Sábado, 26 de Novembro, 2011

 

Efeito colateral na economia

"Contagem de CD4 boa. Paciente relata boa estabilidade emocional e bom relacionamento familiar. Carga viral aumentou de maneira considerável. (talvez vacinas???) " Prontuário Médico do CRT/AIDS Vila Mariana São Paulo (2002).

O comentário acima foi feito por um médico em seu prontuário que gentilmente nos foi fornecido para estudo e modelagem matemática da Aids em 2002. É um retrato claro da angústia que médicos e pacientes vivem em acompanhar o combate ao HIV. Às vezes, de forma inesperada a quantidade de vírus da corrente sanguínea aumenta de forma considerável, mesmo o tratamento sendo levado a sério. A Aids é a doença mais estudada e avaliada de forma científica de todos os tempos. E mesmo assim, o vírus HIV continua a desafiar todas as formas de controle impostas pela química. Mas o pior de todo tratamento são os efeitos colaterais a que os pacientes são submetidos, principalmente a angústia vivida a cada novo exame de sangue.

Não se pode negar, ao observar os prontuários, os enormes benefícios que os medicamentos trouxeram para os pacientes. Encontramos em 20 anos de análises, casos de pacientes praticamente dado como morto, internado na UTI e que se recuperaram, saíram do hospital e continuam vivendo até os dias de hoje. O preço a se pagar por essa liberdade são duas mãos cheias de medicamentos todos os dias, durante o resto de suas vidas. Todos temos um pagamento a ser feito.

Quando o HIV invade o organismo, ele procura seu local seguro, ou seja, nossas células linfócitos CD4 que nos defende contra os invasores externos. O HIV entra como "um bom garoto" exatamente no centro de nossas defesas. Antes de ser eliminado pelo organismo o HIV introduz uma carga viral dentro das células de defesa, se fazendo passar como alguém que veio para lhe fazer bem, para lhe recomendar investimentos, que diz que vai lhe proteger dos maus que a economia pode lhe causar. "Invista em mim", ele diz às células, "não acredite em crises, pois nós dois juntos venceremos a crise e mostraremos aos pessimistas que eles estão errados".

Nossas células CD4 inocentes, acreditam e introduzem o material genético dentro do núcleo. Pernosticamente esse material aos poucos vai mudando o jeito da célula trabalhar e ao invés de criar outras células de defesa, essa célula começa a criar novos vírus, novos maus "investidores" que vão contaminar outras e outras células. Mas o HIV não nos mata de imediato, ele é um grande investidor de longo prazo, não um sardinha colado na tela das bolsas de valores.

Caro leitor, você acha que donos de grandes fundos de investimentos desejam matar e levar a falência seus clientes? Claro que não, eles precisam dos inocentes para alimentar todos os meses o dinheiro que ganharam em seus fundos. Esses grandes gestores se acham tão expertos e não sabem que são inferiores ao menor organismo do mundo, um vírus. Essa estratégia tem milhões de anos, desde os primórdios da vida na Terra. (ao lado uma foto das células mortas após implodirem e morrerem de tanto fabricar HIV).

O HIV é muito mais experto que os donos e gestores de grandes fundos. Eles aplicam sua estratégia a longo tempo, esperando 20 anos até o ser humano ter repassado seus "filhos virais" a milhares e milhares de outros seres humanos. Depois, quando percebem que o corpo em que estão não vale mais, pois está debilitado, eles saem do casulo do CD4 e destroem as células numa investida gigantesca que nenhum medicamento pode conter.

 

CD4 morrendo e liberando carga viral no sangue

 

 

 

Atuação do HIV no corpo humano

 

O gráfico ao lado mostra duas curvas. A curva com a palavra CD4 mostra como nossas células de defesa sofrem após a introdução do HIV no sangue. No início é apenas uma forte gripe. Para testar o poder de reação do humano invadido, o HIV não usa toda sua carga de uma só vez. Ele não tem intenção de matar o humano que vai reproduzir sua "prole". Ele quer que o humano sobreviva bastante e se possível, sexualmente seja bastante ativo para passar a carga viral para frente.

O segundo gráfico, mais "nervoso", mostra os pequenos ataques do HIV ao longo da vida de um paciente soro-positivo. De tempos em tempos, o vírus "testa" nossa defesa para ver se ela ainda está boa. Aos poucos, com essas investidas separadas por meses ou anos, ele vai minando o sistema central de defesa. E quando o HIV faz sua "estatística" de chances de vitória, parte para o ataque final destruindo todo nosso sistema de linfócitos. Pode-se ver que a trajetória mais "nervosa" indicando a quantidade de vírus, aumenta exponencialmente no final de 10 anos.

Foi então que surgiram os bloqueadores do HIV na corrente sanguínea. Os medicamentos começaram com o AZT, bloqueando e tentando segurar o RNA-viral de entrar no núcleo da célula. Seria como se o Banco Central proibisse grandes fundos de participarem do mercado financeiro. Eles iriam se perder num primeiro instante, mas iriam se unir para descobrir outra forma de fazer parte do sistema financeiro. Foi o que o HIV fez, e sofreu mutação para mesmo assim entrar no núcleo.

Os cientistas então criaram a segunda forma de bloqueio. Tudo bem, eles disseram, se o HIV entra no núcleo, não vamos deixar ele sair. Os segundos medicamentos criados alguns anos depois do AZT começaram a bloquear a saída do HIV da célula invadida. É como se o BC dissesse aos fundos estrangeiros: "já que entraram mesmo sendo proibidos, vão pagar 90% de imposto sobre os ganhos. Passado mais algum tempo, os fundos iam se associar de alguma forma a bancos, clientes e arranjar um jeito de "burlar" a regra. E o HIV fez a mesma coisa, conseguiu fazer mutação para escapar das duas barreiras impostas.

Então os cientistas criaram a terceira barreira. Agora dentro do núcleo. É como se o BC descobrisse uma rede mafiosa dentro do BC que agia para colocar fundos estrangeiros super alavancados e fora das regras do país dentro do BC, descobrindo quando os juros iam subir, quando iam cair, quais as novas regras ou as antigas que seriam modificadas. Os terceiros bloqueadores do HIV conhecidos como "inibidores de integrase" fazem exatamente isso. Destroem as fileiras do DNA celular que estão fabricando novos vírus dentro do núcleo.

Mas ... o preço a se pagar é muito alto para o paciente. O pior sintoma depois de todo tratamento dar certo é o efeito colateral. Com o tempo esses bloqueadores criam uma capa de gordura enrijecida no abdomen, feridas podem aparecer na boca como aftas, rins apresentam problemas na filtragem, fígado começa a ter problemas, coração, pressão, etc. Mas o pior de tudo, segundo os médicos, é a baixa auto-estima do paciente. O tempo todo o paciente soro-positivo deve estar com auto-estima elevada, com apoio dos familiares e amigos, sempre mantendo-o para cima. A auto-estima elevada faz a carga de defesa CD4 sempre permanecer elevada para combater as investidas do vírus.

Quando criamos nosso índice de efeitos colaterais em 2002, medimos isso em pacientes reais com bons resultados na indicação de possíveis efeitos colaterais, mesmo o paciente seguindo o tratamento correto. A fórmula que parece "assustadora" é apresentada a seguir, mas ela reflete (o leitor pode achar que não) o estado de espírito do paciente.

 

O que os líderes, gestores e donos de fundos de investimentos e políticos europeus não se dão conta é que estão "matando" o paciente com o efeito colateral da baixa-estima. O paciente na Europa é a economia, que está parando e estagnando por falta de atitude séria. Pode-se perceber as pessoas tristes nas ruas, as pessoas revoltadas nas praças, ninguém acreditando em nada do que se fala ou se faz.

Ao invés de buscar geração de empregos os líderes foram "contaminados" pelo vírus dos grandes bancos de investimentos para criar o tal fundo do euro. E Sarkozi está sucumbido e infectado até o cérebro em pensar que isso é a solução para a crise. O que eles estão criando são novos subprimes governamentais, misturando tudo de ruim com alguma coisa de bom que ainda possa ter na Europa. Por isso a Alemanha está certa em não aceitar, pois a solução não é essa. Esse fundo é apenas mais um bloqueador, mas de pior qualidade. O que o novo fundo europeu vai fazer é o contrário dos bloqueadores do HIV. É como se o HIV, quando chegasse ao núcelo da célula, o gestor da célula dissesse: "Não perde seu tempo aqui, pode pular toda essa fase e vai direto para a fase de fazer novos virus pois eu vou te ajudar".

Ainda pior que o Rna viral, esses líderes não estão pensando em longo prazo. Apenas em salvar os bancos de investimento agora, nesse momento e nessa fase. Mas se olhassem para a auto-estima das pessoas, perceberiam que o tratamento vai dar errado. O primeiro sintoma é a convulsão social que já está se aprofundando nas passeatas e praças da Europa.

O HIV econômico já se espalhou. Nessa semana correu um boato que a Hungria pediu visita do FMI para estudo de um possível empréstimo. Qual o problema? A Hungria é pequena e não afetará nada. Errado. A Hungria faz parte da antiga cortina de ferro da URSS, assim como a República Tcheca e a Eslováquia, Polônia, Bósnia, etc. E no leste europeu não tem protesto em praça, tem golpe militar e morte. Se tiver qualquer tentativa de voltar a outro sistema militar no leste europeu, o Euro acabou!

A ciência ensina, mas a incapacidade de percepção de líderes, executivos e gestores na Europa é tamanha que estão fazendo o que era crise virar pânico. Os verdadeiros medicamentos, ou bloqueadores de crise, são aqueles que aumentam a auto-estima do povo: Empregos.