Sexta-feira, 25 de Maio, 2012

 

Futilidades financeiras

Segundo a Bíblia, Moisés foi escolhido por Deus para receber os 10 mandamentos que deveriam ser seguidos por todas as tribos do mundo. Em seu Exôdo para a terra sagrada, muitas perversões estavam acontecendo aos povos de Deus. Preocupado, Deus teria chamado Moisés para repassar as leis do amor ao próximo e amor a Deus, para colocar ordem nos pensamentos terrenos. Estava formada a primeira rede social do mundo, e Moisés o primeiro a twittar e dar um retwitte para os seguidores. Essa rede social progrediu rápido com muitos seguidores. Foi a maior rede social do mundo (em termos percentuais), pois o mundo não era tão grande assim naquela época. As mensagens da tábua foram os primeiros twittes disparados pelo host sagrado e retransmitido por Moisés.

Após essa primeira rede social, outras se seguiram, ora formada pelos militares (no caso de Roma), ora formada por religiosos. Mesmo Jesus, que começou sua rede com não mais de 20 seguidores, conseguiu com suas mensagens de amor ao próximo congregar mais e mais pessoas, e fazer sua rede social se tornar a mais poderosa do mundo. A igreja católica ficou soberana por quase 20 séculos, fazendo reis e generais se curvarem diante de seu poder. As Omilías de domingo faziam as ligações se solidificarem com a palavra sagrada de Deus sendo a responsável por ligar todos os pontos da rede à um único ponto de adoração. Mas mesmo essa rede, não resistiu e está se desfazendo.

Uma rede social tem utilidade em nossas vidas? Enquanto as redes sociais são pequenas e locais, elas tem sim um poder de trocas importantes de informação e de ligação. Mas com o crescimento de seguidores elas se perdem completamente e perdem completamente os objetivos iniciais. Algumas redes nascem mortas, outras nascem pequenas e se tornam grandes e outras nascem grandes e fecham.

O problema é quando uma rede é criada por um louco, um anti-ético, uma completa aberração da natureza. Seus seguidores, se não questionarem sua utilidade, se não observarem pontos positivos ou negativos que valham à pena continuar, acabam se tornando tão radical a ponto de defender essa ou aquela rede como se fossem familiares. Vide por exemplo a rede macabra de Hitler. Mesmo nunca tendo conseguido maioria parlamentar pelo voto, nunca ter sido consenso entre os alemães, com o crescente número de adeptos tão loucos quanto Hitler, essa rede fez a sociedade inteira da Alemanha prosperante dos anos 1920 se curvar diante de seus adeptos. Sim, uma rede social de loucos pode ser mais maléfica do que apenas divertimento como a maioria pensa.

Seja por Orkut, LinkedIn, Facebook ou twitter, os novos tempos são apenas a transformação de redes antigas em redes digitais. Sem os devidos cuidados são mais maléficas, pois são instantâneas com alta velocidade de informação.

Bandidos já programam assaltos a banco usando redes, sequestros, rebeliões e tumultos contra ações policiais. Funcionários "programam" saída e demissões de colegas de trabalho apenas por não gostarem desse ou daquele hábito. Contratações são baseadas nas mentiras dos perfis e pouco nas entrevistas reais e pessoal.

E o que move essas redes sociais? Dinheiro, muito dinheiro. Sem saber da manipulação, as pessoas que "apenas" usam essas redes para se divertirem estão colocando o poder de dinheiro nas mãos das empresas criadoras das redes, que nada fazem de útil em troca da população.

A população faz algo de muito útil com as redes, por exemplo com a troca de informações, com a troca de mensagens de alerta. Mas leitor, pare para pensar em que ato social os donos dessas redes já promoveram? Ajudaram alguma pesquisa da Aids, da Malária, do Cancer? Ajudaram as pessoas famintas da Africa? Ajudaram alguma causa importante para o mundo? Ajudaram a seca do nordeste? Qual o maior objetivo do dono do Facebook? Tornar-se o homem mais rico do mundo. Veja quanto ganhou em um ano a rede LinkedIn (ao lado). Sim, 100% de valorização, usando propagandas em cima de curriculos profissionais disponibilizados gratuitamente por seus criadores.

Ações da LinkedIn Corporation

 

 

Ações da AOL

 

Caro leitor, se você achou 100% muito, olhe para a ação da AOL ao lado. A AOL não é propriamente uma rede social, mas no seu início tinha algumas características parecidas com um buscador próprio, alguns fóruns, alguns locais para troca de imagens e fotos. Em um ano suas ações deram retorno de 160%. E de tão grande seus fundadores acabaram comprando a Time Warner.

E então o garoto Zuckerberg resolveu fazer o mesmo, colocando ações de sua rede de futilidades Facebook. Uma rede criada primeiramente apenas para machucar pessoas, como colegas da faculdade comparando-as com animais, a rede cresceu absurdamente depois que se aliou a outro louco da sociedade responsável pelo programa Napster. Sean Parker, desenvolvedor do Napster, um programa que baixava músicas direto e gratuitamente da internet, convenceu Zuckerberg a colocar o lado profissional na empresa para fazê-la crescer.

 

Alguns críticos e especialistas em doenças mentais já chegaram a relatar que Zuckerberg tem Síndrome de Asperger, ligada quase sempre a genialidade. Outros pessoas com a mesma síndrome fizeram muito bem a humanidade tais como Isaac Newton, Albert Einstein, Mozart, Charles Darwin entre outros. Especialistas garantem que o ambiente em que vive o doente o faz transformar e conviver de modos diferentes na sociedade. Em ambiente saudável o doente pode gerar enormes benefícios à sociedade, criando coisas fantásticas pensando sempre no bem das pessoas. Por outro lado, se o doente com essa síndrome tem convivência maléfica, coisas terríveis podem ser feitas, não por que o doente goste ou queira. Mas por que ele não sabe, ele não tem sentimentos em relação ao próximo. A doença faz a pessoa ignorar os sentimentos dos outros, para ele é tudo normal.

E o mundo financeiro colocou um componente químico perigoso no canhão financeiro. Ao apoiar o Facebook apenas vizualizando transformar a rede social Facebook em algo fora do comum geradora de bilhões de doláres, os grandes bancos de investimentos podem explodir o canhão inteiro. Não vão lançar projéteis, mas vão destruir o canhão.

Depois de tanto alarde na mídia, depois de mais de dois meses se auto-promovendo para o lançamento das ações na Nasdaq (IPO), o Facebook pensou que estava na mesma rede social que ele criou. Ao receber a estimativa do valor das ações, o Facebook resolveu dar um golpe para ganhar ainda mais, aumentando a quantidade de ações apenas alguns dias antes do lançamento. Ou seja, eles esperaram os analistas estabelecerem o preço de valor inicial e então aumentaram o número de ações além do que tinham prometido inicialmente.

Ao perceber isso, o maior banco de investimento reponsável pela operação (Morgan Stanley), disparou secretamente relatórios para alguns poucos "amigos" que o preço das ações deveriam ser menores, pois a margem de lucros seria menor do que informado anteriormente (Veja aqui). Consequência: o maior fiasco da história dos IPOs da Nasdaq. Considerando que na abertura o preço das ações foi negociado a US$ 44 e hoje valem US$ 32, os investidores perderam 27% em menos de uma semana (gráfico abaixo). O próprio LinkedIn deu retorno de 100% no dia de sua abertura.

Ações do Facebook

Sentindo-se ameaçado pelo "golpe" do Morgan Stanley, relatos disseram que Zuckerberg teria dito que "Tenho habilidades suficientes para tornar a vida de muitas pessoas um pesadelo...". A comissão de valores imobiliarios americana (SEC) entrou em cena e chamou o banco e os executivos do Facebook para esclarecimentos, que uma semana depois, ainda não acabou. E as ações continuam apanhando.

Agora um grupo de investidores entrou com processo contra o Facebook por perdas, pedindo US$ 4 bilhões de ressarcimento por serem enganados e pelos favorecimentos aos "insiders". Enquanto o Facebook achar que seu mundo virtual é o mundo real e que podem fazer o que seus seguidores fazem, vai continuar perdendo valor de mercado. Ao contrário do Brasil, a comissão de valores imobiliários de lá realmente leva executivos para a prisão. Depois da crise do Lehmans & Brothers eles ficaram mais rigorosos com esse tipo de atitude de fazer coisas "às escondidas".

O que os seguidores dessas redes sociais deveriam perceber, é que essas redes são para passar o tempo, e não fazer o tempo passar por elas. Como poderia ser rotulada uma pessoa que vai ao salão de carnaval e ao invés de se divertir e paquerar, fica tirando fotos com o celular para postar imediatamente no Facebook. Como poderia ser rotulada uma pessoa que ao chamar um colega para um café ou um happy-hour fica olhando para o celular e postando coisas ao invés de conversar? E alunos que ao invés de prestar atenção na aula ficam de cabeça baixa postando e conversando no Facebook? São esses atos de normalidade?

O que o Facebook e outras redes estão fazendo é espalhar a mesma síndrome de seus criadores para seus seguidores. Em especial o perigo maior é do Facebook, pois se ligou à empresas de vendas comerciais, à joguinhos para garotos, à empresas de marketing, à redes de televisões e estabeleceu uma conexão doentia entre os seguidores.

E o perigo só aumenta, pois agora o Facebook e LinkedIn estão ligados à grande bancos de investimentos, capaz de controlar o mercado, fazendo as bolsas subirem e caírem. Depois de notificados pela SEC, "estranhamente" num dia de forte queda das bolsas ao redor do mundo, as ações do Facebook subiram quase 4%. Quantas ações estão nas mãos do Morgan Stanley? Quantas estão na mão do J.P. Morgan? E do próprio Zuckerberg?

Ao se tornar fútil, em fazer apenas comentários toscos se auto-promovendo em redes sociais, as pessoas não se tornam apenas mais "bobas", mas desconexas da realidade. E assim como na Alemanha de Hitler, quando uma rede domina a sociedade real, faz tragédias acontecer. O perigo real agora não está apenas no mundo físico, mas no mundo fútil virtual que se envolveu com muito mais dinheiro do que os seguidores imaginam.