Um mantra: "Compre na baixa e venda na alta"

 

Vivemos um momento difícil na bolsa brasileira. Enquanto as bolsas americanas e europeias atingem suas máximas, nossa bolsa passa por um momento crítico totalmente descolado dos mercados globais. O país vive um momento atípico com a população jovem indo às ruas protestar, deixando os políticos com as calças na mão, apavorados, votando coisas encalhadas há anos em minutos.


A economia passa por um período de reajuste, enquanto o ministro da fazenda continua afirmando que tudo está caminhando bem. Mas os números não corroboram com esta visão desconecta. O PIB ou “Pibinho” como dizem por ai, deverá ficar abaixo de 2% este ano enquanto as taxas de juros já reverteram a tendência de baixa e devem fechar o ano acima de 9% certamente.


Contudo, para quem está acostumado a investir em renda variável surge um dilema interessante que pode ou não se traduzir em oportunidade:


“Compre aos sons dos canhões e venda aos sons dos violinos”!


Quem nunca ouviu ou leu sobre a frase acima, rotineiramente falada nos cursos de introdução ao mercado de renda variável pelos instrutores, que muitas vezes, nunca investiu um centavo na bolsa. Pois bem, o momento atual é de canhões, estamos vivendo um período de baixa nas bolsas. O indicador IMA-Crash diário está em zero e o IMA-Entrada diário próximo de 1, então é para comprar?


Mas comprar o que? Qual segmento? Qual empresa está interessante?
Será que a “lei de Murphy” ou aquele velho ditado popular que diz: “Nada é tão ruim que não possa ficar pior” vai continuar assustando os investidores bursátil? Cuidado! Muito cuidado!


Realmente, mesmo nos piores momentos há sempre boas empresas que conseguem passar ilesas pelas crises, porém achá-las não é tão simples assim.
Nos últimos dias muitos analistas, especialistas de mercado e blogueiros começaram a publicar textos anunciando que um grande número de empresas da Bovespa está com seus preços muito baixos, ou melhor, estão operando abaixo do seu valor patrimonial. Mas, o que isto significa?


Normalmente, e de maneira simplista usa-se a formula (P / VPA), ou seja, preço da ação (P) dividido pelo valor patrimonial por ação (VPA).
Vamos ver um exemplo prático:


Petr4 (Petrobras PN)
Preço de fechamento do dia 12/07/2013 = R$ 15,43
Patrimônio Líquido Contábil: R$ 335,44 (Bilhões)
Número de ações no mercado: 13,04 (bilhões)
VPA = 335,44 / 13,04 = 25,71
P / VPA = 15,43 / 25,71 = 0,60


Mas, o que isto significa?
Este exercício mostra que as ações da Petrobras estão sendo negociadas abaixo do seu valor patrimonial contábil e teoricamente, segundo este múltiplo, estariam baratas. Será?


A Petrobras é a principal empresa do mercado brasileiro, é a sétima refinaria do mundo, emprega mais de 85 mil pessoas, produz atualmente mais de 2 milhões de barris de petróleo dia, investe anualmente mais de R$ 85 bilhões e ainda tem o pré-sal, a maior descoberta de petróleo dos últimos anos sob seus domínios.


Então, esta seria uma ótima oportunidade para investimento neste momento?
A resposta é Sim e Não! O mercado de ações vive de expectativas e elas não são boas para a Petrobras no curto prazo, principalmente enquanto o governo continuar interferindo fortemente na sua gestão. Para escolher em qual empresa investir é preciso usar uma metodologia mais profunda e robusta chamada de “Valuation” ou Valoração.


Esta metodologia usa em seu estudo muito mais do que simples múltiplos de mercado com o P/VPA, P/L ou EV/Ebtida. É uma metodologia que exige do analista um profundo estudo dos cenários interno e externo, da gestão da empresa, dos fluxos de caixa futuros, taxas de desconto, taxa de investimento, taxa de crescimento e muitos outros aspectos intrínsecos ao negócio.


Portanto, muito cuidado com os mantras e também com os métodos simplórios de escolha para investimentos espalhados por ai.
Um abraço e bons negócios!


Mauri Mendes

 

 

 

 

email: Maurimendes@uol.com.br

 

COLUNA - Mauri Mendes

Um mantra:"Compre na baixa e venda na alta"

 

Consultor Mauri Mendes

(Especialista em Controladoria Financeira)

APVE - EMBRAER


 

 

 

 

 

 

16-Julho-2013