
Sexta-feira, 11 de Novembro, 2011
Uma festa às barbas de Deus
"O povo é o conjunto de seres racionais associados pela concorde comunidade de objetos amados". Quem escreveu isso o fez no ano 416 d.C e só errou pelo dizer "seres racionais". Essa é uma frase do livro A Cidade de Deus de Santo Agostinho escrita entre 416 e 427. A obra surgiu em defesa dos cristãos que foram acusados após a invasão de Roma por Alarico, rei dos Visigodos em 410. O Deus cristão foi acusado pelos descrentes da época, de não salvar Roma da destruição apesar de toda devoção pregada pelos cristãos. Em defesa dos cristãos e mais especificamente da religião católica, Santo Agostinho cria, esculpe e defende sua tese de que o universo é formado por duas cidades: a cidade celestial e a cidade terrena. A fundação das duas cidades ocorre por conta da queda dos anjos que se baseiam em dois amores: - O amor de si, que despreza Deus (cidade terrena); - O amor a Deus, que leva ao desprezo de si (cidade celestial); A cidade celestial não existe em nosso espaço temporal, pois é espiritual, enquanto a cidade terrena é aquela que vê na vida a sua única finalidade. Como são duas cidades distintas habitadas por anjos, a cidade terrena passou a ser chamada de cidade do Demônio, que nominalmente conhecemos com inferno. E quando surgiu o ser humano, as duas cidades se misturaram a ponto de ninguém saber ao certo em qual cidade se pertence. Segundo Santo Agostinho, essas duas cidades somente serão separadas e seus habitantes distinguidos no dia do juizo final. O mais devotos afirmam que quanto mais perto de Deus, mais força se possui para vencer as adversidades da vida. O que aconteceu com a Itália? O primeiro ministro está colado ao portão da casa de Deus, e correu o risco de, ao sair de suas festinhas, atropelar algum cardeal próximo ao portão do Vaticano. A que cidade Berlusconi pertence? Suas festas eram dadas em qual das duas cidades, a celestial ou a cidade terrena? As festas não dá para saber, mas o script das finanças com certeza pertencem a cidade terrena. Quantos noticiários sobre as peripécias de Berlusconi já não o tinham tirado do governo, mas no dia seguinte o senado lhe dava o tal "voto de confiança". Aliás, que ninguém busque voto de confiança no seu trabalho, pois depois disso vai perder o emprego. Na verdade, para ser honesto, a festa estava quase completa na Europa, só faltava mesmo Deus. Talvez agora aquela expressão sirva perfeitamente: "...nem Deus salva...". Vamos olhar para o seguinte gráfico do desemprego na região do Euro:
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Em 13 de Julho de 2011, numa escuta telefônica disparou: "vou embora desse país de merda". Depois, talvez movido pelos drinks italianos ele disparou que Angela Merkel "era uma gorda com quem ele não teria relações sexuais". Será que realmente agora ele vai deixar a Itália em paz? Será que partirá para sua cidade original, a cidade terrena? Outro trio que fez parte da festa e resolveu servir salmão estragado foram as agências de risco. Sempre do lado das potências, mudaram de lado, ameaçando rebaixar todo mundo. Dissemos em nosso texto "Operação Barbarossa Financeira" que a operação tapa-boca tinha começado. Pouco se falou na mídia. Mas nessa semana, a primeira delas teve que baixar a cabeça, vir a público (leia) declarar que errou em ameaçar a França! A poderosa Standard & Poor's afirmou que a nota francesa é AAA e estável. Afirmaram que tinha um erro nos cálculos. Ora, e nos EUA? Não erraram também? Sarkozi conseguiu uma vitória, só não dá para saber o que ofereceu, ou com o que ameaçou a S&P. Nunca saberemos, mas deve ter sido algo da cidade terrena de Santo Agostinho. Santo Agostinho tentou salvar os católicos com sua tese, protegendo Deus dos ataques terrenos. Mas o verdadeiro ataque não pode ser salvo com tese, tem que ser salvo com ação. Será o novo primeiro ministro da Itália da cidade terrena ou da cidade celestial? Ele é vizinho da cidade de Deus, poderia enviar um e-mail para pedir uma ajuda, pois no caso da Itália só Deus salva. Ou será que nem ele? |
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