Quinta-feira, 2 de Novembro, 2017

 

Indústria aguenta só mais dois meses de crescimento

 

 

Será que as pessoas nos anos entre 1920 e 1935 eram menos inteligentes do que hoje? Claro que não e, ainda em muitos aspectos as pessoas daquela época tinham muito mais esperteza, tino e inteligência do que as populações ao redor do mundo nos dias atuais. Imaginar que por causa da tecnologia hoje somos mais sofisticados e menos suscetível a sermos enganados, é um desrespeito para com nossos pais, avós e bisavós.

Então como, uma população na Alemanha dos anos 30, permitiu que meia dúzia de malucos governassem o país e ainda matassem mais de 6 milhões de pessoas, queimando seus corpos em campos de concentração por conta de uma religião? Daqui alguns anos, nossos netos vão perguntar o mesmo sobre nós.

Como nas duas primeiras décadas do século XXI, nós deixamos e ficamos passivos ao ver meia dúzia de ladrões comandando uma dúzia de vagabundos, que por sua vez corrompiam mais outros 500 larápios sem instrução e governaram esse lugar, que insiste ser chamado de país? Essa será a pergunta histórica que teremos que responder daqui alguns anos.

Como deixamos esse governo jogar por terra nossa Ciência, Educação, Cultura, Socialização, em prol de uma instigação de ódio e malas de dinheiro, criando grupos de apoios de moleques que nunca estudaram decentemente para formar uma verdadeira sociedade, moleques que cometem crimes raciais em "posts', moleques que menosprezam a população mais carente e pobre?

Mas nós teremos a resposta. É a mesma da Alemanha nazista. A imprensa e a propaganda pró-governo corrupto.

Blindaram um ministro da fazenda que foi diretor financeiro do maior grupo de carnes da américa latina, grupo esse agora comprovado corrupto ao extremo, onde comprou todos os políticos importantes dos últimos anos. Mas nem de longe cita-se o nome daquele que estava à frente das compras de dolares, dos contratos swap, dos investimentos em mercado de commodities, e sobretudo, na orientação de todas as finanças do grupo J&F.

E nossa população deixou e nem comenta sobre ele.

A população da Alemanha também deixou Hitler brincar no poder, depois seus amigos tomarem o poder, e finalmente esse bando de loucos fazer a carnificina que hoje se conhece.

Além da imprensa a favor, Hitler também contou com subornos, com ameaças ao estado de direito, perseguindo e processando quem era contra suas ideias, demitindo, exonerando e por fim, em seu estágio máximo, matando pessoas.

Por exemplo, quando Einstein fugiu da Alemanha, reitores aliados de Hilter e editores das revistas cientificas da Alemanha, disseram que Einstein não representava a Alemanha e que o país tinha cientistas melhores do que ele.

A construção dessa passividade veio da propaganda nazista, da imprensa a favor do governo. Mas não vamos pensar que eram jornalistas quaisquer, com formação de jornalismo. As pessoas que escreviam artigos a favor das ideias de Hitler eram acadêmicos adeptos do nazismo velado, escondido em seu interior.

Então editores escreviam artigos dizendo que a economia alemã estava melhorando, que a inflação estava caindo com Hitler, que a culpa pelo desemprego era dos judeus, que a Alemanha era boa e pacífica, mas que a Austria, depois a França, depois a Holanda e assim por diante, queriam acabar com o "orgulho e união do grande povo alemão". E por isso, para manter a economia, a autonomia de "sua bandeira", eles deveriam invadir e dominar o inimigo ao lado.

E com esses editores, professores renomados da época, convenceram primeiro a classe mandante economicamente falando, depois a casta mais baixa sob a tutela de dados que corroboravam com o crescimento alemão "graças" a Hitler.

Nessa semana alguns acadêmicos se pronunciaram a favor de Temer, para julgar e divulgar um relatório em que categoricamente vão afirmar que a recessão acabou. E colocaram "nossos" nomes de peso na economia. Não, não, não.

Nenhum é prêmio Nobel em economia. Não são economistas com 300 artigos em revistas internacionais, não são pessoas que realmente mudaram a economia para melhor, não são acadêmicos que gostam de dar aulas. Na realidade alguns tem um currículo ridículo, mas posam de "renomados".

São nomes de peso sim. Mas de peso político-acadêmico. Um peso político-acadêmico é aquele incapaz de tocar uma pesquisa séria, inovativa, audaciosa, que virou ministro da fazenda por amizade com político, professor que mexeu entre os colegas para virar chefe, para virar coordenador, para ser amigo de jornalistas e aparecer nas televisões e assim por diante. Quem irá contestar esses "grandes economistas" que sempre aparecem falando em horário nobre?

Ou ainda, quem irá contestar os dados ou resultados por eles apresentados? Onde já se viu? Que insulto?

Nessa semana o IBGE soltou a pesquisa chamada de Pnad-Continua que avalia o grau de desemprego no Brasil. E o estardalhaço sobre a queda do desemprego, como no caso nazista, foi enorme. Mas ao invés de somente ler a notícia da imprensa, quem realmente foi ao site fonte, o site do IBGE, para ver o que eles dizem?

Para ler completo, acessar aqui o site do IBGE sobre a Pnad.

Eles falam sim, sobre a queda no desemprego. Mas falam também que:

Existe alta no desemprego de quase um milhão de pessoas na comparação anual. Também falam sobre a diminuição ainda crescente das pessoas com carteira assinada (quase um milhão):

Mas a imprensa somente noticiou a queda do desemprego e o aumento do emprego informal. E aí começou aquela enrolação de entrevistas com a senhora que produz placas com plantas, ou então com o empregador que só tinha 3 funcionários e contratou mais 4 e assim por diante.

Nós prevímos tudo isso, quando no início do ano, fizemos uma estimativa para a produção industrial mensal. Caso o leitor não se lembre, favor ler novamente nosso texto de fevereiro desse ano: "Indústria terá recessão até 2019". Nós alertamos no texto que a produção industrial cresceria no acumulado, mas até um certo ponto máximo para depois voltar a declinar. Deixamos o link com as tabelas e dados do próprio governo sobre a produção industrial.

E com base no passado, ajustamos um modelo matemático para criar o cenário nesse ano de 2017. E como o leitor poderá ver, o modelo que ajustamos aos dados, até o momento tem se comportado muito bem, acertando até o momento sobre os limites da previsão em fevereiro.

Naquele mês o gráfico anterior estava com apenas os limites da previsão. Ao longo do ano estamos verificando que até o momento (veja a linha laranja com quadrados) a previsão tem se comprovado, sem alteração nenhuma de nenhum parâmetro ou ajuste. Deixamos fixos os limites do modelo e só estamos acompanhando, colocando os dados reais (laranja).

O governo e sua rede de propaganda vai ainda fazer a "festa" de notícias por mais dois meses. Se o modelo se comprovar, teremos até dezembro um crescimento acumulado de 12 meses de até 1,35%. O leitor deve imaginar a festa que será?

Mas depois a produção despencará novamente podendo chegar em dezembro do ano que vem em 4% de queda.

O que reforça acreditar que realmente isso poderá acontecer são dados não expostos pela imprensa, pela propaganda ou aopiadores desse governo.

Por exemplo, no IPEADATA, site do próprio governo com todas as séries econômicas, tomamos alguns dados não divulgados.

Por exemplo, ao lado, temos o faturamento da indústria desde 2014. A linha vermelha é a tendência dos dados. O que se vê é que a produção industrial veio caindo e "patina" desde dezembro de 2015 em baixa.

Os tais crescimentos que são ditos, realmente ocorrem, mas ocorreram antes também. É só observar o que aconteceu entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016.

De 2016 para cá a média de faturamento foi de 7% acima dos faturamentos de ... 2006!!

O IBGE padroniza essa série adotando como 100 o ano de 2006.

Passaram-se 11 anos e nossa indústria cresceu em faturamento menos do que a soma acumulada de toda a inflação do período.

 

 

Vendas na Indústria ( Série do IBGE que coloca 100 = 2006)

 

Vendas no Varejo ( Série do IBGE que coloca 100 = 2014)

Mas para um país realmente crescer, não só a produção deverá crescer. Muito menos essa "balela" de índice de confiança. O resultado prático para a indústria são as vendas.

São as vendas, negócios fechados, dinheiro em caixa, é isso que conta para o otimismo. Mas quando olhamos ao lado os dados de venda, vemos que no último dado publicado de agosto o nível foi o mesmo de fevereiro de 2016.

Onde está o crescimento em relação 17 meses atrás? Zero.

O IBGE também divulgou que o número de emprego informal foi o que fez com que a taxa desemprego caísse. E para isso, as pessoas com mais dinheiro no bolso vão gastar mais, certo?

Não é bem assim. Como podemos ver no segundo gráfico ao lado, as vendas no varejo, aquelas que as pessoas comuns compram em pequena escala está ao redor de 90%.

O IBGE coloca essa série onde 100% é 2014. Assim sendo, as vendas no varejo em agosto estão 10% mais baixas do quem em 2014.

Mas elas vão crescer novamente e o governo junto com aliados vai vir com propagandas otimistas para nos convencer que o caminho está correto.

Mas olhe ao lado, caro leitor.

Sempre isso acontece de outubro pra frente. O gráfico que parece um batimento cardíaco se repete em todos os anos nessa época e nada tem a ver com governo.

É o efeito das compras de Natal e não da política do governo quando os dados aparecerem.

Vão dizer que "é um remédio" amargo que está dando certo, pois o caminho está correto na direção do crescimento.

Errado de novo. Isso se chama sazonalidade. Sempre ocorre na mesma época do ano.

O relatório dos "personagens de peso" que vão dizer que saímos da recessão será uma maldade com o leigo. Eles esperaram até a sazonalidade ser positiva, exatamente nessa época do ano. E com o dado da produção industrial, mais a taxa de desemprego caindo, mais a taxa de juros caindo (com o desemprego ainda em 12 milhões) vão colocar inúmeras tabelas e gráficos para convencer que "tudo está melhor".

Mas são "acadêmicos" !

Sim, mas são pessoas.

E como todo ser humano, tem suas fraquezas pessoais, suas verbas aprovadas pelos políticos para eles tocarem projetos com bolsas para estudantes, suas assessorias bem pagas por gente ligada a Temer, seu ego em aparecer em rede nacional e nem por isso quer dizer que são bons ou corretos.

Só para comparar, a prestigiada HARVARD ECONOMIC SOCIETY desde 1930, nunca mais faz previsões. Motivo? Erraram todas sobre o final da recessão nos EUA. Já escrevemos sobre isso em "Sobre a arte de fazer previsões". Só para repetir aqui, veja os erros da academia:

 

 2/11/1929 - "The present recession, both for stocks and business, is not the precursor of business depression"
10/11/1929- " A serious depression like that of 1920 is outside the range of probability"
21/12/1929- previsão para o ano seguinte: "A depression seem improbable"
18/1/1930 -" There are indications that the severest phase of the recession is over"
1/3/1930- "Manufacturing activity is now definitely on the road to recovery"
22/3/1930- "The outlook continues favorable"
19/4/1930-"by May or June the spring recovery forecast in our letters of last December and November should be clearly apparent"
24/5/1930- " the conditions continue to justify the forecasts"
21/6/1930-" despite existing irregularities there would soon be improvemnet"
.........
........
agora a melhor:
15/11/1930 --- " We are now near the end of the declining phase of the depression"

 

E nessa academia os economistas eram e ainda estão entre os melhores do mundo.

Logo, seja o que vier desse relatório dos "frágeis notáveis" do Brasil, esqueça, nossa indústria ainda vai perecer por muito tempo.