Sábado, 08 de Setembro, 2018

 

Instabilidade política só aumenta aos olhos do mundo

"O Brasil é um país seguro. As instituições estão funcionando".

Verdade?

Não é o que parece aos olhos internacionais. Na verdade o Brasil já é considerado um dos mais inseguros em termos de política, ali, bem perto de um golpe. O que temos mais próximo de uma medida é o conhecido Political stability index, construído e medido regularmente pelo Banco Mundial (site: Global Economy).

Gostando ou não, esse índice captura a situação de todos os países do mundo no que se refere à política desde 1996, e ainda disponibiliza de forma gratuita uma tabela completa com dados históricos dessas medidas. Aos olhos do Banco Mundial somos péssimos do ponto de vista de estabilidade em nossa política.

No último ranking publicado em 2016 estamos na posição 133, atrás de uma porção de países que, via de regra, consideramos piores do que nós, tais como Indonésia, Macedônia, Angola, e Tanzânia. Parece absurdo, mas nesse último ranking, até mesmo a Argentina é considerada mais estável e respeitosa da constituição do que o Brasil.

A Argentina está na posição 85 e o Peru na posição 112, todos à frente dessa nossa política desmotivante de se acompanhar. O índice é medido em pontos, consolidados com ponderações de diversas medidas, tais como pesquisas de satisfação, ataques aos direitos humanos entre muitas outras medidas que o Banco Mundial faz.

Não concorda? Vamos deixar pra lá? Não é bem assim.

Pode não ser o melhor dos mundos, ou o melhor dos índices, mas o Banco Mundial e FMI levam esse índice em consideração para liberar empréstimos financeiros em situação de crises. Está aí a Argentina com sérias dificuldades para receber auxílio do Banco Mundial e um dos motivos é sua posição ruim nesse índice (e o país é melhor colocado do que o Brasil).

O primeiro gráfico ao lado é o histórico do índice de instabilidade política para o Brasil, construído à partir da base de dados do Banco Mundial.

O índice oscila entre valores positivos e valores negativos. O país mais seguro e estável politicamente para o Banco Mundial é a Singapura, seguida da Nova Zelândia.

A Islândia está em oitavo lugar com a Suiça em nono lugar. A pontuação desses países está ao redor de 1,4 pontos.

O valor da medida para o Brasil é negativo, em 2016 sendo de -0,45. Como pode ser visto ao lado, só tivemos dois momentos que fomos considerados estáveis na política, com valores positivos e relativamente altos.

O melhor momento foi em 2002 com 0,33 pontos e 2009 com 0,17 pontos. O pior momento foi na última medida em 2016, com -0,45 pontos.

Como comparação do histórico, por exemplo temos os dados do Canadá que está em décimo segundo lugar.

Até mesmo Cuba, a ilha do ditador Fidel Castro está com bons olhos para o Banco Mundial.

Segundo eles, Cuba está na posição 61 e tem valores crescentes nos últimos anos por conta de sua abertura de mercado.

Um país que vive cheio de conflitos e passeatas nos últimos tempos é a França. Para o Banco Mundial a política da França está se deteriorando e piorando ano após ano.

Como pode ser visto ao lado, a tendência do índice é de queda forte, talvez provocada pelos conflitos em aceitar ou não os imigrantes que estão chegando ao território.

Governos que tentam resolver o problema da imigração de quem foge de regiões de conflito usando ajuda social estão sendo derrubados por voto, por golpe parlamentar ou por revolta popular.

Até mesmo os EUA estão sofrendo com o governo Trump, com aparição negativa todos os dias em todos os noticiários.

A cada duas semanas um membro do alto escalão é demitido por Trump, chamado de infiel ou traidor.

Isso obviamente que gera uma instabilidade e insanidade entre as pessoas que assistem a essas brigas mais voltadas para seu ego do que para o cargo que realmente ocupam.

Com o montante de dinheiro desperdiçado nos EUA, por conta dos diversos lobys (como armas, químicas, remédios, etc) a honestidade da representatividade não conta mais, mesmo na mais democrática das nações.

Percebendo isso o antigo presidente Obama resolveu voltar essa semana ao cenário político, fazendo campanha para a eleição dos deputados do seu partido.

Índice de Instabilidade Política no Brasil

 

Índice de Instabilidade Política no Canadá

Índice de Instabilidade Política em Cuba

Índice de Instabilidade Política na França

 

Índice de Instabilidade Política nos EUA

 

 

O índice dos EUA, pelo menos aparentemente parece fiel ao que aconteceu nos EUA. Ao lado colocamos o gráfico da insegurança política nos EUA.

Como pode ser visto, um momento bastante crítico foi entre 2003 e 2004 por conta do governo desastroso de Bush. Enviando tropas ao Iraque para capturar e matar o ditador Sadam Hussein, favoráveis e contrários a essa ação se degladiaram no congresso americano.

O índice de Banco Mundial que estava em mais de 1,0 ponto em 2000, caiu e ficou negativo para -0,4 pontos em 2004.

Mais recentemente podemos ver uma queda mais pronunciada em 2016, exatamente por conta da eleição nos EUA. O que esperar do índice quando for atualizado para os dados de 2018?

Com certeza, se manter sua fidelidade, a segurança política dos EUA deverá também voltar a cair forte.

Com os dados do Brasil, resolvemos calcular a curva de probabilidade ajustada. Talvez as probabilidades não reflitam a instabilidade política real, mas é o melhor que temos como índice quantitativo para essa situação.

Ao lado no gráfico, a curva azul é a representação conhecida com "densidade" de classes que representam os dados sobre a política no Brasil. A curva laranja ajustada é a probabilidade conhecida como "normal" ou "gaussiana".

É através da curva normal que, com uso da média e desvio padrão, poderemos inferir algo como chance de melhora ou piora de cenários probabilísticos.

Por exemplo, podemos calcular nossas chances de melhorar ou piorar com base no histórico desses dados.

Qual a probabilidade de piorarmos ainda mais nossa instabilidade política?

O resultado foi de 7,6%. Ou seja, o Brasil tem probabilidade de ficar ainda pior do que está em termos de política, segundo aos olhos do Banco Mundial em 7,6%.

 

Um outro cenário que calculamos com base nesse índice é sobre: Qual a probabilidade de termos uma estabilidade melhor do que a Argentina (segundo o Banco Mundial)? Nosso cálculo nos mostrou que temos apenas 4,9% de chance de melhorarmos nossa política a ponto de ultrapassar a condição da Argentina.

Com esses dados temos probabilidade de 35% de termos uma condição política melhor do que a França, 1,1% de sermos melhores do que os EUA e apenas 0,000000000000036% de sermos melhores do que a Singapura, o país mais estável em política segundo o Banco Mundial.

Para nossa tristeza, essa é a probabilidade de um impacto da Terra com um grande asteróide. Assim, é mais fácil um asteróide destruir o planeta do que o Brasil ser exemplo de política para o mundo!

Mas não precisamos ser exemplo para ninguém.

Não precisamos ser Singapura, podemos ser nós mesmos, porém educados, com vontade de trabalhar, com respeito ao próximo. O grande problema é que as pessoas de bem, deixaram boçais ignorantes assumir o comando do país, dos estados e munícipios.

A que ponto chegamos de permitimos que políticos tirem fotos segurando armamento pesado, ameaçando matar outras pessoas porque são de outro partido, instigando ódio, racismo, xenofobismo em nome de seu dogma falso e medieval. Como podemos deixar esse tipo de gente sair formado de nossas escolas do ensino médio?

Sem arrumarmos a educação, não conseguiremos nunca avançar em nenhum índice. Sem a educação, não existe debate de ideias, não existe tolerância, não existe justiça real e verdadeira.

Como deixamos sair formados juízes que num dia faz uma análise votando de um jeito, e dois dias depois muda a análise e vota de outro jeito?

Como deixamos pessoas que se dizem representar o povo no ministério público sairem numa caça midiática acusando a todos. Numa cidade do interior de São Paulo, um prefeito com medo do ministério público demitiu todas as vices-diretoras das escolas públicas!

Com medo do ministério público existem hoje pesquisadores devolvendo dinheiro de projetos com medo de acusação de uso ilícito de verba para compra de equipamentos ou softwares. Isso está tudo errado! Esse país não precisa de índice internacional para medir a loucura das pessoas, precisa de médicos e hospícios em quantidade para internar todo mundo.

Deixamos por fim, nossa insatisfação tomar conta da razão, e com isso, demos poder a quem nunca poderia estar onde hoje está!