
Quarta-feira, 19 de Outubro, 2011
Black Monday: há 24 anos era pânico!
Dia 19 de Outubro de 1987, uma segunda-feira, Dow Jones abriu mal e terminou pior. A queda recorde de 22,6% em único dia entrou para a história dos pânicos financeiros. Problemas na Ásia? Problemas no software do stop-loss das corretoras? Até hoje a resposta ainda é um fantasma para a SEC (correspondente à nossa CVM). Investigações descobriram índícios de erros nos softwares recém-permitidos para a negociação de bolsa de valores. A linha de ordem do algoritmo de trading conhecida como stop-loss pode ter sido o estopim do pânico. Grandes investidores, seguindo um comentário do secretário do tesouro americano Jim Baker sobre o dólar fraco, começaram o dia vendendo. E não pararam mais. E em alguns casos, as vendas que deveriam ser feitas automáticas para evitar perdas ainda maiores não aconteceram. Isso levou quem estava perdendo a vender a qualquer preço suas ações. Mas também na época havia o problema da Ásia, em especial do Japão. No período pós-segunda guerra mundial o Japão teve que reconstruir a economia, reconstruir as cidades e, sobretudo seu modo de viver. E começou a renovar sua política econômica baseada em poupança interna, incentivando à população a fazer poupança para poder criar crédito no restabelecimento da ordem. Após um longo período de recessão, o Japão começou a colher frutos de sua poupança interna e sua economia antes baseada em agricultura começou a revigorar com as primeiras indústrias do pós-guerra. Na década de 1970, principalmente a partir de 1973 com a crise do petróleo, o Japão viveu mais um pequeno período de recessão tornando o câmbio livre para o yen. |
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O fato é que mercado financeiro inflado e com volumes tão altos dão margem ao aparecimento não de um truque, mas de diversas manias e "mágicas" para se obter mais lucros. Com o advento do computador, muitos traders inexperientes em computação programavam lógicas de compras e vendas bastante complexas até mesmo para o entendimento do programador. Muitas histórias de trades errados e truques para tentar reverter erros nas negociações bilionárias dos fundos de investimentos surgiram depois da segunda-feira negra de 19 de Outubro de 1987. Uma delas, contada por Justin Fox em seu livro "O Mito dos Mercados Racionais" (vale a pena ler), aconteceu com um trader de nome Leland O'Brien Rubinstein, ou LOR, que operava no mercado financeiro desde 1980 com índice futuro. Seu sucesso momentâneo atraiu fundos de pensão que colocaram muito dinheiro e tornou sua firma conhecida dos clientes mais importantes de Wall Street. Fox conta que em Outubro de 1987 LOR gerenciava diretamente 5 bilhões de dólares e licenciou seu software para negociações nas bolsas que lhe dava um controle de mais 45 bilhões de dólares. E outros clientes tais como Goldman Sachs e Morgan Stanley injetaram outros 50 bilhões de dólares na empresa de LOR.
E essa mania criada por LOR teve seu efeito nefasto na manhã de 19 de Outubro, quando suas fórmulas "mágicas" todas, ao mesmo tempo, deram indicações de venda. E LOR mandou os computadores vender tudo, desovando todas as ações no mercado. No final do dia a perda do mercado girou em torno de 500 bilhões de dólares, com queda de 22,6% num único dia para o Dow Jones (figura abaixo). O índice caiu de 2.246 pontos para 1.738 pontos, mas se for tomado o seu recorde em 25 de Agosto (2.722 pontos) a queda foi de 36% em pouco mais de um mês.
Seja qual a verdadeira causa do grande crash de 1987, o mercado financeiro agiu de forma irracional por alguns meses, numa demonstração pura de manada entre asiáticos, europeus e americanos. Foi a demonstração de que os mercados não estavam isolados como antes e o advento dos computadores além de facilitar as negociações, espalhava a crise em ondas que se transformavam em catástrofes em diversos países. Na tentativa de segurar crises desse tipo, a crise de 1987 foi responsável pela criação do circuit break, mecanismo que interrompe as negociações nas bolsas quando grandes quedas acontecem. Por algum tempo todos acharam que o problema estaria resolvido quando o pânico chegasse ao mercado. Mas para cada solução existe um novo problema, ainda maior. Nos últimos meses empresas e defensores das operações de alta frequência dizem que os softwares são seguros. Sim , são seguros até o próximo flash crash.
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