Tarde demais... Sr. Buffett

O ser humano tem uma característica interessante quando visto do ponto de vista de manada. Alguns grupos escolhem pessoas como heróis, como seres perfeitos, homens de sucesso a serem seguidos. Então lançam-se livros, filmes, histórias são comentadas em revistas, chats, fóruns, jornais idolatrando certos personagens como perfeitos.
Um desses personagens bastante retratado é o bilionário americano Warren Buffett. Quem ler com bastante cuidado o livro sobre sua vida (muito bem documentado, por sinal) “ A bola de neve” perceberá o quanto de erro do ponto de vista estratégico ele cometeu.
Críticas à parte sobre sua exótica maneira de ser, à qual cada um tem a sua, Buffett cometeu erros absurdos, comprando firmas que estavam muito mal e foram quase á falência, mesmo com sua interferência. Firmas que ele manteve apenas por teimosia e que cresceram não por estratégia de Buffett, mas pela recuperação do mercado.
Tornou-se bilionário por sua persistência e sorte em que viveu à época onde investir em ações em baixa e esperar pacientemente para vender na alta era a regra de mercado. Nos tempos atuais, onde as operações são de alta freqüência dominam a humanidade, a estratégia de sentar e esperar 10 anos para obtenção de lucros com GM, IBM, ou “guimbas de cigarro” como Buffett adora contar já não é uma estratégia válida e sim ultrapassada.
No ano de 2009, muitos noticiários americanos deram espaço com a frase: “Buffett vai às compras”. Todos foram às compras, não somente Buffett. Na verdade ele demorou demais para ir às compras com percepção errada no primeiro semestre de que não haveria recuperação em 2009. No segundo semestre quando as bolsas já estavam bem valorizadas Buffett previu que a crise tinha acabado.
Já é bastante perceptível, há alguns meses, que a esticada atual das bolsas vai terminar. O que vem depois é difícil de afirmar com 100% de certeza. Mas um olhar crítico para outras crises, perceberá que uma segunda onda de quedas é inevitável, talvez não tão violenta quanto a primeira mas mais devastadora pois poderá levar a recessão. Mais de 120 bancos americanos faliram e mesmo com os 800 bilhões não se recuperaram. O desemprego americano não melhora (continua a taxa de 10% ao ano), o desemprego inglês continua estagnado em 5%, a Grécia está quase em “default”, a Rússia não se recupera e até Dubai parece mais uma miragem do que coisa real.
Então, só agora, depois de alguns importantes acadêmicos praticamente estarem convencidos do perigo que novamente ronda a economia, Warren Buffett volta à cena, com a previsão de que a crise não acabou, como mostrado na reportagem

http://finance.yahoo.com/news/Buffett-predicts-slow-apf-739380693.html?x=0&sec=topStories&pos=4&asset=&ccode=


Recomendo a leitura do “bola de neve” para ver quantas estratégias erradas ele cometeu e recentemente perdeu 10 bilhões de dólares pois não soube perceber que a crise estava aparecendo, depois demorou para entrar quando houve a corrida, e agora demorou para reconhecer uma possível volta da segunda onda de quedas.
Muita gente prefere a famosa frase: “pobre do país que não tem heróis”. Prefiro aquela outra: “pobre das pessoas que precisam de heróis”.

 

 

 

 


 

Sábado, 21 de Janeiro, 2010