até o ano de 2016.

O furacão Irma ainda não está nessa base de dados. O eixo da esquerda está a contagem de furacões e no eixo da direita colocamos a emissão de CO2 proveniente da queima de gasolina nos EUA.

Assim, a linha azul mais clara é a quantidade em toneladas de CO2 queimada nos EUA com a gasolina.

Os picos em laranja representam ano após ano, quantos furacões ocorreram com ventos superiores a 230 Km/h.

Qualquer pessoa pode concluir facilmente o aumento na frequência de furacões devastadores à medida que a queima de gasolina aumenta.

Isso não é convicão! Se chama correlação estatística, facilmente medida até mesmo no Excel.

Aumento na frequência de furacões mais severos com o aumento de emissão de CO2

 

Emissão e PIB dos EUA

Emissão e PIB da China

O gráfico ao lado já está ultrapassado, mas pode nos dar uma boa ideia de como estamos ajudando com o aquecimento global. A relação entre CO2 e PIB é linear nos EUA.

Ou seja, um aumento ou melhora na economia dos EUA provoca um aumento na emissão de CO2. Melhora na economia significa maior nível de empregos, maiores gastos com automóveis, maiores consumos com combustíveis o que acarreta em maior emissão de CO2.

No gráfico anterior, podemos reparar um pico superior aos demais em 1934. Já naquela época a indústria do petróleo estava a todo vapor.

Naquela época não havia controle ou preocupação com emissão de CO2, sendo o chumbo amplamente utilizado na mistura da gasolina.

De 1934 para cá podemos reparar a ocorrência mais frequente de furacões mais violentos.

Para quem não acredita nessa relação, por que nos anos entre 1853 e 1914 os furcões eram apenas tempestades? Por que esse salto desse ano em diante para furacões de categoria 5?

É só lembrar da produção em massa dos automóveis nos EUA após 1910 com as indústrias Ford.

Mas não é só os EUA. Ao lado apresentamos o gráfico das emissões da China. E se a relação linear entre CO2 e PIB dos EUA era maléfica, a relação da China é exponencial.

A China é hoje o país mais poluidor do mundo, com o PIB que mais cresce no mundo há cerca de uma década. Todo ano o PIB chinês cresce ao redor de 7% e como podemos observar ao lado, a emissão de CO2 sobe da mesma forma.

Já vimos diversas vezes Pequim sendo fechada para que os poluentes se dispersem. A relação PIB e CO2 é direta e reta.

Mas os EUA e China não são os bandidos e o resto mocinhos. Nós aqui no Brasil também somos um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global. Queimamos árvores, destruímos florestas com discurso de vagabundos em busca do dinheiro fácil. É só falar que tem algo errado com as queimadas das florestas que os adeptos do mercado irracional jogam pesado, dizendo que isso é coisa de ecologista preocupados com os animais.

A receita de que a selva precisa ser ocupada com crescimento para gerar renda para o povo do interior é uma balela de ladrões. A Amazônia está ocupada pelas mesmas famílias ricas de senadores e deputados que colocaram impostos baratos para beneficiar suas próprias empresas, ou seja, eles próprios.

O número de emprego gerados e renda de qualidade para quem nasceu e cresceu nessa região é pífio, coisa de criminoso. E além deles temos os fazendeiros que ocuparam terras de florestas e são tratados como heróis do Brasil, pois o agronegócio sustenta o PIB. Quem era o porta-voz desse povo todo?

O senhor Joesley Batista e sua empresa JBS.

A que custo? A renda que volta não chega ao morador antigo da Amazônia, chega apenas ao bolso daqueles que estão destruindo as florestas e colocando o dinheiro nas commodities do mercado financeiro.

O sucesso não dura para sempre, nem mesmo o dinheiro. O agronegócio vai cair em breve, largando as terras de florestas desabidatas e imprestáveis. Queimadas vão aumentar e destruir o que ainda resta de bom, aumento o nivel de CO2 na atmosfera. Logo, nós aqui nessa terra que insistem em chamar de país, somos responsáveis também pelo aumento de furacões.

E não estamos livres deles. Afinal será que se esqueceram do furacão Catarina que devastou o estado de Santa Catarina em 2004? Sim, outro furacão deverá voltar na mesma região, uma vez que a frequência desses eventos vai aumentar também para nós. E a culpa não é da natureza. É nossa.

Furacão Catarina no Brasil em 2004

E como sua Santidade, o papa Francisco pronunciou em 2015:

" ... há muitos interesses particulares em demasia, e o interesse econômico acaba prevalecendo sobre o bem comum muito facilmente, manipulando as informações para não terem seus projetos prejudicados...".

 

E que depois não coloquemos a culpa das tragédias no diabo.

 

 

 

 

 

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