
Sábado, 18 de Setembro, 2010
Japão na mira do inferno astral
A vida dá muitas voltas e algumas pessoas acreditam que quando uma coisa dá errada, "os desuses" conspiram para que tudo dê errado. Meses atrás tudo e todos estavam contra o Euro. A moeda derretia todos os dias e parecia que ia desaparecer da face da Terra ("Euro monta trincheiras, mas o inimigo vencerá"). A França se desesperou e "vazou" informação que ia desistir do Euro e voltar ao velho e surrado Franco ("França jogará a toalha?"). Então veio da Alemanha a batalha que segurou o Euro, colocando regras muito duras contra as especulações de commodities dentro da Alemanha e com regras para vendas de curto prazo ("A nova dama de Ferro"). Pronto! Acabou tudo e os fundos chamados de "fundos hedge" se afastaram do Euro e estudaram qual seria a outra praia para tomar sol. E então escolheram o Japão. Como escolheram o Japão? Aproveitaram da estatística econômica que colocou o Japão como terceira maior economia do mundo perdendo a posição para a China. Essa foi a deixa estatística para começarem a atuar contra o Iene ou Yen (moeda japonesa). Impressionante como a segunda maior economia do mundo depois de virar a terceira mudou de "segura" para "economia de recessão". O que saiu de comentários negativos sobre a recessão de quase 20 anos do Japão na imprensa é algo que não é mais estranho, mas calunioso e típico de armação dos fundos sobre a imprensa ("Cavaleiros do Império"). Esse movimento é muito bem detalhado e explanado pelo prêmio nobel Paul Krugman em seu belo livro "A crise de 2008 e a economia da depressão" re-escrito em 2009 com novo epílogo sobre a atual crise financeira. O livro é muito didático e faz ataques violentos sobre o que os fundos hedge fazem com o mundo das moedas. Esse movimento sobre o Yen é muito bem entendido quando se lê as linhas de Krugman explicando sobre o fundo Quantum de George Soros. O movimento de agora é idêntico ao que Soros fez sobre a libra esterlina em 1992. Em seu capítulo "Perversidade Política" em especial na seção " A lenda de George Soros", Paul Krugman nos conta que primeiro Soros fez um movimento bem lento de apenas emprestar 15 bilhões de libras pois os juros estavam atraentes. A Inglaterra vivia um período de desemprego e queria ativar a economia. Ao emprestar esses bilhões, Soros comprou dólar. Muito dólar. E depois comprou ativos? De jeito nenhum. Existe duas possibilidades para vencer um inimigo ou rival em qualquer jogo. Um é enfrenta-lo diretamente e se estiver preparado, vencer. O problema é que 15 bilhões de dólares não é nada numa batalha contra a Inglaterra. O que Soros fez foi ir à imprensa e dar muitas, mas muitas entrevistas. Uma atrás da outra dizendo que estava prevendo uma maxi-desvalorização da libra, pois seus modelos lhe diziam isso. Depois usando vasto "economês" convenceu a imprensa que não tinha como os servidores da rainha segurarem o problema econômico sem desvalorização. E a imprensa começou a divulgar essa idéia, começou a debater mais e mais todas as noites. Os jornais começaram a publicar mais e mais análises, e claro o ego dos analistas foi grande demais. Todo mundo queria comentar sobre a desvalorização para aparecer na imprensa. Funcionou. Em poucas semanas a Inglaterra gastou mais de 50 bilhões de libras tentando segurar a moeda, contra um inimigo aparentemente invisível. E Soros continuava na imprensa. Em Setembro daquele ano o governo inglês aumentou a taxa de juros para segurar a moeda. Isso mostrou ao mercado que havia uma instabilidade na Inglaterra e todo mundo começou a atacar a moeda, não mais apenas George Soros. Só que George Soros não precisava mais atacar nada, pois estava comprado em longo prazo na moeda e só estava lucrando minuto a minuto contra o governo e também contra os outros fundos. Foram apenas 3 dias de batalha. A Inglaterra perdeu e acabou cedendo, fazendo uma maxi-desvalorização de seu maior patrimônio, a moeda. Com isso, Soros pagou o empréstimo e teve lucro líquido de um bilhão de dólares. E se tornou a lenda do mercado, e fez escola, e fez seguidores, e finalmente virou "guru". Com isso ganhou mais uns tantos bilhões de dólares, pois todo mundo queria colocar dinheiro naquele que conseguia prever o movimento "errático" das moedas. Ele não previu nada, ele criou a situação. O lado bom dessa história é que no frigir dos ovos, isso foi bom para a Inglaterra. Isso porque com a desvalorização, seus produtos ficaram mais baratos, aumentou a exportação e obviamente gerou os empregos que tanto desejava. Esse movimento tirou a Inglaterra do "marasmo" que vivia. O lado ruim é que mais gente aprendeu como vencer moedas dos países. Isso já aconteceu aqui no Brasil também, no final da década de 1990. E agora está acontecendo no Japão, da mesma maneira.
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O gráfico anterior mostra o que aconteceu nessa semana com o Yen. No final do gráfico (lado direito) se observa uma queda no preço do dólar dentro do mercado japonês. Isso mostra que o Yen está valorizando muito rápido, acima do que normalmente ele oscilava. Os produtos de exportação do Japão ficam ainda mais caro do que já estão. Também vai aumentar o índice de desemprego do país em poucas semanas, pois as empresas do Japão já enfrentam a calmaria nas vendas há 15 anos. Com mais esse prejuízo, vai ser difícil de permanecer com o mesmo número de funcionários. O outro lado é que alguém já está comprado em moeda japonesa. Com certeza alguém já está com empréstimo em banco japonês pois a taxa de juros do Japão é ... zero. E esse alguém já está bilionário se houver uma desvalorização forçada do governo japonês. Lembram-se de alguém que fez um enorme donativo semana passada, para uma organização de direitos humanos? Quem foi? George Soros que doou 100 milhões de dólares. É bem conhecido esse movimento para não criar falsas acusações sobre o movimento que vem fazendo no mercado de moedas. Soros está tentando recuperar o prejuízo de sua aposta errada no Brasil ("E ele foi embora"), quando comprou ações da Petrobrás à R$40,00 e viu as mesmas chegarem a R$29,00 em 8 meses. Na verdade, o inferno do Japão não é astral e sim bem terreno. E esse inferno já está à espreita, esperando a desvalorização do Yen para fazer mais alguns bilhões. |
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