Terça-feira, 20 de Dezembro, 2016

 

A dilatação das boas lembranças

Minha mãe trabalhava muito, mesmo na véspera do Natal. Na minha infância não tínhamos "noite de natal", pois a patroa de minha mãe a liberava às 22 horas. Mesmo assim, entre uma venda e outra na loja da patroa, ela ainda encontrava tempo para correr até a loja de brinquedos e buscar algo para mim e minhas irmãs.

Apesar de minhas irmãs naqueles tempos ainda acreditarem na magia do bom velhinho Noel, eu já sabia do sacrifício que nossa mãe fazia para ainda assim só colocar nossos brinquedos bem cedo, nos pés da cama e dizer que o trenó tinha passado. Mesmo sabendo da fantasia, ainda assim para mim era sempre uma surpresa alegre.

Morávamos nos fundos da loja onde minha mãe trabalhava, e sempre os netos da patroa vinham mostrar seus presentes e brincar comigo. Enquanto os meus brinquedos eram jogos de futebol de botões, damas, cavalinhos de forte Apache, os outros meninos vinham com Autorama, bicicletas e outros presentes mais caros.

Mas isso, ao contrário do que se pode pensar nos dias de hoje, não gerava nenhuma inveja, nem conflitos. Eles brincavam com meus presentes e eu com os deles. Ainda que possa parecer exploração da patroa, na época não soava assim, pois era o padrão normal da vida. Todos os patrões seguravam seus funcionários do comércio até altas horas na véspera de Natal.

As lembranças daquele duro e radical período militar, que muitos insistem teimosamente nos dias de hoje conclamar para que volte, foram boas na minha imaginação. Para que você tenha uma boa vida, deve-se sempre guardar as boas lembranças e tentar apagar as ruins. É claro que muitas vezes as duas se misturam e são inseparáveis.

Meio século depois, sentado num bar, um amigo fez uma observação interessante: "... eu sinto que o tempo está andando mais rápido, e cada dia que se passa, que me sinto mais velho, parece que as coisas estão acontecendo muito veloz...".

Seria o tempo, ou melhor, a percepção do tempo, uma variável que se altera com a idade?

Uma partícula física muito peculiar é a partícula conhecida como Táquion. Ela nunca foi observada ou comprovada de fato, mas existem experimentos sendo feitos para essa comprovação no acelerador de partículas europeu. É uma partícula imaginária para os físicos, teórica, visto que caso exista, sua velocidade é maior do que a velocidade da luz. E quando essa hipótese é feita, coisas bizarras começam a aparecer.

A primeira consequência, é que se realmente encontrarem um Táquion, a teoria da relatividade de Einsten começa a sofrer abalos. Isso porque Einstein impôs que nada é mais rápido do que a luz. Mas se os Táquions forem encontrados, esse limite deixará de existir.

Vamos observar a equação a seguir:

Essa é a equação da dilatação do tempo. A letra t significa o tempo para quem está em movimento, a letra v é sua velocidade e a letra c a velocidade da luz, algo em torno de 300 mil km/s. Essa forma "dilata" o tempo de quem está movimento.

Quanto mais próxima a velocidade v se aproxima da velocidade da luz c, o seu tempo passará mais devagar em relação a quem está estacionado (se chama referencial inercial). Isso porque quanto menor o termo embaixo da divisão, maior o valor da expressão.

Um exemplo claro disso é que:

1/0,1=10

1/0,01=100

1/0,001=1000

1/0,0001=10.000

Então, se você pensa em viajar com velocidade da luz, 1 segundo de seu tempo, será anos e anos para quem está na Terra. Mas o que acontece com os Táquions? Se realmente eles são mais rápidos do que a luz, vamos supor v = 2c (duas vezes a velocidade da luz), ao substituir na fórmula anterior,

ou seja,

onde se tem,

Mas aí o leitor pode parar e pensar, acabou!

Não existe raiz quadrada de número de negativo. Era isso que se ensinava no colégio, mas existe sim, e isso já tem mais de 200 anos! Essa fenomenal descoberta nos leva no mundo dos números conhecidos como imaginários (letra i), ou também chamado de números complexos. E então, o negativo da fórmula anterior pode ser retirado da raiz, e transformado no número imaginário.

Se o nosso desconhecido Táquion existir, o seu tempo decresce, mas não em nosso mundo real. Seria impossível de observar essa partícula, pois é como se ele ficasse cada vez mais jovem até desaparecer. Ou ainda, é como se o tempo dele voltasse ao passado!

Então, para um Táquion, é possível no mundo imaginário, regressar ao passado. Se construirmos uma máquina mais veloz do que a luz, poderíamos voltar ao passado, não somente lembrar, mas reviver nossas fases da vida e consertar nossos erros mesquinhos.

Brincando ainda com essa equação, vamos supor que essa dilatação seja apenas uma variação de nosso tempo de vida. Todos nós temos uma programação para nosso tempo de vida.

Alguns estão programados para viver até T=65 anos, outros para T=93 anos, alguns T=2 anos e assim por diante. Mas claro, mesmo sendo programado para viver até T= 95 anos, uma pessoa pode sofrer um acidente e morrer antes.

A variação de nosso tempo de vida, pode ser representado pela fórmula de Newton conehcida como derivada, ou, dt/dT.

Não vamos entediar o leitor com passagens matemáticas, mas a solução dessa mudança passa por uma representação bastante conhecida no colégio: senos e cossenos!

Sim, se isso for verdade, a variação do tempo de um Táquion seria periódica, ele consegueria voltar a eventos passados e revivê-los, dependendo do tempo final T de sua vida.

Variação do tempo para um Táquion

 

 

 

 

 

Solução do tempo de um Táquion

 

 

 

 

 

 

Isso cabe um pensamento filosófico. Seriam nossas lembranças, aquelas muito vívidas, aquelas que nos marcaram, como uma partícula Táquion em nosso cérebro?

Nossas lembranças são instântaneas, elas retornam ao sabor de um prato de comida tradicional, ao som de uma música que nos marcou, ao cheiro de um perfume bastante representativo, às imagens que estão salvas em algum vídeo caseiro antigo, enfim, elas são muito mais rápida do que a luz.

É obvio que o resultado ao lado não tem nada de científico, apenas uma forma algébrica de brincadeira, apenas uma manipulação sem sentido a partir de uma resultado cientificamente conhecido.

Esse resultado para esse Táquion fictício é uma falácia, não existe.

Ou será que existe de outra forma?

Por exemplo, voltando ao amigo que disse observar o tempo passando mais rápido com a idade. O gráfico ao lado é do cosseno, uma parte da solução desse Táquion fictício.

A letra T marca o fim de nossas vidas, exatamente quando a curva azul cruza o valor zero em nosso tempo final de vida T.

No período jovem, nossa dilatação do tempo é positiva. Isso significa que parece termos todo o tempo do universo, todo o tempo disponível para fazermos as coisas.

Quem não sentiu aquele desejo enorme de chegar seu aniversário, mas esse dia da sua festa nunca chegava. Ou ainda a visita de parentes no Natal, e o Natal insistia em ficar longe.

Ou ainda, completar logo 18 anos para ver filmes proibidos (isso antigamente, hoje tem internet). Ou completar 18 anos para ter sua habilitação para dirigir, estudar fora, chegar tarde em casa, beber bebidas mais fortes, etc.

Enfim, essa data nunca chegava.

Essa é a primeira parte, a parte positiva do cosseno, marcada pela palavra "JOVEM" no gráfico. Mas então, em algum momento da vida, o tempo não dilata mais. O tempo "t" se torna negativo!

Esse tempo "t" negativo, significa que a cada dia, nossa dilatação diminui. Nosso organismo percebe que estamos mais próximos do valor final T, que muda de pessoa para pessoa. Esse tempo T marca o valor final de nossa dilatação, não teremos mais tempo, não teremos mais lembranças, nossa vida se acabará.

Então, se essa percepção de que os dias estão passando mais rápidos for real, significa que nosso tempo não está mais dilatando, mas encolhendo (por isso t negativo). E as lembranças serão mais vívidas, mais fortes. E para quem tem um T final de vida muito grande, perceberá que erros e sucessos são sempre repetitivos.

Por que será que quando idosos dizem "isso não dará certo, pois no passado já deu errado" realmente é verdade.

Se aproveitarmos o resultado de nosso Táquion, colocando o cosseno real no eixo das abscissas e o seno imaginário no eixo das ordenadas, teremos.... uma circunferência! (faça isso no Excel!).

Isso demonstra que quanto maior seu tempo de vida T, mais retornos a semelhantes situações você terá. As lembranças andam em circulo, elas vão e vem. Nossas lembranças boas nos deixam saudades, as lembranças ruins nos deixam em alerta. Quanto mais se vive, mais perto estaremos de completar esse círculo da vida.

E esse círculo deveria nos servir para aprender com erros do passado e não repetí-los mais. Por exemplo, não fazer a bondade apenas no Natal, mas ao longo de toda vida. Não deixar genocídios como os de Allepo-Síria acontecer, com idosas e crianças passando fome, sem ter o que comer, com bombas caindo sobre suas cabeças. Os russos fecharam as portas da cidade e não deixam 40 mil mulheres e crianças saírem da cidade.

Não dar valores a ditaduras, sejam elas militares ou civis, depois de tanto sofrimento no passado, depois de tanta reclusão, depois de tanta perseguição a liberdade. Quem prega isso, não tem memória, ou é um cafajeste enrustido.

Não incentivar a discórdia, respeitar os valores sobre todos os credos, sobre todas as linhas de pensamento, sem instigar para a violência ou perseguição o próximo só porque não é de sua linha ideológica.

Caro leitor, o resultado da equação do nosso Táquion é uma falácia, mas temos muitos humanos que também são falácias em sua existência, criados apenas para fazer o mal. Insistem em não aprender com a beleza da vida, que sempre nos diz que fica em nosso registro são as lembranças. Não somos e nunca seremos como um Táquion. Jamais poderemos voltar ao passado para desfazer nossos erros de hoje.

Quem não cria boas lembranças, tem seu tempo final de vida reduzido. É só ver o que aconteceu com Hitler, Stalin, Mussolini, Kadafi, Sadam, Bin Laden, todos sumiram ainda "jovens" para o nosso atual tempo, com seu tempo T antecipado em muitos anos.

Devemos todos lembrar que: " quando morremos, o dinheiro que deixamos mudará de mão, mas as boas lembranças que criamos e as amizades que fizemos, ficarão para sempre", seja você um Táquion, ou não!

Feliz Natal.

 

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