Quinta-feira, 18 de Janeiro, 2018

 

Febre amarela fora de controle

Em nosso texto passado ("governos sempre mentem") deixamos claro que as intenções dos governos são sempre esconder ao máximo as verdades para a população. No caso brasileiro, como enfatizamos no texto, as mentiras são ainda piores e dignas de crime contra a humanidade.

Duas últimas mentiras começam a vir à tona.

A primeira é que ninguém precisava correr para se vacinar contra a febre amarela, pois ela estava sob controle. A segunda é que a dose fracionada da vacina que agora está sendo aplicada, dura até 8 anos. Será que alguém desse governo Temer estará por aqui, dentro de 8 anos para ser acusado de mentira?

Claro que não. O ministro da saúde que lançou a dose fracionada da vacina contra febre amarela já não é nem mais ministro. Está largando o cargo para concorrer na próxima eleição. Como poderemos acusar ou encontrá-lo daqui há 8 anos para pagar por esses erros?

A febre amarela estava restrita nas áreas de florestas no Brasil. Existia em centros urbanos muito restritos e era endêmica. Com o desmatamento das florestas, macacos e mosquitos migraram para os centros urbanos. Quando mosquitos picam macacos infectados, eles se infectam.

Então, esses mosquitos chegam até nossas casas e picam os humanos, transferindo o vírus da febre amarela para nosso corpo. Existem formas de contaminações restritamente comprovadas na Africa onde, parece, sem certeza, que casos aconteceram de infecções de humanos para humanos.

O aumento e disparada de surtos não veio apenas pela mudança de clima. Muito menos porque os pobres macacos vieram para os centros urbanos. A epidemia voltou por erro estratégico do governo brasileiro. Vacilou com a doença esses anos todos, com baixo investimento em saúde, mantendo uma quantidade de vacinas apenas para casos localizados.

E como investiu pouco, bastou um pequeno aumento no número de casos de febre amarela para o estoque chegar ao ponto crítico. Ou seja, a engenharia finaneira do governo, que economiza com saúde e educação para gastar com compra de votos na câmara, acaba de desmoronar. Sim, de apenas um surto, o Brasil agora tem uma epidemia de febre amarela, decretada pela Organização Mundial de Saúde - OMS.

A resposta do governo? A OMS está exagerando por "zelo". Quem está mentindo?

Aliado a mesma e errada política do governo, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, restringiu verba para pesquisas em geral no estado. Não investiu na fabricação de soro para a vacina da febre amarela e, agora, o estado mais rico do Brasil está na zona vermelha da OMS.

Geraldo Alckmin, que é médico, jogou errado com a doença e perdeu. Na realidade o cidadão de São Paulo está perdendo, com a morte de pessoas por uma doença erradicada por Oswaldo Cruz em 1940.

Esse é mapa da epidemia em São Paulo. As áreas em vermelho são os casos confirmados de febre amarela. Está se espalhando para dentro do estado, partindo da capital. Todas as regiões próximas da capital estão em estado de alerta, ou em caso de calamidade pública. Só para se ter uma ideia, esses são os dados do número de casos no Brasil.

Esses dados estão no site do Ministério da Saúde, que indicam que a doença está fora de controle. A barra em vermelho é o número de casos confirmados no Brasil inteiro. No ano de 2017, 777 casos foram confirmados com 261 óbitos. A doença não tem cura, apenas a prevenção, o que já é uma vitória enorme da ciência contra a febre amarela.

A taxa de mortalidade da febre amarela está na média em 42,7% dos casos. Os sintomas são febre repentina, mal-estar com vômitos, dores fortes nas costas, podendo ter comprometimento do fígado e rins, em casos mais graves deixando os olhos amarelados.

Mas o governo, para economizar dinheiro para suas falcatruas, não investiu na fabricação de vacinas e como pode ser visto no gráfico do próprio governo, o alerta veio 2 anos seguidos, a partir de 2015, um pouco mais em 2016 e estourou de vez em 2017. E mesmo assim, o governo nada fez.

O maior responsável por esse estouro de casos e mortes? O estado de São Paulo.

Os gráficos ao lado foram construídos com dados da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.

Esses dados representam os casos acumulados ao longo de 2017 até janeiro desse ano de 2018.

Em apenas duas semanas, os casos confirmados saltaram de 50 no ano todo para 70 nessas semanas.

E como a taxa de mortalidade é muito alta, o número de óbitos seguiu, como se pode ver ao lado, subindo e fora de controle.

Depois de estacionar desde junho de 2017 com 16 mortes no total, o Estado de São Paulo agora vê o número de mortos atingir a quantidade de 27.

É por isso que a OMS tem razão e o governo de São Paulo e Ministério da Saúde, não.

Mais uma vez nossos governantes fazem papel de moleques, irresponsáveis e sem a menor preocupação com a saúde da população.

E a segunda mentira é sobre a dose fracionada da vacina.

Por que fracionar?

Porque o governo não tem dinheiro e tempo hábil para fabricar milhões de doses da vacina inteira.

Enquanto a vacina inteira tem durabilidade para toda a vida, a dose fracionada pode durar apenas um ano.

Isso quem afirma é a OMS. Tanto é assim que a pessoa que tomar essa dose, terá que depois tomar a dose não fracionada para poder entrar em países que exigem vacinação contra a febre amarela.

Se a dosagem internacional é inteira, por que o governo afirma que a imunização é de 8 anos?

Não existem provas científicas dessa durabilidade. Isso é criação e invenção de pessoas ligados ao governo, para esconder a real situação.

Daqui um ano, todo mundo terá que tomar a vacina novamente, se ainda existir verba para isso.

O que esse governo fez, junto com o governo de Geraldo Alckmin, foi jogar o problema para o próximo governante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A outra mentira vem de Minas Gerais. Por que os casos de Minas dispararam. Não foi pelo clima, ou pela mudança de hábitos de macacos.

Como pode ser visto no mapa, diversos biólogos vem afirmando que o desastre de Mariana foi o grande responsável por espalhar a doença.

As áreas em vermelho no mapa ao lado nos mostra que, de uma pequena área entre a divisa de Minas com Espírito Santo, a doença já atinge Belo Horizonte.

Ao invés do governo imediatamente punir a companhia Vale do Rio Doce e exigir reparo imediato do meio ambiente, protelou e deixou a Samarco até os dias de hoje nada fazer no local do rompimento da barragem.

Permitiu que a Vale do Rio Doce continuasse a ganhar dinheiro sem prejuízo nenhum. Nem mesmo a reconstrução da cidade a Vale do Rio Doce fez.

Depois de todo esse tempo, com a área abandonada e contaminada de minério, os animais que lá estavam migraram rapidamente para outras áreas de florestas mais próximas das cidades.

Segundo biólogos, os animais resistentes à febre amarela morreram junto com o rompimento da barragem. Animais menos resistentes e que estavam longe da região endêmica migraram para as cidades carregando o virus.

Insetos dessas cidades (Aedes Aegypti, o mesmo da dengue) picaram os animais migratórios e levaram o vírus para os humanos.

Dessas pessoas, para um aeroporto em viagem para São Paulo, o vírus chegou a capital e achou um ambiente próspero com abundância de insetos.


E agora?

Agora é esperar o número de óbitos aumentar até Março desse ano, quando terminar o verão. A vacinação no Estado de São Paulo está prevista para dia 29 de janeiro. Após esse dia uma pessoa ficará imune apenas após 20 dias. Ou seja, ainda teremos um aumento colossal de casos até a vacinação em massa surtir um efeito.

Mas essa história tem data para recomeçar.

No ano que vem, com a validade de um ano vencida, se o governo não investir na fabricação de doses completas, novamente todo esse evento vai voltar. Afinal de contas, 1940 e Oswaldo Cruz parecem não ter deixado nenhum legado histórico de sua contribuição científica.

Se um governador médico comete esse erro estratégico banal, o que esperar de outro político que apenas vai olhar para a urna eletrônica, e não para a urna funerária?