O perigo na terra do "dolar poente"
O ouro negro conhecido como petróleo está sempre ente as notícias sejam elas boas ou más. Encontrar petróleo em grande escala transforma qualquer país em potência (EUA, Rússia, etc) ou em grande promessa de virar potência. Infelizmente o dinheiro produzido pelo ouro negro não transformou nenhum país árabe em potência, e por azar do destino pode levar a economia mundial à outra crise.
Segundo conta a história, Nabucodonosor usou petróleo na construção dos jardins suspensos da babilônia na forma de betume, segundo estudiosos da bíblia a Arca de Noé pode ter sido impermeabilizada com petróleo, na construção das pirâmides usaram-se petróleo e gregos, romanos e bárbaros usaram para fins bélicos. O primeiro campo de petróleo americano foi encontrado em 27 de Agosto de 1859 pelo coronel Edwin L. Drake e proporcionou a arrancada dos EUA para tornar a promessa de superpotência realizada.
A soberba e a ganância fazem sonhos virarem pesadelos, como está se vendo em Dubai. Dólares viajaram pela internet na transferência de recursos mundiais de bancos ocidentais a bancos orientais para a grande promessa de paraíso mundial. Dubai virou vedete de progresso e projetou o maior conjunto de ilhas artificiais do mundo. Pretende construir a maior torre do mundo com mais de 1 km de altura. Só esqueceu um detalhe que não aflige os países rodeados dos irmãos árabes do petróleo: as contas devem ser pagas do mesmo jeito.
Nessa semana a gigante construtora que está no centro da atual crise de Dubai, Nakheel PJCS vai ter um duro teste. Com seu slogan “onde a visão inspira a humanidade” em seu site http://www.nakheel.com/en , terá que provar que a frase não é um mero aglomerado de palavras. O não pagamento dos títulos islâmicos de US$ 3,52 bilhões levará a falência outras duas seguradoras que afetará US$5,2 bilhões segundo a Bloomberg hoje (13/12/2009). “ As chances do pagamento total dos títulos são baixas” diz um executivo da Nakheel. Se a Nakheel falir será o maior tombo desde Lehman Brothers no início da crise. Segundo o próprio governo de Dubai anunciou em Novembro, não há garantias de 100% das dívidas.
Enquanto Dubai cresceu e virou a menina dos olhos do mundo, a empresa Nakheel conseguiu ter déficit nos últimos seis anos, mesmo com a ajuda do Sheik que emprestou US$10 bilhões e do governo de Dubai que emprestou mais US$70 bilhões.
Para os adeptos da análise de “céu de brigadeiro” na economia (de novo, eles sempre voltam) é bom apertar os cintos, pois uma tempestade está aparecendo no radar da aeronave. A teoria de que esta crise estará restrita a Dubai chega a ser uma soberba tão grande quanto a própria ineficiente Nakheel. Se com todo esse dinheiro e “experts” ela está falida, é uma prova viva de que o “ouro negro” não salva ninguém da crise, nem mesmo o Brasil distante.




Domingo, 13 de Dezembro, 2009