Domingo, 21 de Fevereiro, 2016

 

Horário de Verão aumenta ataques cardíacos

Todo ano é aquela polêmica: Gostar ou não do Horário de Verão? Desde que foi introduzido no Brasil, o horário sempre é analizado sob o ponto de vista econômico. A economia, segundo os defensores do governo, compensa o sacrifício da população. Na realidade, para muitos não é sacrificante, mas uma alegria, uma vez que adoram sair do serviço e ainda ver o pôr-do-Sol.

O problema é que, ao atrasar, ou adiantar o relógio digítal, não fazemos o mesmo com nosso relógio biológico. Alterando de pessoa para pessoa, esse relógio controla o ciclo de hormônios para a boa harmonia de todo o aspecto biológico que controla nossa vida. Se você acorda normalmente às 7:00 h, ao adiantar para acordar seu relógio para acordar às 6:00, não significa que o controle de seus hormônios obedecerão de imediato.

Algumas pessoas se adaptam rápido e em no máximo dois dias estão em vida normal. Outras levam uma semama, e ainda pior, tem aquelas que levam quinze dias. O perigo físico desse ponto é a desatenção, a desconcentração e o excesso de sono, que em serviços que demandam atender grandes quantidades de pessoas (tais como motoristas de ônibus, enfermeiros, médicos, pilotos, etc) podem causar morte.

Sempre tratado como polêmico e "desnecessário" para o governo (independente do partido ou do mandato), o tema saúde x horário de verão começa finalmente a ganhar força científica e retórica importante, comprovando o perigo que a população possui com a alternância do horário.

O primeiro estudo sÚrio foi publicado em 30 de outubro de 2008, por um grupo de pesquisadores que investigou dados desde 1987 até 2006 formado por pessoas de idade variada. Foi verificado um aumento significativo de ataques cardíacos em pessoas abaixo dos 65 anos de idade, muito maior inclusive do que pessoas acima dessa idade. Os ataques do coração aumentaram 5% no primeiro dia após a implantação do horário e 10% no segundo dia. A análise original dos dados do artigo é apresentada a seguir.

Então podemos pensar que, tudo bem, agora vamos voltar ao horário normal nesse mês de março e tudo estará normalizado. Mas outro estudo, ainda mais recente foi publicado por um grupo de Alabama (EUA) em 2013 (ver aqui). Esse estudo mostrou que foram observados um aumento de 10% de ataques cardíacos no primeiro e segundo dias após o término do horário de verão.

Um terceiro estudo muito interessante, analisou os efeitos do término do horário de verão sob o ponto de vista dos acidentes de automóveis e os resultados não precisam nem mesmo de explicação. É bastante visível que na primeira semana após o término do horário de verão, entre as três e quatro horas da tarde, existe um aumento considerável de acidentes de trânsito na cidade analisada por vários anos de dados (figura à seguir).

Nesse estudo, existe também uma análise das primeiras semanas após o início do horário de verão. Também é bastante visível e claro o aumento do número de acidentes fatais (figura à seguir).

Voltando aos problemas com o coração, o mais recente estudo foi publicado pelo Interventional Cardiology e apresenta evidências científicas fortes para o aumento do infarto agudo do miocárdio (AMI) .

 

O resultado da pesquisa pode ser observado ao lado. A linha com círculo e traço apresenta os dados reais sobre a contagem de ataques do coração.

O horário de verão, no mesmo padrão do Brasil, sempre começa num domingo. É possível observar no primeiro gráfico ao lado, que na segunda-feira ao início do horário, existe um salto real de 24% no aumento dos casos.

Já para o segundo gráfico, observamos que as ocorrências são para o término do horário de verão.

Apesar de menor do que em seu início, o término do horário também causa um aumento na quantidade de ataques do coração.

O número de pessoas analisadas foi bastante significante, formando um grupo com mais de 42 mil pessoas.

Resultado da pesquisa em números de ataques do coração

Resultado para o início do horário de verão

Resultado para o fim do horário de verão

As tabelas ao lado podem ser encontradas no artigo em questão e mostram um índice que mede o risco de infarto. A primeira tabela apresenta os resultados na primeira semana de início do horário de verão e a segunda tabela para o início do horário normal.

A última coluna é conhecida como p-nível ou p-valor. Esse número indica a probabilidade do resultado obtido ser apenas uma mera coincidência estatística.

Se esse número for abaixo de 0,05, pode-se afirmar com 95% de confiança que os resultados não são coincidências ao acaso. Mas se os resultados forem acima de 0,05, os resultados obtidos são coincidências estatísticas.

Logo, para a segunda-feira, o aumento no índice de risco de ataques cardíacos são bastante relevantes e estatísticamente importantes (p-nível foi de 0,011).

Eles revelam que, com 95% de probabilidade de acerto, o primeiro dia de início do horário de verão possui uma grande probabilidade de aumento de ataques do coração.

Em outras palavras, nenhuma dúvida sobre a questão aumento de casos no primeiro dia.

Pelo sim, pelo não, a polêmica ainda vai existir durante muitos anos, pois os apoiadores para a adoção do horário indicam a defesa da tese da economia, da satisfação e da necessidade diante da crise de eletricidade.

Os contrários ao horário, se concetrarão na tese da manutenção do ciclo cardiano, necessário ao bom funcionamento de nossos corpos, dos hormônios e da harmônia do funcionamento biológico.

O que deve se questionar, assim como fazemos com remédios novos e tratamentos revolucionários, é sobre qual o real benefício que a população pode constatar com a adoção do horário de verão. Será que os 4% de economia compensam uma vida humana? Será que essa economia compensa uma quantidade razoável de ataques que vão aumentar os gastos do serviço público e do governo, pagando aos hospitais considerável importância para o tratamento desses pacientes?

Não apenas no campo da discussão e dos gostos, números precisam ser friamente colocados lado a lado, para servir a população dos prós e contras dessa medida adotada. E a dúvida continua: é bom ter horário de verão?

 

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