Desmistificando a "Guerra entre Comprados e Vendidos"

 

É muito comum nos dias próximo ao vencimento de opções, (terceira segunda-feira de cada mês) e também próximo ao vencimento de contratos de índice futuro (segunda quarta-feira dos meses pares), surgirem discussões ou comentários sobre a “guerra entre comprados e vendidos” nos mercados, nos sites ou nos artigos dos jornais de economia.


Frases como: os vendidos estão dominando os negócios ou os comprados perderam a batalha e vice-versa. Mas, de onde vem este fundamento? Qual a lógica envolvida neste assunto? Por que este fenômeno acontece? Pois bem, vamos começar esclarecendo sobre o que são derivativos (opções, termo, swaps, contratos de índice futuro, contrato de dólar futuro, etc.) e para quais finalidades eles foram criados.


Um derivativo é um instrumento financeiro cujo preço de mercado deriva do preço de mercado de um ativo/bem ou outro instrumento financeiro que lhe serve de referência. O instrumento ou produto derivativo é um contrato ou título conversível cujo valor depende integral ou parcialmente do valor de determinado ativo ou de outro instrumento financeiro.


O mercado de derivativos tem como principal função disponibilizar ferramentas para o gerenciamento de riscos (hedge), ou seja, transferência de riscos inerentes aos ativos nos quais são baseados entre as partes contratantes.


Definições:


CONTRATOS A TERMO são acordos de compra e venda de um ativo, a certo preço estabelecido entre as partes, para liquidação em uma data futura específica. Esses contratos são intransferíveis e sua negociação pode ocorrer tanto em mercado de balcão como em bolsa.


SWAPS são acordos privados entre duas empresas ou instituições financeiras para a troca futura de fluxos de caixa, respeitada uma fórmula preestabelecida. Consistem em um tipo de contrato a termo.


CONTRATOS FUTUROS são acordos de compra/venda de um ativo para uma data futura a um preço estabelecido entre as partes quando da negociação. Esses contratos são padronizados em relação à quantidade e qualidade do ativo, formas de liquidação, garantias, prazos de entrega, dentre outros, e têm negociação apenas em bolsa, sendo possível a liquidação do contrato antes do prazo de vencimento.


CONTRATOS DE OPÇÕES são acordos nos quais uma parte adquire o direito de comprar (vender) um ativo a um preço preestabelecido até certa data e a contraparte se obriga a vender (comprar) esse ativo, em troca de um único pagamento inicial, chamado de prêmio. As opções também podem ser negociadas em mercado de balcão, caso das opções flexíveis. Quando negociadas em bolsa, a padronização dos itens contratuais é semelhante à dos contratos futuros.


Das definições acima os contratos futuros e os contratos de opções são negociados somente em bolsa, sendo que os demais são negociados entre as partes e registrados ou não em bolsa.


Fonte: BM&F BOVESPA


Como descrito acima, os derivativos foram originalmente criados para serem instrumentos de controle de risco “hedge”, mas como o mercado é dinâmico, muitas vezes os investidores acabam usando estes instrumentos para especular no mercado. Isto acontece porque  os preços destes derivativos são muito inferiores se comparado aos seus ativos subjacentes.


Assim, por exemplo, no inicio de uma serie de opções da Petrobras (PETR4), em função da perspectiva de alta ou de baixa dos papeis da Petrobras muitos investidores montam suas posições e estratégias e passam a gerenciá-las de modo a obter vantagens ao final do período da serie de opções em questão.


Aqueles que esperam que a PETR4 suba no período, compram as opções de compra (Call) ou vendem as opções de venda (Put), e aqueles que pesam o contrario vendem as opções de compras (Call) ou compram as opções de vendas (Put) na esperança de que suas observações ou convicções se confirmem ao final da serie.


Desta forma, os grandes “Players” de posse de suas estratégias passam a negociar também os papeis da Petrobras forçando-os a seguir suas convicções, visto que todo derivativo depende diretamente do seu ativo subjacente. Se na semana que antecede o vencimento da série de opções em questão, os comprados nas opções de compra da PETR4 estiverem em vantagem, eles tentarão a todo custo manter os preços do papel PETR4 acima dos preços de exercício das opções compradas.  Enquanto isso, na outra ponta, os vendidos em opções da PETR4 farão todo esforço para manter os preços da PETR4 abaixo do preço de exercício das opções vendidas e assim ganhar com o prêmio recebido pela venda das opções.


Assim, na véspera do vencimento das opções, o lado que se sentir em desvantagem fará o possível para reverter à tendência e caso perceba que não há como vencer, imediatamente tentarão fechar suas posições compradas ou vendidas, comprando ou vendendo as ações do ativo subjacente conduzindo ainda com mais força os preços para o lado vencedor.


Este raciocínio se repete para qualquer outro tipo de derivativo, pois todos eles têm um prazo pré-estabelecido para terminar e próximo a esta data este confronto vai acontecer com qualquer tipo de derivativo.


Vale lembrar ainda que quem compra um contrato futuro ou uma opção de compra está comprando um direito e não uma obrigação, pagando um prêmio por está estratégia, e caso sejam derrotados apenas perderão o valor pago (prêmio) pelos derivativos adquiridos.  Por outro lado, aqueles que vendem um contrato futuro, ou uma opção de compra, estão vendendo uma obrigação, ou seja, terão que entregar o ativo subjacente ao derivativo vendido na data do exercício contratado. Eles ficarão apenas com o valor do prêmio recebido no momento da venda.


Muitas vezes os vendidos vendem a descoberto, ou seja, vendem derivativos de ativos que não possuem em suas carteiras, com o objetivo de recomprar tais derivativos mais baratos quando os ativos adjacentes caírem de preço. Neste caso, se eles estiverem errados e os ativos subirem de preço, eles serão obrigados na data do exercício a comprar tais ativos a preço de mercado para então entregá-los aos compradores, forçando às vezes, um aumento exagerado dos preços dos ativos subjacentes na data do exercício.


Vale a pena ressaltar que os investidores que usam os derivativos com o propósito para os quais eles foram criados, ou seja, como instrumentos de “hedge", nada sofrem nestas datas pois, os compradores exercem seus diretos comprando os papeis ou contratos e os vendidos cumprem com suas obrigações entregando os papeis ou contratos nas datas e valores ajustados previamente.
Portanto, a “guerra entre comprados e vendidos” somente existe em função dos especuladores de mercado, que buscam tirar grandes vantagens das operações com derivativos, comprando ou vendendo aquilo que não possuem ,ou que não tem recursos necessários para honrá-los.


Pequenos investidores que se aventuram neste segmento de mercado acabam se submetendo ao desejo e anseios dos grandes “players”, pois como são pequenos, não possuem força suficiente para modificar tais tendências. Para estes pequenos investidores sobra apenas a tarefa de tentar identificar quem são os grandes “players” que estão movimentado o mercado e para que lado eles estão posicionados e em seguida tentar surfar estas ondas junto com eles.


Quer saber mais sobre as tendências do mercado sob a visão gráfica, acesse o site: www.maurimendes.com.br


Um abraço e boa semana!

 

 

 

email: Maurimendes@uol.com.br

 

COLUNA - Mauri Mendes

Desmistificando a "Guerra entre

Comprados e Vendidos"

 

Consultor Mauri Mendes

(Especialista em Controladoria Financeira)

APVE - EMBRAER


 

 

 

 

 

 

03-Fevereiro-2013