
Quinta-feira,24 de Março, 2011
2000 horas do Ibovespa
O mundo está aos cacos. Em outras épocas, mesmo com a crise dos chamados "tigres asiáticos", das maxi-desvalorização no Brasil, Argentina, México e Rússia o mundo se recuperava rápido. Após o 11 de Setembro nos EUA o mundo "acostumou" rapidamente e o inconsciente coletivo nos levou de volta à normalidade. Nessa semana batemos a marca de 2000 horas ininterruptas de acompanhamento do pregão. E olhando um pouco para trás, o que se percebe é que continuamos andando de lado. O gráfico abaixo mostra o gráfico das 2000 horas do Ibovespa desde o dia 28 de Outubro de 2009 até essa terceira semana de Março. Qual a tendência? |
Como dissemos em nosso texto "Não siga tendências", segundo o estudo da termodinâmica aplicado ao mercado financeiro, o melhor a se fazer é não seguir tendências, mas sim sua própria estratégia independente. O gráfico anterior indica uma faixa onde os investidores de alta frequência estão atuando perigosamente na Bovespa. Talvez a análise técnica nos revele "canal de alta" ou "canal de baixa", mas o que se vê é um mercado estressado. O mundo está estressado e toda semana novidades preocupantes têm aparecido no cenário político e econômico mundial. Portugal está num limite perigoso entre a austeridade e o caos político. Com a renúncia de seu primeiro ministro hoje, o risco que se assume é de um populismo irresponsável que provocará a fuga de capitais e a atuação mais forte dos especuladores. Portugal é a bola da vez como já avisamos no dia 17 de Novembro de 2010 ( "O pote sem vinho") onde alertamos num gráfico que primeiro ia ser a Grécia, depois Irlanda, depois Portugal e por fim a Espanha a pedir empréstimos. Então, vamos esperar pela Espanha pois Portugal terá que se endividar ainda mais do que já está. Controlar a ganância do mercado não vai sair barato e infelizmente o povo vai ter que pagar. Ben Bernanke do Federal Reserve (Banco Central americano) vem dizendo que a recuperação agora é forte e que os EUA está pronto para voltar a crescer. Bem, a coisa não é assim. Já tínhamos alertado sobre as estatísticas propositadamente errôneas do mercado ("Economia USA e radiação fazem bem à saúde") e sobre o enorme problema do desemprego americano ("Um olhar para o desemprego"). O problema acabou? Não! O japão hoje, através da Toyota(CNN Money), avisou que vai fechar fábricas nos EUA para dar maior valor à sua matriz no Japão. O desemprego vai saltar e galopar mais rápido para o desânimo de Obama que vê sua situação bastante complicada nesse ano. Esse mesmo Japão que alertamos ("Super tremor no Japão vai abalar a economia mundial") vai levar o tsunami e a radiação a todo o mundo. Alimentos contaminados, água, produtos e o mais triste: pressoas contaminadas. Sabe o que acontecerá nos próximos passos? Os vôos serão reduzidos para o Japão com medo da imigração de pessoas contaminadas pela radiação. Automóveis, eletrônicos, peixes, tudo será barrado mais cedo ou mais tarde em todo o mundo. E sem renda, o Japão vai parar de comprar, o que vai indiretamente exportar o terremoto financeiro até nós. A Arábia e os Xeques já eram. Toda a ostentação dá lugar ao rosto amendrontado de todos os homens vestidos de branco que se achavam os senhores da Terra. A hora chegou e não adianta antecipar eleições como no Yemên quer, pois o povo de lá quer o poder. O mesmo poder que os Xeques tiveram por mais 100 anos. Quanto a Kadafi (Gadhafi ou Kadhafi, tanto faz) também já fugiu como anunciamos no dia 23 de Fevereiro de 2011 ("Petróleo vermelho e a cruzada às avessas"). Se acovardou e vamos arriscar um pequeno palpite onde ele já está. Venezuela, na fronteira com o Brasil. Ou mesmo no Brasil, visto que o filho dele com PhD já tinha negociantes amigos aqui. Por fim, ninguém está comentando, mas Dubai com sua dívida está bem "quietinha" ( "O perigo na terra do dolar poente"). O problema com as empreiteiras e bancos por lá não acabou e só não veio à tona pois muita gente com muito dinheiro está segurando para não perder muitos patrimônios por lá. Não parece que nada mudou? Tudo muda quando nada muda. O que mudou é o sentimento do investidor mundial que começou a refletir e escolher melhor se deve ou não entrar em ativos de altos riscos. Se o Japão que era um porto seguro, desabou em apenas uma semana, o que dizer dos emergentes? E então nossas horas sobem e descem ao sabor do tsnami financeiro e das notícias que se repetem. Quando voltaremos a ver o mundo "normal" novamente? Será que isso é que não é normalidade e não o que tínhamos antes? As próximas 2000 horas nos revelarão com certeza outro cenário, mas as notícias ainda vão girar em torno dos mesmos personagens.
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