Segunda-feira, 31 de Julho, 2017

 

Não se preocupe com a Coréia, é negócio!

Já se foi o tempo onde os bons jornalistas paravam para pensar. Se existe uma coisa de mal na internet é que, com as facilidades nos tentando, tornou-se mais fácil replicar notícias do que correr atrás de novidades. Ficou muito mais fácil repetir com outras palavras a mesma coisa sem pensar "se tudo seria diferente".

Antigamente quem fazia isso recebia o nobre título de colunista. Sim, pois esses não tinham pressa, poderiam pesquisar sobre os assuntos, colher novas e diferentes informações. Opiniões contraditórias são como as mutações do DNA, elas ajudam a evolução do pensamento humano. Ajudam também as descaracterizar as mesmices.

Hoje em dia poucos são os colunistas que valem ser lidos. A maioria ou é um mero bloguista apenas olhando o números de likes (curtidas) que suas notícias garantem, ou são colunistas que se vestem de bloguistas.

O leitor deve ter percebido que nos últimos meses, os lançamentos de mísseis da Coreia do Norte sob a batuta do maluco ditador Kim Jong-un aumentaram significativamente. Alguns anos atrás a Coreia do Norte fazia um lançamento aqui, outro lá no fim do ano e muitas vezes o fracasso era frequente.

Numa primeira leitura, todo mundo deve pensar que o moleque coreano é maluco mesmo. Enfrentar o "imperialismo americano" e destruir as influências do capitalismo ( como eles dizem ) nunca foi a intenção do moleque. De maluco ele não tem nada, tem sim muito é de sinismo e safadeza sobre seu próprio povo.

Kim Jong-un adora os EUA. É fanático pelo basquete dos EUA. É quase um fan de carteirinha de Donald Trump. Então, por que essa coincidência no aumento de lançamentos e discursos eufóricos contra os EUA? Vejam o que dizia a reportagem da Veja em Maio desse ano (ler matéria aqui):

Sim, é isso mesmo, Trump disse em Maio desse ano que "ficaria honrado" em conhecer Kim Jong-un! E quem apoiou abertamente Donald Trump nas eleições? Sim, foi ele, Kim Jong-un!

A reportagem do Globo mostra isso em Junho do ano passado (ver matéria aqui):

E para o leitor não achar que foi apenas uma retórica de Donald Trump, Kim Jong-un quer também se encontrar com o presidente dos EUA. Claro, Kim quando estudou nos EUA sempre desejou ser como Donald Trump e não como seu pai. Mas viu com a morte de seu pai a chance de ser ele próprio o Donald Trump da Asia. Só precisava de mídia, precisava de um catalisador para ter o encontro tão sonhado.

O que motivou essa "aproximação"?

O Japão.

Donald Trump e grande parte dos americanos não gostam do Japão, principalmente americanos atrasados de extrema direita como Donald Trump. Eles não engoliram até hoje serem decepados em pleno solo americano na segunda guerra mundial, no ataque de Pearl Harbor. Outros presidentes também não gostavam de serem parceiros do Japão, mas entre o Japão e os antigos soviéticos (URSS), ser aliado dos japoneses era melhor.

E como a Coréia do Norte também detesta o Japão, um grande laço de amizade platônica surgiu entre ambos. Trump é muito ligado à Russia e tem negócios com a China e diversos países da Ásia. China e Russia também não suportam o Japão, ainda com os mesmos resquícios da segunda guerra mundial.

Então os negócios precisavam andar. E quais negócios?

Armamentos de guerra.

A destruição da Síria ajudou em muito as empresas de guerra dos EUA. Mas nesse ano, apesar de lucros recordes, acionistas ficaram receosos de que o máximo de lucro já fora atingido e que agora era hora de vender ações dessas empresas.

Uma das maiores empresas ligadas aos armamentos de guerra é a General Dynamics. Ela vendeu até setembro do ano passado US$ 2,5 bilhões para o governo dos EUA.

O que ela vende?

Avião de guerra, caças ultra-modernos, bombardeiros. Também vende um dos melhores tanques de guerra do mundo.

Segundo essa reportagem do yahoo finance (ler matéria completa aqui), apesar dos extraordinários ganhos, os investidores estão preocupados.

Por que estão preocupados? Essa é a pergunta da reportagem.

Porque apesar dos lucros, as vendas dos caças caíram 9%. Os sistemas de informação e tecnologia declinaram 5%.

Sistemas eletrônicos marítmos tiveram lucro de 5%, mas a margem, segundo alguns analistas, despencou.

E tudo isso, observando as vendas e não os lucros, fizeram os investidores acharem que o melhor já passou.

E então, não mais que de repente, a Coréia do Norte começou a aumentar a frequência de lançamentos de seus mísseis balísticos.

E sobre qual mar o último missil da semana passada caiu? Será que foi sobre os "imperialistas americanos"?

Não, a trajetória do míssil não foi em direção ao Alaska, como Kim Jong-un sempre menciona.

O missil atravessou o Japão e caiu do outro lado da ilha. Ou seja, a Coréia do Norte pode sim jogar um missil no Japão e essa talvez seja a estratégia de Kim Jong-un.

Qual foi a resposta dos EUA?

Ações da General Dynamics

 

Caça-Bombadeiro da General Dynamics

Tanque da General Dynamics

 

Ações da Raytheon

Sistema de Defesa da Raytheon

 

 

Os EUA, junto com a Coreia do Sul, fizeram exercícios com caças sobrevoando a fronteira, com tanques atirando em montanhas e os equipamentos de defesa anti-míssil.

A General Dynamics agradece!

Os EUA enfiaram goela abaixo todo maquinário de guerra de suas empresas de armamentos sob o discurso de proteção. E os Sul Coreanos pagaram à vista.

Mas não é a única. Nesses últimos 6 meses quem mais lucrou foi a Raytheon. Em seis meses a empresa devolveu um lucro de 19% aos investidores das bolsas dos EUA.

A empresa vendeu o espetacular montante de US$ 22,4 bilhões de dolares no ano passado em mísseis, e no sistema de defesa que agora foi adquirido pela Coréia do Sul.

Ou seja, os mísseis da Coréia do Norte fizeram a Coréia do Sul investir em equipamentos que nunca precisou se preocupar.

E comprou tudo a toque de caixa de uma empresa dos EUA, que por sinal, ajudou muito a campanha de Trump com generosas contribuições.

Trump veio de qual meio?

Da academia? Da indústria?

Não, Donald Trump é formado pelo "senhor mercado", formado dentro das bases do dinheiro pelo dinheiro, onde por exemplo vender nicotina não faz mal se der lucro.

Então, qual a melhor forma de ajudar financeiramente quem lhe ajudou na campanha eleitoral?

Com uma batalha sem mortos.

Kim Jong-un atira na água de um lado, Coreia do Sul atira a esmo do outro, os japoneses compram sistemas de defesa das empresas americanas e Donald Trump compra todos os armamentos possíveis das mesmas empresas.

Não será nada estranho se essas mesmas empresas, em retribuição, comprarem ações das empresas de Trump, claro!

Então, a mída faz sua ajuda final, para convencer o contribuinte americano e agora também coreano e japonês, que a Coreia do Norte é perigosa.

Para início de conversa, porque nenhum jornal foi investigar de onde Kim Jong-un tirou tanto dinheiro para comprar esses mísseis balísticos?

Ou será que mesmo com embargo, o país que não cultiva nada além de arroz, tem dinheiro para comprar munição, aço, sistemas eletrônicos e fazer um míssil que nem a Índia ainda possui?

É óbvio e claro que alguém dentre esses três países (EUA, China e Rússia) está ajudando e fornecendo equipamentos para a Coréia do Norte. Não sabem como investigar, ou não querem investigar?

Quanto pagam aos jornais, em publicidade anual, essas empresas de guerra?

O leitor já parou para pensar quanto ganham os jornais e redes de televisão com as propagandas das empresas de armamentos?

Então, ao invés de nos preocuparmos com mísseis da Coréia do Norte, precisamos nos preocupar com outras atividades que não são abertamente comentadas, tentando desviar do objetivo final de alguns grupos econômicos. O maior risco de todos é realmente um desses mísseis atingir alguma parte do território japonês com vítimas fatais.

Se isso ocorrer, a brincadeira deixa de ser negócio. Passa a ser negócio falido, pois o Japão não vai negociar vítimas.

 

 

 

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