
Sábado, 29 de Outubro, 2011
Operação "Barbarossa" financeira
Um bom copo de vodka o acompanhava, um bom cigarro e a temperatura amena da URSS não eram suficientes para deixar o grande bigode em paz. A todo momento o bigode sofria puxões de raiva e baforadas nervosas de cigarro. Como de costume o grande líder assistia aos costumeiros filmes das 2h da madrugada, antes de dormir. Naquele dia, no entanto, Josef Stalin estava sem sono devido a fúria das notícias da fronteira com a Polônia. No dia 14 de Junho um avião secreto de Hitler, que operava com códigos secretos conhecidos apenas pelo Kremlin trouxera uma carta do Füher. As palavras ainda soavam dentro da cabeça de Stalin: "...Nossa população tem admiração pelo povo inglês, mas o governo da Inglaterra usa de propaganda para nos difamar perante aos súditos da rainha. Meu caro amigo, sabe o quanto tenho movido esforços para não declarar guerra contra os ingleses, mas diante dos fatos terei que proteger a região dos Bálcãs. Estou movendo 8 batalhões para o lado oeste de seu país, mas quero que não acredite nos boatos. Em hipótese alguma minha intenção e do povo da Alemanha é invadir a URSS. Tem minha palavra que nosso acordo de 1939 será cumprido e não invadirei seu país. Meus generais podem ultrapassar as fronteiras pela fragilidade dos boatos, mas peço que me avise caso isso aconteça e tentaremos impedir que os boatos dominem nossas nações amigas...". No dia 22 de Junho de 1941 Hitler rompe o tratado de não-agressão de 1939 e invade a URSS, colocando em prática a Operação Barbarossa. Foi uma das frentes de batalha mais sangrentas e devastadoras das guerras, com 3,5 milhões de soldados alemães e 4 mil veículos blindados. Humilhação e morte de ambas as partes das batalhas foram os resultados. A "pitada" do fracasso alemão veio da natureza, com o inverno russo mais rigoroso de todos os tempos tomando os soldados alemães famintos e despreparados após adentrarem 2.900 km na União Soviética. Acordos nas relações internacionais em tempos de crise são feitos para a mídia, para a população e todos sabem que um lado da corda sempre vai romper. Essa hipótese de que todos estão trabalhando em prol do "bom relacionamento entre povos irmãos" é para livros de história de ginásio. Os bastidores são ferozes e nessas cúpulas é onde os líderes mostram o quanto humanos eles são. Rivalidades, exaltações e até palavras nada agradáveis são pronunciadas. Quem não se lembra do episódio recente quando o rei da Espanha virou-se para o presidente da Venezuela Hugo Chaves e disse:" por que não te calas?".Isso ocorreu na cúpula das nações Ibero-Americanas. A reunião mais esperada do ano terminou regada a drinks de investimentos e corridas para as bolsas, como águas repressadas esperando a abertura das comportas. A irracionalidade humana se mostrou num afoito jogo de todos os tipos de estratégias para fazer o lucro o mais rápido possível. A cúpula da União Européia dessa semana, reunida para criar um fundo anti-crise, expôs a verdadeira finalidade dos governos: servir e ser subserviente a bancos e retornos financeiros. Será que se preocuparam em geração de empregos para sua população? Será que esses líderes da cúpula debateram formas de diminuir os impostos em 50% à sua população? Algum líder colocou no papel alguma regra de imposto zero para comunidades agrícolas. Abertura das fronteiras foi proposta? Não, a única diminuição que se falou foi de 50% na dívida grega e um fundo de reposição de 1,4 trilhões de dólares, que recebeu palmas, abraços e beijos como uma final de campeonato. Sarkozy veio a público para dizer que o dia entraria para a história como o final da crise. Sim, sua intenção é a releição. A intenção de Berlusconi é permanecer no poder para continuar suas festas com o dinheiro público italiano. Zapateiro tinha intenção de salvar os bancos de seu país e ficar a salvo dos ataques da população e dos súditos insatisfeitos com 40% de desemprego entre jovens até 30 anos. |
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Essa é só uma parte dos ataques que vão aparecer. O outro é com as agências de ratings que vão rebaixar bancos e países em suas notas de crédito. E o primeiro país no olho da Fitch é a França que deverá perder o AAA. Ao descobrir que 50% da dívida grega será "esquecida" a Fitch correu a emitir uma nota:" 50% de corte na dívida grega é CALOTE!" (leia aqui). Sarkozy correu para dizer que está cortando o orçamento e vai aumentar a contenção dos gastos para manter de todas as maneiras o AAA. Mas como o presidente da França sabe que isso será difícil, assim como outros países, parece que começaram a trabalhar nos bastidores. Já escrevemos aqui que essas agências são maléficas e gostam de ajudar quem está por baixo a ficar ainda mais embaixo("Ameaça à Inglaterra"). Já mostramos que usam cálculos matemáticos frágeis apenas para justificar uma decisão política e financeira para elas mesmas. Mas agora o desenrolar das operações de "tapa-boca" estão vagarosamente mostrando e criando cenários para a população que esses ratings são maléficos. Quando o Brasil em 1985 resolveu parar de pagar os juros da dívida no governo José Sarney, todas as agências rebaixaram nossos títulos a lixo. E quando o governo foi a imprensa internacional criticar essas mesmas agências, todos os países da Europa e os EUA deram as costas e disseram que elas eram sérias e o Brasil não. E agora? As agências não são mais sérias? Nesse texto da bloomberg(leia aqui), surge a notícia de que essas agências dão notas de crédito maiores para as firmas e países que pagam mais pelas suas consultorias. Só agora? Só depois de 2008? Ou será que os ovos estão começando a estalar pelas bordas da frigideira? E os bancos aceitaram perdas de 50% nos títulos já adquiridos da Grécia? No dia do anúncio final, Sarkozy disse que ocorreu um comunicado aos bancos e não uma consulta. E que eles aceitaram perder 50%. Na reportagem da bloomberg, na verdade, já existe uma especulação para usar o dinheiro desse fundo, apenas para as crises, para ajudar bancos que tenham os títulos e entrem em ... crise! Ou seja, basta um banco dizer que seu fundo de investimento não pode honrar seus pagamentos para entrar na cartilha de ... crise! E então receberá uma parcela desses 1,3 trilhões para não deixar o sistema quebrar (leia aqui). |
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Será apenas uma questão de tempo, quando os ânimos se exaltarem e as acusações começarem que esse ou aquele país está tirando vantagem do fundo. Ou ainda que um país está contribuindo mais do que outro. Ou então para voltar suas armas para os BRICs. Ângela Merkel disse hoje que nós estamos (BRICs) tendo um crescimento incrível e que eles, os europeus, devem se unir para ter possibilidade de vencer 1,3 bilhão de chineses, 1,2 bilhão de indianos e o restante dos BRICs. (veja no UOL). Na verdade, a premiê alemã já está prevendo e antevendo uma batalha de palavras como fogo amigo. Já está alertando que o inimigo são os BRICs e não a Europa ou Grécia. A operação Barbarossa financeira está apenas, por momento, sendo planejada por algum dos grandes europeus, primeiro sendo estudada e não será aplicada agora. Talvez ainda não será nesse ano. Mas antes da capitalização de 9% que todos os bancos terão que fazer para os investimentos de riscos até o meio do ano que vem, alguém vai disparar a operação. O ataque poderá ser via vantagens de negócios internacionais, acordos bilaterais excluindo colegas europeus, ou mesmo por ataques especulativos dos próprios bancos ao Euro, como ocorreu no início de 2010. Hitler perdeu graças para o inverno russo. Nas novas vantagens que fundos e bancos europeus vão ter, o vencedor será o inverno financeiro, leia-se recessão. Será que o arcanjo realmente derrotou o demônio financeiro? |