
Sábado, 12 de Fevereiro, 2011
A base frágil do Dow Jones
Um ditador perdeu o poder depois de anos de ostracismo e perseguições, liberando uma revolução popular que a princípio seria a liberdade de um país. Esse ditador era apoiado pelos EUA que se importava em ter uma base no mundo Árabe devido à enorme quantidade de petróleo. Não, definitivamente não estamos falando de Hosni Mubarak, agora ex-presidente do Egito. Esse fenômeno aconteceu em 1979 quando a população liderada pelo Aiatolá Khomeini expulsou o ditador xá Reza Pahlevi do Irã. Retornando do Exterior, Khomeini influenciou a população para se rebelar contra os abusos da ditadura apoiada há anos pelos EUA e Europa. O problema é que Khomeini induziu a população a usar a fé em Alá para expulsar todos os demônios do mundo Árabe. Como toda religião, o abuso do radicalismo leva a população a enxergar apenas a fé como salvação. A princípio o Ocidente (assim como agora no Egito) pensava que o Irã seria uma democracia, uma democracia diferente, mas um regime popular que poderia comprar muitos produtos para se modernizar. Já que a população era oprimida, com a revolução popular o atraso de anos poderia ser compensado com novos parques industriais, novas fábricas e um novo relacionamento comercial. A única preocupação era o petróleo, mas o Ocidente imaginava que uma boa conversa resolveria com a democracia popular. Todos estavam enganados. A cada semana Kohmeini mostrava suas garras e fechava o Irã para o mundo. Usando a religião como pano de fundo, o Irã não percebeu que apenas estava trocando um regime ditatorial por outro. E o mundo também não. O mundo não entendia e os EUA muito menos. O gráfico a seguir mostra o comportamento do Dow Jones após a revolução islâmica, com uma certa alta no valor dos preços das ações. Os empresários americanos acreditavam que a revolução não era tão ruim para os negócios e nos primeiros dias o índice Dow Jones subiu 12,5%. Mas então... Veio o seqüestro dos americanos na embaixada dos EUA. Os seqüestradores, orientados pelo regime de Khomeini, invadiram a embaixada americana e ameaçaram assassinar todos os funcionários que lá trabalhavam. O governo do Irã nada pronunciava e o Ocidente assistia boqueaberto ao acontecimento. Na época o presidente era Jimmy Carter que teve uma relação exterior com o Irã de péssimo estadista. Não soube negociar, ameaçando a toda semana uma invasão ao Irã para resgatar os americanos na embaixada. Tudo piorou e a oscilação no gráfico acima mostra que quando as negociações andavam Dow Jones subia, quando as negociações paravam o índice caía. A oscilação devido a indecisão de Carter levou todo o ano de 1979. E então, no dia 23 de Fevereiro de 1980 os EUA resolveram invadir o Irã, enviando helicópteros numa madrugada fria para surpreender o regime de Khomeini. Os militares enviados era a tropa de elite dos EUA e os equipamentos os mais modernos da época. Os helicópteros caíram e todos os soldados morreram. Foi o ponto alvo para Khomeini que alardeou por todo o mundo Árabe que Alá apoiava seu regime e que um "milagre" ocorreu pela intervenção de Alá. Era ano de eleição nos EUA e foi o começo da derrota de Jimmy Carter para o estadista e ator Ronald Regan. A indecisão do índice Dow Jones se desfez e os empresários tomaram sua decisão: vender! O gráfico a seguir mostra como foi o comportamento das ações após a queda dos helicópteros americanos, levando Dow Jones a perder 14% em pouco mais de um mês. |
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O departamento de Estado dos EUA adora fazer previsões sobre as direções dos acontecimentos no mundo. E eles erraram na ocasião, ao afirmar que a operação seria um sucesso. A operação foi um fracasso, Carter perdeu a eleição e quando Regan assumiu o governo dos EUA, os reféns foram libertados após mais de 440 dias. O segredo de Estado não revelado até os dias de hoje é que Regan teria ordenado um pagamento recorde ao regime para a compra da liberdade dos reféns. O fato é que após esse "sucesso de negociação", o nome de Ronald Regan passou para todos os países do mundo como o maior estadista desde Churchil. Por isso os acontecimentos do Egito não terminaram. Mais reis e ditadores vão cair. Outros problemas até mais sérios para o Ocidente vão surgir. A única certeza é que qualquer problema fará o índice Dow Jones recuar muito. Um dos problemas que poderá surgir é a relação entre Egito e Israel. Agora que o regime caiu, Israel é uma ilha e os EUA perderam sua base de apoio. O Hamas com certeza vai se aproveitar dessa situação e persuadir, mesmo que lentamente, a população em busca da fé contra o Ocidente e contra Israel. Nas próximas semanas as bolsas vão responder ao incidente do Egito e o próprio Egito vai responder ao seu novo estado de direito. Os militares vão querer permanecer no poder, mas os militares ligados ao Hamas vão crescer. A história que será escrita nos livros daqui cinco anos ainda não terminou. Suas páginas estão em branco esperando as próximas semanas que vão envolver Líbia, Argélia, Iêmen, Tunisia e Jordânia. E o valor do Dow Jones e das bolsas estão agora sem suporte, pois o futuro não é um método de Monte Carlo. Ele não acontece aleatóriamente várias vezes, acontece apenas uma vez.
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