
Sexta-feira, 23 de Março, 2012
1984 atua no mercado
"Para preservar nossa independência, nós não deixaremos que nossos governantes nos ponha em dívida perétua " disse Thomas Jefferson, presidente dos EUA. Infelizmente ele perdeu e os EUA também. Na verdade o mundo todo perdeu e estamos em dívida perpétua desde o nascimento de cada nova geração. Sem entrar em detalhes considerados como parte da teoria da conspiração, o fato é que se o leitor leu com atenção sua fatura de cartão de crédito nos últimos meses deve ter se assustado. Na capa de algumas faturas estão em letras maiúsculas a frase "Parcele sua conta e ganhe um prêmio....". As empresas estão insistentemente colocando incentivos às pessoas para se endividarem e expandirem suas dívidas para criar uma dívida perpétua. Esse crime atinge os menos favorecidos que estão começando a fazer parte da nova classe média. Estão embutindo diariamente na mídia e nas faturas, frases e mais frases sobre parcelamentos e favorecendo quem se endividar. A nova classe média, até 10 anos atrás considerada como classe C está sendo atacada de forma brutal, aproveitando-se do baixo poder de educação para realmente diferenciar o que é certo do que é errado. É um lavagem cerebral "branca" e camuflada. Controlar o mercado é o grande troféu de alguns bilionários do mundo, isso é fato. Mas as empresas que se posam de "etica" na televisão nada fazem para justificar sua propaganda. Essa mídia controladora está levando as pessoas para o calabouço de uma crise sem volta. Nós brasileiros sempre tínhamos um certo orgulho de sempre pagarmos as contas em dia, de nunca nos endividarmos com um dinheiro que não tínhamos. Essas empresas associadas ao capital volátil estrangeiro estão importando o conceito errôneo americano do endividamento. Já vimos onde esse filme leva. No mercado financeiro também isso acontece, com propagandas dos bancos para tomar e gastar o crédito que lhe é oferecido com apenas um clique na tela. A maioria das pessoas, se olharem para seu extrato diário, poderão observar que logo após o último número do extrato existe o valor do crédito que o banco "lhe deu". Invariavelmente é pelo menos 5 a 10 vezes superior ao seu salário, para comprar carro, casa ou bens. Isso é uma "dádiva", um "alívio" para o dia-a-dia do endividado. Caro leitor, você já foi àquelas reuniões que o gerente do banco lhe convidou sobre finança pessoal? Ja assistiu alguma? Vá em apenas uma para nunca mais voltar. Sempre tem duas partes: uma avaliação do cenário internacional e depois formas de investimentos. Nessa segunda parte, gráficos e mais gráficos tentam lhe convencer de todas as formas que o mercado é perigoso, é arriscado e você deve deixar seu dinheiro com eles. Eles possuem o melhor fundo, os melhores rendimentos, as melhores taxas e são seu "Grande Irmão". E você deixa, pois nessa reunião existem vinhos, whisky e aperitivos junto com encartes do banco para lhe convencer. E quando começa o efeito manada, você não quer ser o único a não entrar, isso é um absurdo! Tudo acontece como previsto no livro "1984" de George Orwell publicado em 1949. A história se passa em 1984, anos após uma guerra atômica, onde todos os países são dominados por um único partido mundial. Todas as pessoas são "protegidas" pelo Grande Irmão (Big Brother) que cuida para que o povo "não tenha aborrecimentos" e não precise pensar sobre os problemas do mundo. O livor foi reproduzido num filme em 1954, que pode ser assistido no youtube. Apesar de cenários bastante arcaicos para os dias atuais, o filme representa bem o que acontece no livro. Esse filme foi relançado recentemente no cinema com uma nova e mais atualizada versão.
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A surpresa que ele mostra é uma página de resultados completamente diferentes. Não existe nada nem de longe parecido entre as duas buscas. O algoritmo filtrou e direcionou cada uma das buscas para o perfil do usuário. A palavra algoritmo vem de um matemático persa conhecido como Abu Ja'far Maomé ibn Mûsa al-Khowârism no século IX. Seu livro era sobre regras de restauração e redução. É isso que um computador faz, obedece regras criadas pelo programador para automatizar processos. Eli Pariser culpa os algoritmos por nos levar à não exposição de idéias contrárias às nossas, ou ainda nada que nos desagrade. Mas Pariser foge da verdadeira responsabilidade. Não é o algoritmo que está nos filtrando, mas quem o programou. Em computação não existe essa idéia de que o computador tem vida própria. Mesmo os algoritmos de inteligência artificial conhecidos nos dias de hoje, obedecem regras fielmente programadas. Os erros ou alterações "genéticas" dos algoritmos são provocados pelos erros e desconhecimentos dos programadores. Ou claro, por pura maldade. Olhando para um caso mais próximo de nós brasileiros, veja o que especialistas dizem sobre a segurança de nossa urna eletrônica. Para mostrar transparência a justiça brasileira dará a "enorme" quantidade de 3 dias para acadêmicos da ciência da computação testarem o algoritmo. Detalhe: o algoritmo tem milhares de linhas de instrução! Impossível, mas a justiça é nosso "Grande Irmão". O site "The Filter Bubble" apresenta fatos bastante preocupantes e ligados ao livro 1984. Num dos casos apresentados em 3 de Agosto de 2011, o site yahoo percebeu que um discurso do presidente Obama sobre a tropas no Afeganistão não estava dando um número de cliques desejado. O que o yahoo fez foi direcionar todas as buscas dos usuários colocando como primeio resultado o discurso, ligando de alguma forma com alguma palavra digitada pelo usuário. Prezado leitor, você sabe quantas vezes o governo americano solicitou dados de usuários ao google? De Julho a Dezembro de 2010 foram 4.601 pedidos atendidos. É o "Grande Irmão" atuando sobre os usuários da internet. Um dos casos no site "The Filter Bubble", mostra que também o governo brasileiro está fazendo esses pedidos ao google, yahoo e facebook (e sendo atendido). |
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Que mal existe em programar um algoritmo para apenas lhe expor àquilo que você gosta? Você terá apenas seus amigos, apenas seu assunto preferido, apenas as mesmas idéias. Sem sabermos, esses algoritmos e essas "inocentes" redes sociais estão restringindo o poder de enfrentar oposição de idéias. O debate estará morrendo, e qualquer um na rede social que for contra algum assunto será "digitalmente morto". Isso não é ficção e está acontecendo a todo instante na internet, com o bloqueio de sites, páginas, facebook ou outros perfis que "agrediram" de alguma forma a humanidade. Quem já não tentou fazer uma compra acima da média de seu cartão? O que aconteceu? A compra é bloqueada e lhe telefonam para saber se é você mesmo. Isso parece muito interessante e lhe dá um conforto e segurança. Mas esses dados estão indo para a receita federal que vai imediatamente verificar se é compatível com sua declaração. Impossível? Para que a receita possui o melhor super-computador do país, com trilhões de gigaflops de cálculos por segundo? Esses fatos nada afetam as pessoas criadas e educadas antes da era da internet, e sobretudo antes de google, yahoo ou facebook. Essas pessoas passaram sua infância aceitando e discutindo debates e saberão de alguma forma se opor, mesmo que estejam erradas (Quem não discutiu com os pais para chegar mais tarde em casa?). Mas e os jovens dos dias atuais, que só conversam via facebook, que não leêm nada em papel (a menos que sejam obrigados), que não baixam dados para pesquisa, apenas músicas ou filmes "bobinhos" que eles gostam? Tente debater com eles sobre algum assunto e invariavelmente ou se calam fechando o rosto com o famoso "biquinho", ou então partem para a agressão física e verbal. O mesmo acontece no mercado financeiro. Pessoas mais antigas de mercado não concordam de imediato com "novas regras", "novos fundos", novas manias financeiras. Mas os internautas recentes partem para o desconhecido abismo dos algoritmos dos celulares, dos Ipod's, dos netbooks sem antes pensar o que estão fazendo. Quando entram no mercado financeiro, adotam determinada técnica como se fosse seu patrimônio e não conseguem aceitar argumentação contrária. Estão utilizando os robôs-traders sem pensar na consequência real das tragédias financeiras, levados pelos comentários de facebook e não por estudos sérios acadêmicos demosntrando o perigo. Aceitam o que o dono do software afirma como verdade e pronto. É isso que google, yahoo e facebook estão fazendo com esses algoritmos de busca inteligente. É proposital? Quem sabe. Talvez no início tivesse a melhor das intenções, para aumentar a rapidez das buscas e satisfazer o internauta. Mas depois, ao observar os dados coletados, essas empresas descobriram um novo possível e factível 1984 nos dias atuais. Quantas empresas não fazem propaganda no google? Como os resultados são obtidos a ponto de fascinar as empresas para se exporem mais e mais aos usuários. Por que esses resultados são tão excelentes assim? Será que esse nosso texto passará no filtro? Assim como no livro 1984, corremos o risco de sermos expurgados digitalmente. Mas como disse Thomas Jefferson, "quem não brigar pela liberdade, não deve ter a liberdade de viver" (palavras adaptadas).
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