Domingo, 16 de Julho, 2017

 

Banco Central traído pelo desejo

Vamos melhorar...

Estamos melhorando...

A crise já acabou, agora é só crescimento....

O leitor já ouviu, e vai continuar ouvindo essas frases sendo ditas, ou pelo senhor Meirelles, ou pelos deputados e senadores à respeito da política econômica de Temer. Como sempre descrevemos aqui, eles estão errados. Mas não estão errados porque não sabem o que falam, mas usam do marketing maldoso de tentar enganar as pessoas com dados e estatísticas.

No caso de deputados e senadores, sim, esses não sabem absolutamente nada do que falam. Com raras exceções, a grande maioria é papagaio de pirata. Ainda se o pirata soubesse o que fala... mas nem isso temos hoje no Brasil!

O ministro da fazenda acaba por enterrar sua carreira, quando esquece de que nem todos são como os deputados. Ele se esquece que mesmo dentro do campo empresarial existem pessoas que conhecem estatística. Ou então, será que o senhor Meirelles já teve tempo de observar o currículo de algumas pessoas com quem dá aquelas palestras sonolentas com dados conflitantes?

Com certeza não. Ele e sua equipe olham apenas para os próprios umbigos. Se esqueceram de falar a verdade com base nos dados.

Mas o que nos deixa mais perplexos é que, pelo menos o Banco Central do Brasil, que sempre quer ser independente, quer status de independência, quer ser reconhecido como neutro, entrou nessa balada de apoio ao regime morimbundo de Michel Temer. Pelo menos esperávamos mais honestidades nas palestras e divulgações para a imprensa sobre alguns dados nacionais.

Nessa última sexta-feira a imprensa e mídia em geral destacaram que "governo se assusta com nível de atividade negativo". Ou ainda "um banho de água fria no banco central". E assim por diante, em relação à divulgação dos dados sobre o tal Índice de Atividade Econômica ou IBC-Br. Quem quiser baixar seus próprios dados, esse aqui é o link do Banco Central.

Quando o governo divulgou os penúltimos dados desse índice, bradou em alto tom que a crise tinha terminado.

E quando as denúncias e a gravação do encontro de gangster dentro do palácio do governo vieram à tona, Temer e sua tropa disseram que era tudo para minar o crescimento.

O IBC-Br mede, de forma indireta o PIB, pois está relacionado com atividade econômica.

Já escrevemos em outros textos que sempre para uso econômico devemos comparar resultados ou com igual período do ano passado, ou numa série mais longa, ou ainda sempre em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Então, quando uma pessoa observa os dados do primeiro gráfico ao lado, tem-se a sensção de que tudo melhorou. Ou seja, o senhor Meirelles tem razão, tivemos uma melhora significativa na atividade econômica.

Mas não é isso.

Agora que saiu o último dado, o que os políticos esperavam é que a "última perna" do gráfico ao lado fosse para cima, indicando alta e assim, o PIB poderia ser mais alto ao final do trimestre.

Que pena! O dado traiu o BC! A marcação em vermelho indica o novo dado disponibilizado pelo BC.

Parece mesmo um "banho de água fria".

IBC-Br de junho/2016 a abril/2017

 

 

 

IBC-Br incluindo maio/2017

 

 

IBC-Br desde janeiro de 2016

 

 

 

 

 

 

 

IBC-Br desde janeiro de 2015

Quando incluímos os dados desde janeiro de 2016 até esse último dado de maio/2017, vemos que não ocorreu melhora.

É mais do que normal no começo de cada ano um índice mais forte, não tivemos melhora nenhuma da atividade. Ela sempre é mais forte nos primeiros 3 meses, pois se utilizam ainda de dados das vendas de dezembro.

Mais ainda: estamos no verão, com alta na temporada de viagem de férias, com os hotéis e restaurantes contratando mais funcionários em regime temporário.

E por fim, temos o carnaval. Assim, era óbvio que em relação ao segundo semestre do ano passado, o IBC-Br seria alto.

Ao se comparar com uma série "mais honesta", o que se vê é que em janeiro do ano passado esse IBC-Br foi muito mais forte do que nesse ano!

Olhe ao lado leitor.

Com tudo isso, estamos sempre chamando a atenção de nosso leitor para o que se chama de séries sazonais, ou periódicas, que envolvem sempre o mesmo fenômeno no mesmo período do ano.

Se realmente fosse mais honesto, talvez para mostrar que ainda estamos no fundo do poço, os políticos ou membros do BC poderiam colocar com dois anos de histórico.

E então, como se defender desse outro gráfico ao lado?

Agora tomamos os dados mais completos da série, desde janeiro de 2015. E olhando lá para trás, quando falávamos que a situação estava ruim, vemos que ela estava muito melhor do que hoje.

Esse tipo de gráfico, com queda em forma de curva, é o que chamamos de decaimento exponencial.

E o que o governo chama de alta, podemos chamar de soluço para as pessoas mais leigas. Ou então de ruído estocático, para usar termos mais acadêmicos.

Não existe alta nenhuma, pois não existe mudança de tendência de baixa para alta.

Não mudou o estilo de gráfico e nada sugere que esse IBC-Br deve disparar, seja com reforma trabalhista, seja com reforma da previdência ou seja com reforma política.

Enganação pura!

Continuamos alertando o leitor, para que sempre preste atenção aos dados e não as palavras dessas pessoas. Dia após dia elas vão se tornando cada vez mais desonestas com todos nós.

Então, se o senhor Meirelles quer usar esses dados para afirmar que o PIB terá crescimento de 0,5% ao final do ano, pode começar a maquiar mais. Pois será muito difícil com seus próprios dados, verificarmos alta no PIB do Brasil.

Estamos aqui mantendo nossa posição e afirmação de que teremos queda de 1,26% no PIB desse ano, e não alta como diz o FMI, Meirelles, Temer ou analistas (ver noss texto "PIB de 2017 poderá cair 1,26%").

Caro leitor, uma pessoa não deve parecer honesta. Ela deve sempre ser honesta. E as palavras desses políticos e desse governo são pétalas ao vento. Quer dizer, são espinhos ao vento, pois sempre vem em nossa direção para perfurar nossa moral e honestidade.

 

 

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