Sábado, 29 de Abril, 2017

 

Um tapa em 14 milhões de desempregados

 

O pior de todos os tempos. Sem comparação igual. Um caos para a vida de 14 milhões de desempregados num país chamado Brasil. Não somos nós que estamos afirmando isto, mas o IBGE. A taxa de desemprego galopou para 13,7% no país, com 14,2 milhões de desempregados sem rumo. E o pior de tudo é que o senhor Michel Temer finge não ser com ele esse assunto. Ele e sua cúpula continuam com a história de que essa pior crise de todos os tempos não é dele.

Mas é.

Ele e todos que estão no "descomando" do Brasil estavam nos governos passados, de uma forma ou de outra, nos últimos 10 anos. Sejam como líderes da maioria no congresso, como presidentes de estatais, como diretores disso ou daquilo, ou mesmo como ministros, a crise é de todos que estão plantados no Palácio.

Não existem palavras para os atos ridículos de gente que só pensa no mal, que só pensa em desfazer o que os outros governos fizeram, que só pensa em cortar. No Brasil nós estamos sempre vendo isto, mas tem que parar. Não é porque se assume um governo, que coisas que outros fizeram não sirvam para nada.

A grande maioria dos prefeitos, independente dos partidos, sejam quais forem, estão fazendo o mesmo. Chegam, assumem e destroem todas as políticas ou regras criadas pelos seus adversários. Não dar o braço a torcer para as coisas boas, só demonstra espírito pequeno, ou melhor, espírito de porco.

Projetos sociais foram completamente desmantelados, jogados no lixo, apenas porque tinha emblema do governo passado. Pior que o desemprego, são as pessoas não conseguirem mais remédios de pressão, de diabetes, de câncer, gratuito no programa Farmácia Popular dos postinhos de saúde. A economia do senhor Temer? R$ 100 milhões.

Ora, meu caro governo, não seja tão infinitesimal e medíocre. Só o assalto no Paraguai levou R$ 120 milhões com 70 pessoas. Como um país inteiro se nega a fornecer remédios de graça para economizar algo que 70 pessoas conseguem carregar num assalto? Só mesmo sendo do mal, sendo desprezível.

O governo que aí está é tão desprezível, que mesmo vendo as ruas vazias na paralização como a de hoje, mesmo vendo o desânimo das pessoas, mesmo vendo que 95% não confiam na pessoa do presidente, se apega a pequenas barricadas feitas por vândalos para dizer que a paralisação geral foi uma "farsa".

E pior que quem afirmou isso, precisa prestar contas sobre a operação "carne fraca".

Ainda assim, a mídia dá espaço para esse tipo de gente. Claro, as grandes redes de televisão receberam R$ 60 milhões de reais em propagandas oficiais. Se renderam ao governo para escolher qual o tipo de notícias deve colocar, e colocar com todo cuidado, para não ferir a imagem do "cliente" governo.

O universo de desempregados de 14 milhões de pessoas é maior, mas muito maior que diversos países no mundo. Nem mesmo o governo da Grécia foi tão perverso na crise em 2010 quanto o que estamos vendo agora. Ao tentar na Grécia, tirar direitos adquiridos, com a revolta da população o governo voltou atrás e o primeiro ministro pediu demissão. E apesar do todas as ameaças, a União Européia teve que engolir a Grécia sem a reforma da previdência que desejavam.

Caro leitor, olhe o gráfico à seguir.

O que se vê é uma comparação entre a taxa de desemprego e taxa de juros. Percebe-se claramente a falta de timing do Banco Central tanto no aumento da taxa Selic quanto em sua redução. Erraram a hora de controlar a inflação e agora erram infantilmente a hora de baixar os juros para controlar o desemprego.

Qualquer um pode observar que, enquanto o desemprego aumentava, os juros aumentavam junto. Isso porque desejava-se trazer a inflação para meta de maneira rápida. O efeito colateral de trazer inflação para a meta de maneira rápida é o desemprego descontrolado. O governo perdeu o controle sobre o desemprego.

O efeito disso?

A arrecadação vai desabar, os impostos não darão conta do suporte necessário que o governo precisa. Então, para aqueles que concordam com essas duas reformas malucas e ineficientes, se estão com esperança de que os impostos não aumetarão, esqueçam. O governo mente novamente.

No segundo semestre, mesmo com a PEC da maldade, mesmo com a reforma que acaba com a CLT e mesmo com a reforma que acaba com aposentadoria, teremos aumento de impostos.

E o desemprego, vai disparar. Um caos social está prestes a acontecer. Existe um limite para a paciência e desânimo. O próximo passo depois do desânimo é a tomada de decisão do ser humano em fazer coisas desesperadoras e irracionais. Muitos antigos já falam do mesmo cenário pré-golpe de 1964.

E se os adeptos do militarismo acham que: "ufa até que enfim".... se enganam. Quem foi que elevou nossa dívida a casa dos bilhões em 1970? O senhor Delfim Neto, ministro da fazenda dos... militares. Sem contar com as torturas, perseguições de professores, sumiços de pessoas contra ao regime e também.... roubo de nossa previdência privada.

Sim, ou será que as pessoas se esqueceram como foi feita a ponte Rio-Niterói? Com dinheiro do FGTS e da Previdência, que sobrava naquela época pois existiam mais jovens do que aposentados. O dinheiro da ponte Rio-Niterói deveria voltar de onde saiu, pois pertence aos aposentados e ao fundo. Na época se dizia que era apenas um empréstimo.

Então, está na hora de devolver.

Previsão do desemprego para dezembro/2017

Em 2016 escrevemos "O desemprego vai ceder" onde ajustamos um modelo de série temporal. Esse modelo foi explicado diversas vezes em nossos textos, como uma metodologia simples, mas quase sempre boa para prever dados que contenham sazonalidades. (ver também "Acertamos em cheio no PIB").

O resultado do modelo? Um desastre. Tudo errado. O governo mudou toda a regra lógica de combate ao desemprego, errando timing, errando a força e errando a forma de combater o desemprego.

Agora reajustamos o modelo para essas novas atitudes do governo. Acima se vê o modelo e nossa previsão para o fim desse ano de 2017. Linha vermelha é previsão e linha azul dados reais e históricos.

Medimos os dados desde 2013, mês a mês e ajustamos o modelo com técnicas de identificação. O nome desse modelo é autoregressivo ou AR.

Medimos também a variabilidade da taxa de desemprego, e criamos com isso uma banda com 95% de confiança para a previsão dos próximos meses.

E se o modelo estiver certo dessa vez, a vida da população brasileira será terrível no segundo semestre. A previsão para o melhor caso é que o desemprego estará em 14,54%. O pior caso esperado é de uma taxa de desemprego de 16,1%.

O centro da meta de previsão é de uma taxa ao redor de 15,32% em dezembro desse ano.

 

 

 

Nos últimos 4 anos anos avaliados, medimos a frequência da taxa de desemprego em faixas. A faixa mais frequente era de um desemprego entre 4,3% e 8,3%.

No atual momento da perversa e rudimentar política econômica estamos no patamar mais nefasto entre 12,3% e 16,3%.

Caro leitor, não acredite nas análises otimistas em excesso, ou nas reportagens que colocam um ou outro estabelecimento pontual para dizer que agora estamos melhorando.

Estamos piorando, mas o pior de tudo isso é se esconder o crime econômico que estão fazendo.

Para captar esse crime econômico, colocamos ao lado todos os pontos relativos entre a taxa de desemprego e a taxa de juros do Banco Central, a Selic.

Os dados se referem a Março/2002 até Março/2017 e estão colocados com pontos azuis ao lado, num gráfico conhecido como dispersão.

O "mantra" econômico é que, o desemprego aumenta quando a taxa de juros aumenta, e o desemprego cai quando a taxa de juros abaixa.

Pois bem, a atual política econômica conseguiu quebrar esse mantra econômico. Colocamos ao lado as setas vermelhas apontando a atual conjuntura.

O que se vê são pontos onde a taxa de juros cai, mas o desemprego aumenta!

Bingo! Tem algo errado nisso. E não são os dados.

É só uma questão de observar os outros pontos e ver que a regra desde 2002 sempre foi obedecida. Quando a taxa de juros diminuia, o desemprego com um pequeno atraso, começava a cair também.

Agora não mais.

Ora, ora, para isso ocorrer, significa que a sintonia das variáveis está errada. A lógica de combate olhando apenas para a inflação é primária. De nada vai adiantar a reforma da previdência agora. Ela não afetará em nada numa possível queda do desemprego, ou mesmo o dinheiro para investimentos como o governo afirma. Esse dinheiro só se fará sentir daqui 3 ou mais anos.

O que está errado com a lógica?

Faltam investimentos! O governo agora sente o tiro no pé que ele mesmo deu ao aprovar a PEC da maldade com a limitação de gastos. Esse desemprego só aumentará, como mostra o resultado do modelo AR mostrado anteriormente.

E de onde vai tirar dinheiro para dar crédito às fábricas para crescer e contratar? De onde vai tirar dinheiro para dar crédito aos desempregados para criar seu próprio negócio?

Na cabeça dos governantes é cortando tudo. E cortam errado. Por que não cortam o número de servidores dos deputados, que ganham salários absurdos? Por que não cortam as regalias dos deputados? Por que não cortam os salários abusivos dos juízes? Como pode juiz de primeira instância ganhar mais de R$ 100 mil com penduricalhos? Como pode membro do ministério público ter salário quase perto de R$ 60 mil, sem nem mesmo ter um doutoramento que justifique?

Isso tudo pode. Não podemos esquecer que Michel Temer sempre esteve em todos os governos, e vai trabalhar muito para que todos esses privilégios se mantenham, pois ele sempre comandou esses privilégios. Na verdade o atual presidente da República sempre ajudou a criar esses penduricalhos aqui ou acolá. Ele mesmo se gaba de ser um "arituclador", como se essa fosse uma profissão importante no país.

Os cortes estão por todas as partes.

Na Ciência, o corte foi monstruoso a ponto de bolsas de estudo, após os candidatos antigos terminarem, não serem renovadas em suas insituições. Postos de saúde estão sendo fechados. O nosso Correios, uma instituição centenária que enchia de orgulho, agora virou "lixo". Ao demitir 25 mil carteiros o governo prepara o absurdo de criar um demônio na imagem dos Correios para privatizar. Absurdo!

Ou seja, o que estamos vendo é um tapa na cara, um atrás do outro, e com frequência cada vez mais rápida. Não estão ligando para os 14 milhões de desempregados. Ao final do ano poderemos ter 16 mihões de desempregados. Será que vão olhar para eles?

Não, serão como sempre, 14 milhões ou 16 milhões de invisíveis aos olhos desses sujeitos que estão no poder.

 

 

 

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