
Sexta-feira, 01 de Junho, 2012
Quem é o inimigo comum? Não sou um pessimista. Perceber o mal onde ele existe é, na minha opinião, uma forma de otimismo. [Roberto Rosselini, cineasta] Em 1988 o saudoso Carl Sagan foi convidado por dois diretores de revistas nos EUA e na União Soviética para escrever um artigo provocativo sobre os dois países com "total" liberdade. O próprio Carl revela as censuras sofridas no texto após terminado. Em seu livro Bilhões e Bilhões ele comenta o tipo de censura sofrida pelo governo soviético. Mesmo com essas censuras o belo texto com o título Inimigo Comum ("The Common Enemy") ganhou prêmios pela sua coragem e abordagem delicada. Vale a pena conferir as exposições sobre a fraqueza de espírito, tanto do lado americano quanto do lado soviético. Falar em termos de inimigo pode parecer teoria da conspiração, onde o Estado está escondido armando tudo contra todos, e que o Estado sabe tudo sobre todos. Não, o Estado não sabe tudo sobre todos, mas sabe tudo o que deseja sobre quem ele pretende perseguir. Então o Estado é o inimigo comum a ser batido? Não, claro que não. Como bem explica Carl Sagan, somente se um E.T. ameaçasse a Terra, todos se uniriam contra o mal comum. Combater o próprio Estado seria dar um tiro sobre si mesmo. Mas combater as más pessoas que usam a máquina do Estado para se beneficiar dela deve ser o foco de todos. Todo cidadão deve abolir de seu pensamento de justiça a impunidade àqueles que estão no poder e dizem que "não sabiam", que "não conheciam", que "não era amigo". Quem é adulto e trabalha em qualquer tipo de empresa sabe das relações espúrias dos colegas e de quem são amigos e quem são esses amigos. É intolerante e inaceitável as frases de desconhecimento serem usadas como defesa. Não, caro leitor, esse não é um texto para apenas criticar as empresas públicas ou estatais, ou ainda o próprio governo que tem todos os erros que já conhecemos. Os empresários brasileiros infiltram o tempo todo na mídia a ideia de que a iniciativa privada é o mocinho e o governo é o bandido. Pessoas estão trabalhando de ambos os lados, tanto as más quanto as boas. Ambos os lados possuem pessoas tentando se beneficiar em causa própria.
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Todos os bancos, brasileiros ou não, investem mais do que podem em ativos de risco alto. Todos os bancos faltam com a verdade sobre esse tipo arriscado de investimento, seja em operação de moedas, commodities, índices futuros ou operações com ações. Quando se beneficiam ficam calados, mostrando resultados astronômicos como se fossem uma competência acadêmica. Mas quando erram, buscam colocar a culpa em funcionários ou na crise. Que crise? Quem gera e gerou todas as crises financeiras modernas foram bancos. Quem fez o J.P. Morgan americano perder US$2 bilhões?(Bloomberg). A crise? O funcionário? Quem deixou o departamento de análise de risco do banco mudar "infantilmente" a fórmula do Value at Risk. Inventar outra fórmula não é para analista, eles não tem essa capacidade. A criação é algo que deve ser pensada, ponderada, discutida, apresentada em congresso, artigos e finalmente testada. Uma ideia leva anos e não apenas alguns dias de um banco que acha que pode fazer tudo no mercado. Isso é para acadêmicos (que mesmo assim ainda erram) e não para analistas. O prêmio Nobel para os criadores da fórmula de precificação de opções Black-Scholes não veio da noite para o dia. Os próprios autores perderam muito dinheiro na década de 1970. O reconhecimento veio após 3 décadas e não em um ano. Chega a ser ridículo analista de banco se achar na capacidade de "inventar" fórmulas para fazer previsão e bater o mercado. Ele pode bater muitas vezes, mas quando apanha, o banco quebra e quem sofre são os clientes em filas e pânico. Eles não aprendem isso. Será que o banco Bankia da Espanha quebrou por causa da crise? Claro que não, essa crise já vem de longa data, relatada por nós há muito tempo ("Os ventos de Colombo" e "Castanholas ao chão"). Quebrou pois pegou a ajuda fornecida pelo Banco Central Europeu e apostou, brincou e especulou na Grécia (mesmo quebrada) e em outros países. Se tivessem feito caixa, não teriam quebrado. Quem disse que foram apenas EU$ 19 bilhões de perdas. A notícia da CNN já nos revela que foram EU$ 100 bilhões! Parafraseando o saudoso Carl Sagan, se um E.T. chegasse na Terra querendo destruí-la, todo mundo se uniria para combater esse mal. Mas será que esse E.T. já não está entre nós disfarçados de ... bancos? Ninguém pode viver sem bancos, podemos pensar assim. Errado. Os bancos é que precisam do seu salário, do seu seguro, do seu dinheiro. Em uma semana, com todo mundo sacando seu dinheiro, o banco para. É assim que acontece em crises financeiras. Reis na França perderam sua cabeça na guilhotina por causa de bancos. O fato é que o Federal Reserve vai voltar a soltar o quarto período de quantitative easying e isso só vai piorar a situação com já afirmamos antes ("Nova crise já tem dono: Federal Reserve"). Os bancos pressionam e sonham com isso, precisam continuar com a roda girando ... dizem eles. Acontece que a roda já está girando ... em falso, sem empregos, sem democracias, com a volta dos radicais nazistas na Grécia, na Itália, com a fome aumentando na Africa, no nordeste do Brasil, com a produção caindo, com a falta da verdadeira economia funcionar para o bem estar humano. Quem é nosso inimigo? Os E.Ts ?
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