Quinta-feira, 18 de Agosto, 2016

 

A mudança rápida no clima

Em 1936 o geólogo Lauge Koch da Dinamarca e seus colegas, percorreu a Groelandia com um aeroplano de cockpit aberto tirando fotos das ilhas e glaciais para documentar seus estudos. As 180 mil fotos ficaram esquecidas e agora foram redescobertas e estão ajudando a entender como o aquecimento global está acelerado. A descrição desta comparação está na recente revista Nature de Julho desse ano (ver aqui). Seguindo a mesma rota de Koch, em 2013 pesquisadores fotografaram do mesmo ângulo as mesmas regiões e o que se vê é o impressionante derretimento dos glaciais. O documentário curto é um relato desse vôo e das fotos tiradas dos glaciais.

O aquecimento global é um fato unânime entre pesquisadores de diversas áreas, longe no entanto, de unanimidade sobre suas causas, dados e modelos de previsão. Apesar de alta correlação entre gases de efeito estufa provocados pelo homem, como o dióxido de carbono (CO2), o debate é sempre acalorado com indagações de parte a parte que envolvem até mesmo fraude na coleta e distribuição dos dados.

Mas contra a imagem, ninguém pode esconder o fato. Algo terrível está acontecendo no planeta e os governos estão dando de ombros, apenas retardando acordos importantes ou mesmo não aplicando dinheiro suficiente para que a Ciência trabalhe de acordo para entender o fenômeno e poder criar alternativas para a humanidade.

A foto acima mostra a mesma região, separada por 80 anos e como se pode notar, os glaciais encolheram e não estão se recuperando nos invernos. Os glaciais são um controle natural do clima no mundo.

Isso já está sendo responsável pelo aumento no volume dos oceanos o que, com certeza, está alterando o regime de chuvas, tempestades, furacões e muitas outras tragédias que ainda vão aparecer.

Esta foto a seguir é interessante, uma composição de uma foto de 1936 e outra de 2013 na forma de camada. A camada mais antiga fica por baixo da camada da foto mais recente. O que se nota é que na região em preto e branco (foto da época) o galcial era muito mais extenso do que a camada colorida da foto mais recente. Esse glacial não volta mais, está perdido, pois a temperatura da região não atinge as mínimas da década de 1930 para recompor o gelo.

É inevitável fazer a associação entre o dióxido de carbono e o aquecimento global que está derretendo os glaciais da Groelandia. O aumento do gás CO2 segue a impressionante reta como pode ser visto a seguir. Como negar que esse dióxido não é produzido pelo homem, ou ainda, como negar que o mesmo não é responsável pela camada densa que segura o calor na superfície da Terra?

O gráfico anterior corresponde ao CO2 baseado no tempo. Ou seja, como os dados estão aumentando ano após ano. Mas o mais impressionante é verificar as regiões mais atingidas por esse gás. No mapa a seguir, as regiões em vermelho denotam os recordes de 2014 na Terra.

E como pode ser notado, o hemisfério norte é quem está mais poluindo o mundo. Ao contrário do que afirmam sobre nossas queimadas na Amazônia ( o que também é intolerável) os países desenvolvidos são os maiores responsáveis pelas emissões do CO2. E dentre eles, China e EUA lideram.

O relatório do IPCC, grupo mundial de pesquisadores responsável pelo estudo sobre o aquecimento global, demonstra em todas as suas páginas as diversas alterações que vem ocorrendo no planeta nos últimos 150 anos.

Ao lado é possível observar o aumento da temperatura na superfície terrestre desde 1850. E para não deixar dúvidas, três institutos diferentes, com aparelhos diferentes, com verbas diferentes e de países diferentes estão fazendo medições desde o começo do século anterior.

E o resultado é a coincidência acurada dos dados nos três institutos sobre o aumento global da temperatura. Não há como negar, mesmo que se tente associar as medidas a "teoria da conspíração" por parte dos cientistas, que existe um aumento perigoso da temperatura.

Para rebater a tese de que as medidas são realizadas apenas nas regiões mais baixas da Terra (ou seja, no solo) a Nasa investiu em satélites que conseguem medir a temperatura global em diversas altitudes.

E em todas as altitudes o que se observa é que ano após ano as camadas estão se aquecendo. No segundo gráfico ao lado, retirado do relatório do IPCC de 2007, é possível observar que o aumento de temperatura por década é muito maior o hemisfério norte.

Quanto mais vermelho, maior o aumento da temperatura na região demarcada a cada 10 anos. E novamente a Asia, mais especificamente a China, está contaminando a atmosfera com os gases de efeito estufa.

O mapa mundi da esquerda no gráfico ao lado é da temperatura medida na superfície, enquanto o da direita mostra a temperatura na troposfera.

 

 

 

Temperatura média global na superfície da Terra

 

Noites mais frias e dias mais frios

 

 

 

Vapor de água na atmosfera

Estávamos acostumados com aquela brisa noturna, que em dias de calor de verão sempre aparecia para nos refrescar. Podemos perceber que tal brisa, que esse resfriamento a noite, está desaparecendo.

O gráfico ao lado, também do IPCC de 2007, mostra que as noites mais frias estão diminuindo e os dias mais frios também (linha amarela).

Ou seja, as temperaturas mais baixas de antigamente não estão acontecendo com a mesma frequência com que ocorriam.

O resultado disso tudo é o acúmulo de vapor de água na atmosfera. Como pode ser observado no gráfico ao lado, a linha de tendência (reta inclinada) mostra um acúmulo crescente anual de vapor d'água.

Segundo o modelo, o aumento de vapor na atmosfera é de cerca de 1,2% a mais por década. E não tem razão nenhuma para se negar, que as tempestades serão cada vez mais severas.

Uma atmosfera mais pesada, com nuvens mais carregadas e temperaturas mais altas, é uma receita ideal para formação de ciclones, furacões e tufões.

Com o menor poder de retenção da água no solo devido a alta temperatura, a evaporação aumenta, reduzindo os nossos reservatórios apenas a pequenos lagos.

E esse foi um dos motivos por que o reservatório Cantareira em São Paulo desapareceu no ano passado. A evaporação está aumentando em todos os grandes reservatórios do país. No nordeste, os pequenos açudes que ficavam cheios ao longo do ano após as chuvas do inverno, agora duram apenas 3 meses e depois desaparecem.

De nada adianta desviar rios, como o governo de São Paulo fez com o rio Paraíba. Apenas remanejou o problema de lugar. Agora, quem está sofrendo com as consequências desse desvio é o Rio de Janeiro, na região de São João da Barra, foz do rio, que está vendo o mar avançar diariamente sobre a cidade.

Soluções lineares e estúpidas como essa do governo paulista demonsta apenas a imaturidade dos políticos para olhar o planeta de maneira global, e não apenas como uma extensão de seus umbigos sujos e podres de corrupção.

Com essa mudança de clima, o próximo verão será terrível aqui no Brasil. Tempestades mais severas com ventos mais velozes vão nos atingir, não estando descartado o aparecimento de outro furacão como o Catarina de 2004, que destruiu boa parte do estado de Santa Catarina, pela primeira vez na história do mundo, no hemisfério sul do planeta.

 

 

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