Sexta-feira, 24 de Junho, 2016

 

Bye Bye Europa

Nacionalismo, corporativistmo e direita radical tem um nome : Facismo. Seu expoente maior foi Benedito Mussolini, que não mediu esforços nem escrúpulos para subir ao poder. E quando subiu ao poder primeiro silenciou a oposição, perseguindo sindicalistas, socialistas, intelectuais e qualquer pessoa que fosse algum tipo de líder dissidente em comunidades ou cidades.

Sob o dogma de dizer asneiras teóricas aos menos instruídos, entre 1925 e 1927 Mussolini acabou com todas as proteções constitucionais, proteções onde a lei italiana dava ampla legalidade à liberdade de expressão. Com a "visão futurística" e com seu projeto de "recuperação financeira" acabou com leis trabalhistas históricas, influenciando a população de que essas leis de trabalho eram entraves econômicos.

Seu governo reduziu drasticamente a criminalidade, através da prática de tortura e criminalidade. Em troca, no entanto, teve que fazer acordos com os mafiosos que comandavam entre muitas coisas, partidos políticos. E por fim, para garantir sua hegemônia, aboliu as eleições parlamentares, sob o alarde do crescimento perigoso do comunismo e dos comunistas.

Dominou por algum tempo, para muitos, tempo até demais. Mas seu fim foi digno, como visto na foto à seguir.

Depois de fuzilado junto com sua amante, foram expostos em praça pública e ridicularizados com inúmeras ofensas, fotos e chutes por todos os lados. Essas imagens, teriam dito, foram as responsáveis pelo suicídio de Hitler com medo de ter o mesmo fim. A ideia radical de que um país deve se isolar, transforma as pessoas e a sociedade em bando de loucos. E por fim, as revoltas podem sair de controle. A vacina para tudo isso é a educação e a democracia.

A democracia que é tão zelada, tão forte e influente no Reino Unido, no entanto, armou uma arapuca para o retorno dos facistas na Europa. O sentimento exacerbado de que os imigrantes e pobres é que são culpados pela situação econômica é uma ideia louca, ridícula e grotesca de jogar a culpa pela má administração nas pessoas que não tem como se defender.

Hoje, o resultado do plebiscito no Reino Unido foi que eles deixarão de ser parte da União Européia e seguirão seu caminho sozinhos. Esse é um resultado bastante embaraçoso, pois as regras para os imigrantes continuarem a trabalhar e permancer na sociedade inglesa mudarão. Muitos terão que deixar a Inglaterra e cair no desemprego europeu.

Mas se enganam aqueles que acham que a economia inglesa viverá sozinha e voltará a ser a velha potência dominante do mundo como fora outrora. Os tempos mudaram, as distâncias diminuíram e a maneira de agir no comércio internacional também. Depois da tragédia financeira de 2008, o Reino Unido se recuperou, mas sua economia não disparou como se imaginava. Como pode ser visto à seguir, com dados obtidos do site Trading Economics o PIB tem se mantido desde 2010 na casa dos 0,5 de crescimento, sendo por vezes, em torno de zero.

PIB - Reino Unido

Obviamente que alguém tinha que ser culpado por isso. Mas quem? Os bancos? Não, imagina! Sempre a culpa é dos pobres, que não podem ter ascensão social, não podem ter casa própria, nem mesmo frequentar os mesmos shoppings dos ricos. É intolerável pobre ter celular, e ainda "atrapalhar" o trânsito com seus carros.

Mas a direita facista inglesa não poderia jogar a culpa nos pobres de língua inglesa. E sobrou para os imigrantes, sim, eles são culpados. São eles que "roubam" os empregos dos pobres trabalhadores ingleses. São eles que enchem as ruas com suas línguas estranhas e nem mesmo se adpatam ao jeito britânico de comer.

Mesmo com uma taxa de desemprego "razoavelmente" confortável, os 5% de desemprego não foram suficientes para ajudar David Cameron no seu convencimento de que sair da União Européia não era o caminho. A farsa plantada sobre o desemprego se revela nesse gráfico à seguir, onde se tem uma estabilidade no desemprego desde outubro de 2015.

Taxa de desemprego no Reino Unido

Talvez os salários pioraram? Não, isso também não é verdade. Não se pode afirmar que os imigrantes pioraram os salários dos trabalhadores ingleses. Pelo contrário.

Como pode ser visto ao lado, o salário médio semanal vem aumentando nos últimos anos. Os imigrantes, se essa era a tese, não são culpados por queda salarial. Essa é uma tese que não se sustenta, pelo menos quando se observa dados oficiais.

Quem sabe a inflação piorou, disparou com tantos imigrantes vivendo na ilha de sua majestade?

Não, isso também não se observa. Ao lado é possível analisar que, inclusive, no ano de 2015 o Reino Unido teve deflação de 0,1%. Seus preços estão bem controlados e não há nenhum indício de explosão inflacionária.

Mesmo o maior pico de inflação dos últimos anos foi de 0,5%, que já recuou e está estável em 0,3%.

Dois fatores foram fundamentais para o voto de não permanência ganhar o referendo. De apelido Brexit (saída britânica- o leitor vai ouvir bastante essa sigla nas próximas semanas), essa retirada da UE começou com a crise da Síria.

Os imigrantes começaram a chegar de todos os cantos fugindo dos horrores da guerra na Síria, do tiranismo de Assad, e do horror do Estado Islâmico.

Até então, o Reino Unido estava tranquilo, achando que a onda não chegaria tão ao norte. Mas quando os imigrantes conseguiram o direito de atravessar a França para chegar até próximo dos transportes para a Inglaterra, as coisas começaram a "azedar".

O estopim se deu quando as pessoas se amontoaram nos trilhos do trem que liga França a Inglaterra. Com a frança ameaçando liberar os imigrantes, o governo inglês montou uma verdadeira barreira para do lado de lá do Canal da Mancha para coibir as chegadas.

Salário Semanal Médio no Reino Unido

 

 

Inflação no Reino Unido

Bolsa de Londres - Índice FTSE-100

Mas se pararmos para pensar, o problema não são os imigrantes. Mas o ditador Assad, que provocou com sua tirania toda essa confusão. Se os ingleses e resto dos europeus realmente enfrentassem Assad e seu mentor, Putin da Russia, nada disso teria acontecido.

Os ingleses tem muita culpa sim, junto com os americanos e europeus sobre a saída em massa da população da Síria. Todos os governantes deixaram um ditador destruir um belo país, com uma tradição histórica importante para o mundo.

Em apenas três anos o país se desfez, não existe mais Síria, não existem mais cidadãos. Os governantes resolveram se ater a falsa tese de que esse não era problema deles.

E agora? Agora sim o problema está em suas portas. Mas como assumir o mal feito ao mundo não é tradição para os países mais ricos, jogaram a culpa nos imigrantes.

O segundo ponto fatal, o ponto mais importante para a derrota do "sim" na ilha, foi o mercado financeiro. Claro, bancos!

Sempre eles, sempre estando por trás dos problemas, bancos e grandes fundos não vêem muito futuro nas bolsas européias. A recuperação do Dow Jones e das bolsas americanas não foram suficientes para saciar a sede de dinheiro.

Como pode ser observado ao lado, o resultado do FTSE-100 da Inglaterra é pífio. Em 2011 o índice FTSE-100 estava em 6069 pontos. Ontem (quinta-feira) estava em 6.281 pontos.

Vamos parar para pensar. Como que grandes bancos, grandes fundos, bilionários vão admitir ganhar apenas 3,4% na bolsa de valores em 5 anos!!

Sem a menor perspectiva de lucro, e com o resto das bolsas da Europa no mesmo ritmo, os fundos e bancos estavam incomodados e pressionando David Cameron por mais lucros.

Claro, é um absurdo "esse partido" do primeiro ministro não permitir lucros exorbitantes.

E a melhor ideia a ser implantada é, deixar a UE para criar suas próprias regras para fortalecer a Libra e facilitar suas operações financeiras, fugindo das regras do Banco Central Europeu.

E a ideia foi vendida para a imprensa. Depois para os tablóides e por fim, a população mais pobre e desempregada da Inglaterra gostou da ideia. Sim , a culpa é de pertencer à União Européia.

Quais as consequências?

Claro, a curto prazo o mercado financeiro vai sentir. E a longo prazo, a crise de 2008 ainda não totalmente vencida, poderá voltar, com quedas mais fortes nas ações daqueles que mais queriam lucros: os bancos. A figura a seguir mostra o resultado para o banco Barclays PLC, com queda de 15%. As ações derreteram.

Ações do Barclay em 5 dias de negócio no FTSE-100 - Londres

E qual a primeira coisa que o banco fez? Correu de chapéu na mão pedindo auxílio do governo para garantir liquidez nos negócios. Correu um medo enorme da população ir em ondas para retirada de dinheiro do banco. E quanto mais desmentiam problemas, mais as ações caíam. Como a Europa ficará a longo prazo?

A Europa ficará como sempre: indecisa! Como sempre, desde todas as guerras mundiais que ocorreram no continente, os conflitos aconteceram pela indecisão, demora, falta de tato, medo em agir de verdade por parte dos europeus. Isso agora torna-se mais preocupante, pois não é só uma crise financeira que se espreita pela fresta.

É a onda de direita facista e radical que poderá aparecer influenciada pela votação do Reino Unido. A onda de intolerância aos imigrantes que já aparece na França poderá se tornar oficial, fazendo aparecer diversos Mussolinis, diversos radicais achando que a solução é exterminar com pobres, sumir com os pobres, colocar nos navios e mandar de volta de onde vieram.

Sim, essa é uma solução e os próprios imigrantes querem isso. Mas primeiro a Europa tem que ter a coragem de sumir com Assad da Síria e tentar restabelecer a paz na região, propiciando a reconstrução de um país que não existe mais. Fazendo isso, boa parte dos problemas terminam e então, o Banco Central Europeu poderá pensar só no dinheiro.

Por enquanto, achar que a solução é exterminar pobre e mandar de volta para sua origem é sim, sem sombra de dúvidas uma solução facista e racista. E quem tomar essa decisão, quem se aventurar em apoiar essa ideia terá um fim já conhecido: olhar o mundo de cabeça para baixo como Mussolini.

 

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