Segunda-feira, 25 de Julho, 2016

 

Folha, não dá mais para ler

O jornal Folha de S.Paulo tem sua história, fez parte ao longo do século passado de todos os momentos e eventos no Brasil, tentando sempre se mostrar como uma opção aos jornais mais de direita, alinhados aos governos. A Folha tinha até um slogan: "Folha, de rabo preso com o leitor". Outro slogan provocava os concorrentes: "Folha, não dá para não ler".

Tudo isso foi jogado ao lixo. Sua história foi para o lixo junto com a tradição familiar do senhor Otávio Frias. Ontem, Domingo, dia 24 de julho, a Ombudsman Paula Cesariano Costa colocou o dedo na ferida ao declarar abertamente que " A Folha errou e persistiu no erro" ao esconder do leitor dados verdadeiros coletados pelo Datafolha.

Os editores e jornalistas retiraram as respostas do questionário do Datafolha, onde se mostrava que 62% dos entrevistados desejam já, para esse ano, a convocação de novas eleições. E não foi por descuido, foi intensional. Por que? Para isso não existe justificativa plausível, tal qual a afirmação de que o relatório completo fica no jornal e apenas parte vai para o website. Isso é fraude.

Paula afirma que recebeu 62% de emails criticando a omissão proposital dos editores da resposta, onde a população quer novas eleições já, e se aproveitou de uma pergunta sobre qual a preferência entre Temer e Dilma. Isso não é só desonestidade estatística, isso é manipulação, isso é canalhice do jornal, ao tentar induzir a população para os desejos dos próprios editores.

Os "erros" do jornal foram comprovados por duas fontes diferentes de jornalismo de internet, como o The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, e Tijolašo, do jornalista Fernando Brito.

A absurda resposta do editor Sérgio Dávila é simplesmente um tapa no rosto do leitor, chamando-0 de burro. Ele respondeu à Paula Costa que "... o resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não pareceu especialmente noticioso, por repetir uma tendência, além de o jornal considerar tratar-se de cenário político pouco provável...". Então agora o jornal faz juízo de valor?

O jornal agora tem capacidade de saber sobre os acontecimentos futuros e só divulga aquilo que pensa ser a verdade? Será que o editor sabe que para o processo de impechment terminar e Dilma voltar faltam 6 votos de senadores? Isso obviamente não é noticiado pelo jornal, para não colocar mais pressão e, de repente, esses 6 senadores realmente votarem a favor ou contra.

O jornal escolheu seu lado, o lado do atual governo, ao escolher qual pergunta divulgar. Para isso existe o espaço da coluna do Editor, onde ele pode colocar suas opiniões. O que um jornal não pode, é esconder a verdade.

Ainda mais absurda é a posição final do editor Sérgio Dávila que dá outro tapa no rosto do leitor, afirmando: "... Faz parte da boa prática jornalística não publicar o que é pouco relevante....". O que é isso? O local onde vivemos não é mais um país. É apenas uma região do globo onde pessoas se aglutinam e falam a mesma língua, pois uma posição autoritária como essa não corresponde a ética e bons costumes ensinados nas faculdades de jornalismo.

De forma brilhante, Paula Costa afirma que não concorda com o editor e termina seu texto: "...  A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. AFolha errou e persistiu no erro...".

O que o editor Sérgio Dávila tentou esconder, foi um resultado que já apareceu em 25 de abril desse ano, resultado estatisticamente semelhante ao obtido pelo Datafolha.

No dia 25 de abril o Ibope apurou que 62% desejavam que Dilma e Temer saíssem e novas eleições fossem realizadas.

O que então Sérgio Dávila tentou fazer? Esconder o que? Ou ainda, por que tentou esconder uma estatística já obtida pelo instituto concorrente?

Ainda com mais sarcasmo, o editor colocou em primeira página do jornal a manchete: "Cresce otimismo com a economia", dizendo que a frase vinha da estatística do questionário do Datafolha.

Não foi isso apurado pelo Datafolha. Como o editor concluiu com base no questionário que existe um otimismo com Temer? A pergunta era quem o entrevistado preferia, Dilma ou Temer. Só isso.

A resposta foi 50% prefere Temer e 32% prefere Dilma, mas claro, apenas entre os dois, e não que os dois fiquem ou saiam, ou ainda que estão felizes com Temer.

Sérgio Dávila foi de um amadorismo completo, infantil, típico de jornalista de tablóide, querendo direcionar o leitor para suas convicções sobre o cenário que ele acha o mais correto.

Essa foi outra crítica da própria Paula Costa, que afirma não concordar com a resposta dele e que, internamente, em relatório já havia criticado o jornal e desejava que o mesmo assumisse sua responsabilidade pela fraude.

Nada foi feito.

Comprova-se então que Sérgio Dávila agiu de má fé com o leitor e assim continuará.

Site "The Intercept"

 

 

Resultado do Ibope sobre novas eleições

 

Site Tijolaço que levantou dados sobre a fraude

Em seu site The Intercept, o jornalista Glenn Greenwald afirma: ".. tornou-se evidente, que, seja por desonestidade ou incompetência extrema, a Folha cometeu uma fraude jornalística...".

Ainda no combate a resposta do editor, Glenn lembra que diversas figuras de destaque político se manifestaram favoráveis a novas eleições ainda nesse ano, tais como Joaquim Barbosa (ex-ministro do STF) e Marina Silva (candidata a presidente nas últimas eleições).

Toda essa fraude foi possível de ser descoberta graças ao site Tijolaço. Ele conseguiu com exclusividade o acesso ao relatório bruto dos dados e alertou toda comunidade de internet sobre a fraude.

Fernando Brito descobriu o relatório original e percebeu que a tal "pergunta 14" havia sumido na fase de compilação do relatório para a edição.

Onde estava a pergunta 14?

Para ludibriar o leitor e mostrar que não errou, o jornal colocou mais de uma versão no site, tentando confundir quem tentasse checar a veracidade das informações. Sem os dados brutos originais conseguidos pelo Tijolaço, seria impossível essa descoberta.

O Tijolašo ainda contesta a Ombudsmam no dia de hoje (segunda feira, 25 de julho) provando que mesmo ela foi enganada. Segundo Fernando Brito o documento que o Datafolha enviou para Paula se chamava "v2" indicando que era a segunda versão.

Ou seja, o editor tentou enganar inclusive a própria Ombudsman.

Ou seja, segundo o Tijolaço faltam ainda 8 perguntas que desapareceram na versão "v2". As perguntas 4, 5, 15, 17, 17, 20, 29 e 34 simplesmente... sumiram. O que elas continham? Isso é teoria da conspiração? Não, é fraude mesmo.

Infelizmente, o jornal, a partir desse domingo se tornou apenas um tablóide sem confiabilidade, onde trata o leitor como um ignorante que precisa apenas saber aquilo que o editor acha ser a verdade.

Folha, não dá para ler!

 

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