Sábado, 28 de Julho, 2018

 

Desmatamentos fora de controle

 

É muito simples de se observar as consequências de um desmatamento desenfreado. Basta olhar o pôr do Sol nesses dias de inverno para ver o céu avermelhado, bonito claro, mas triste ao se pensar que tudo é apenas reflexo dos desmatamentos que ainda continuam forte no Brasil. Quem quiser acreditar no governo, que acredite, mas sob a visão dos dados o governo não tem vergonha nem mesmo de esconder sua incompetência para diminuir de forma séria o desmatamento em florestas de seu próprio controle.

Pôr do Sol sob queimadas

Os dados podem ser baixados diretamente do site dados.gov.br em planilha do Excel. Logo em uma das primeiras linhas temos os dados para a floresta de proteção ambiental conhecida como Seringal Nova Esperança. Em 2001 o desmatamento foi de 4,4 hectares, pulando em 2016 para 78,4 hectares. Ou seja, ao longo desses anos, mesmo o Brasil sendo signatário de diversos acordos para diminuição de desmatamento e controle de gases de efeito estufa, somente nessa floresta de proteção do governo federal o aumento foi de 17 vezes.

Região do Seringal de Nova Esperança

Localizada entre os rios Xingu e Tapajós, outra floresta que continua com desmatamento alto é a Floresta Nacional de Altamira. Enquanto em 2001 o desmatamento era de 24 hectares, subiu ao longo dos anos para mais de 2 mil hectares, sendo registrado em 2016 a destruição de 685 hectares. Essa bela e importante floresta, imporante para o bioma e pesquisa de medicamentos, vem sendo constantemente ameaçada, num sobe e desce de cortes e incêndios de árvores sem um controle mais rígido por parte do governo.

Região da Floresta Nacional de Altamira

Outra floresta que sofre muito é a Floresta Nacional do Jamanxim. Como pode ser visto ao lado, em 2001 a área desmatada era de 3.674 km e no ano de 2016 foi desmatada uma área de 7.305 km.

É fato que já foi pior, chegando aos absurdos 30 mil hectares em 2004, mas mesmo "sob controle" o desmatamento nos dias atuais é duas vezes maior do que há 15 anos atrás.

E o que acontece quando uma área de proteção ambiental é desmatada?

Ao lado podemos ver exatamente uma fotografia do Greenpeace logo após um incêncio na floresta. Gados invadem a área, onde começam a destruir o que o fogo deixou.

O próximo passo é a transformação em pasto dentro da própria área que era para ser protegida. E o governo ... não faz nada.

As verbas foram cortadas para contratação de mais agentes, mais fiscalizações e as punições também não viram nada.

As multas se arrastam nessa "rápida" justiça nacional, levando anos e mais anos para terminar um processo, onde via de regra quem desmatou não paga absolutamente nada.

Não é interesse do Estado Brasileiro processar fazendeiros, afinal de contas, diversos ministros pertencem a esses grupos.

Outra importante área é a da Serra do Cachimbo. Essa área que veio sendo controlada e diminuindo quase a zero as queimadas e desmatamentos, voltou a sair do controle.

Enquanto em 2001 a área desmatada era de 1.967 hectares chegando a mais de 5 mil hectares em 2002, o desmatamento foi controlado em 2013 com apenas 31 hectares.

Mas a partir de 2015 com os cortes no orçamento, o desmatamento voltou forte e foi regitrado novamente algo em torno de mil hectares de desmatamentos em 2016.

E no lugar das árvores, dentro de um local que era para ser de proteção ambiental, o que se vê?

Pastos e gado, como pode ser observada na foto aérea ao lado. Novamente colocam fogo na floresta para cobrir de pasto e soltar gado de corte.

O descaramento é tanto, que mesmo dentro de regiões "fiscalizadas" pela comunidade internacional e famosas pelas lutas na proteção do meio ambiente, nada se faz para controle do desmatamento.

Por exemplo, os dados dentro da área de reserva que leva o nome de Chico Mendes, a área desmatada há muito tempo está sem controle.

O Estado Brasileiro se finge de cego e apenas aparece com alguns dados maqueados próximo de seminários da ONU ou em encontros de meio ambiente.

É simples observar na planilha do governo que na reserva Chico Mendes, em 2001 o desmatamento era de 2.673 hectares, mas saltou 15 anos depois para 2.947 hectares.

O aumento em 15 anos foi de 10%, mesmo após anos de luta contra o desmatamento, mesmo com tantas ONGs pressionando o governo, mesmo com inúmeros órgãos internacionais pressionando o Estado Brasileiro.

Nada consegue deter a vontade incomum de destruir árvores centenárias para se colocar no lugar gado de corte.

 

Floresta Nacional do Jamanxim

 

 

 

 

Gado invade área da floresta de Jamanxim - Área de proteção ambiental

 

 

Desmatamento na Serra do Cachimbo

 

 

Área desmatada na Serra do Cachimbo

Desmatamento na reserva de Chico Mendes

 

Pecuária dentro da reserva Chico Mendes

 

O que é necessário para cessar esses desmatamentos?

Dinheiro, verba e vergonha na cara. Passamos por alguns anos interessantes onde tivemos concursos públicos e leis um pouco mais severas contra os extrativistas ilegais e mesmo contra pecuaristas que colocam fogo na floresta de forma intencional.

No entanto, desde 2010 a fiscalização diminuiu, com a extinção de concursos públicos, salários baixos para os agentes, desmotivação por falta de equipamentos adequados e leis que não são cumpridas.

Depois de apertar um pouco mais, pecuaristas fizeram loby forte junto a deputados também ligados à pecuária e travaram votações de pautas ecológicas. Claro, para essa turma, pauta ecológica ou é coisa de vagabundo ou de comunista.

Nem mesmo a grande mídia toca no assunto, protegendo quem realmente destrói as florestas do Brasil.

O que vai acontecer daqui para frente?

Já existe uma demanda e diversos movimentos para tornar a Amazônia "zona internacional". Poderemos dentro de algumas décadas perder o controle da região. O pior de tudo é que todos os responsáveis já estarão mortos e seus filhos estarão ricos.

Quem será punido serão nossos filhos ou netos, geração que vai levar uma culpa que não é deles, mas dos atuais políticos do Brasil. A canalhice é tanta que os governantes do Brasil preparam grandes discuros e convencem a comunidade internacional que estão preocupados com os desmatamentos.

Os investimentos são descontinuados de um governo para o outro. O dinheiro muda de área e, o que no passado era verba para controle de desmatamento, vira verba para o tal "agronegócio".

Sob a falácia de que o agronegócio é que sustenta o Brasil, ninguém se opõe aos crimes ambientais que são praticados pelos grandes pecuaristas.

O gado de corte no Brasil é ainda tratado da mesma maneira como décadas atrás. Com raras exceções onde o gado é confinado, com chip para controle de peso, com sensores para monitoramento e engorda controlada por sistema de computador, a grande maioria dos pecuaristas solta o gado em amplas áreas, pagam mal a pobres coitados peões para cuidar, mover e alimentar o gado.

Esses mesmos funcionários recebem após anos de sacrifícios em fazendas isoladas, uma aposentadoria pífia, ridícula e maldosa como forma de compensação para participar desses crimes de levar e cuidar de gados em áreas devastadas pelos incêndios criminosos.

Nossa sorte é que não somente nosso governo é podre e ridicularmente despreparado. Em todos os outros países os governantes atuais são todos toscos e ninguém está ainda preocupado com a Amazônia. Mas isso é apenas uma questão de tempo. Basta a onda de governantes mais jovens e inteligentes voltar ao poder na Alemanha, França, Inglaterra e EUA, para imediatamente a corrente para tomada da Amazônia voltar a ganhar força.

Na realidade a Amazônia não é mais nossa.

Diversos produtos já foram patenteados por empresas americanas, européias e japonesas. Eles entram facilmente dentro da região, comercializam plantas e sementes com criminosos que se dizem "brasileiros", mas vendem e indicam onde estão os produtos da terra. Afinal de conta, para que controlar acesso ou saída de produtos da Amazônia? As empresas estrangeiras são melhores do que as nossas e esse "negócio de proteger seu próprio patrimônio é coisa de comunista" - é o que dizem todos atualmente.

O mais engraçado é que Donald Trump está fazendo exatamente o mesmo, a Europa fazendo exatamente o mesmo, mas no Brasil, apoiar o capital local e se proteger contra invasão comercial internacional virou novamente o jargão ultrapassado de "comunista".

Com essas sementes roubadas da Amazônnia, laboratórios de farmácia internacionais já estão produzindo medicamentos que nós importamos, que pagamos, que consumimos, sendo que na realidade era para ser nosso. Afinal das contas saiu de nossas terras, terra essa que deveria ser protegida pelo Estado Brasileiro.

E por que esses produtos não são nossos?

Porque não investimos em Educação e Ciência. Ou alguém acha que o atual ministro da Ciência, o senhor Kassab, entende de algo sobre Ciência? O que realmente esse cidadão fez para merecer uma das pastas mais importantes? Ele é um político ligado às empresas de telecomunicações e está em sua posição apenas para marcar interesse desses grupos.

Nada, absolutamente nada ele fez ou fará para o bem da Ciência no Brasil. Pelo contrário, ele e seu colega Temer cortaram bolsas de estudo, cortaram investimentos em Ciência, estão vendendo Alcântara para os lançamentos dos foguetes dos EUA, não brigam para manter patentes de produtos da Amazônia no Brasil, não aumentam salários dos pesquisadores, não proveêm verbas para novos e amplos concursos para o desenvolvimento da Ciência.

Assim, se o desmatamento não é preocupação, quando acordarmos para a entrega da Amazônia como território neutro internacional, será tarde. O fogo de hoje é a destruição completa da soberania de amanhã.