Terrível e desesperador empréstimo - Irlanda

 

Logo após a criação do dinheiro, o mundo percebeu que precisava um lugar para guardar essa nova ferramenta representativa do poder. E assim surgiram os bancos, salvaguarda de recursos de terceiros que ganham dinheiro com juros e serviços às vezes duvidosos. Na antigüidade o poder estava na ponta de sua espada, de sua faca, de sua lança. Após a invenção do dinheiro o poder estava relacionado com a quantidade de propriedades, de servos, da plebe e do exército que era comandado. E com a criação dos bancos, o poder está onde os maiores bancos existem e fazem seus investimentos.

Essa semana, no Brasil saiu a notícia que os maiores e mais lucrativos bancos da América Latina estão no Brasil. Ao mesmo tempo, hoje na bloomberg sai a terrível notícia de que os Bancos Irlandeses estão precisando de urgentes US$ 43 bilhões para ontem. A chamada taxa de redesconto para atrair investidores para um fundo recém-lançado é de 47%. O banco Anglo Irish Bank Corp. precisa de 18 bilhões de euros. Um outro banco da capital Dublin precisa de 7,4 bilhões de euros e os bancos Irish Nationwide e EBS precisam de 2,6 bilhões de euros e 875 milhões de euros. Mesmo com o mundo recuperando-se no ano passado e no começo deste ano, os bancos da Irlanda cresceram entre 10% e 26%, muito abaixo dos bancos brasileiros e americanos.

Segundo a reportagem da bloomberg o déficit orçamentário do governo está na casa dos 11,7% do PIB, o que impede qualquer ajuda local. Sem ajuda externa a Irlanda não vai conseguir honrar seus compromissos e o sistema bancário pode entrar em colapso. Vai entrar em colapso? Não agora, pois se isso acontecer a Inglaterra entra em colapso junto, pois os maiores investidores são ingleses.

Conforme já comentado em outro post "O caloroso não na gélida Islandia", agora está acontecendo com a Irlanda o que já aconteceu na Islândia. Na Islândia foi conseqüência do grande "NÃO" que a população disse ao governo local num plebiscito sobre o aumento dos impostos para pagamento do empréstimos dos "amigos da Islandia". Tentando convencer o parlamento Irlandês, aumento de impostos serão previsíveis pelo governo para conseguir tal empréstimo. Sem saber de onde retirar o montante para o pagamento dos juros, o governo Irlandês está criando junto com os bancos, um fundo para tentar recuperar prestígio. Se os investidores não voltarem o que a Irlanda fará? Na verdade a pergunta mais correta é o que o mundo irá fazer se começar com um calote Irlandês. Com a ameaça de moratória da Grécia, o rebaixamento da nota de "investment grade" de uma agência internacional para Portugal, as "fofocas" sobre a Espanha e a maquiagem de dados descoberta há cerca de um mês no mercado europeu, parece que o tempo das bruxas voltaram à tradicionalista Europa.

São tantos bilhões necessários, que o saudoso Carl Sagan seria uma figura notável nesse cenário ao repetir a palavra bilhões com seu "bi" mais pronunciado. O medo é se daqui há pouco a sílaba "bi" acabe virando "tri". Quantos trilhões existem no mundo para segurar investidas especulativas? Na Irlanda esse dinheiro contra especuladores profissionais parecia tão grande quanto o número de grãos de areia na Terra. Acabou virando pedrinhas de aquário.

 


 

Terça-feira, 31 de Março, 2010