Quinta-feira, 26 de Novembro, 2015

 

Micros e Macros

Existe um mundo paralelo ao nosso? Sim.

E não é um mundo explicado pelos físicos ou religiosos. Esse é um mundo real, que está aos olhos de todos, mas que ninguém observa. A vida desperta a todo momento em seus detalhes, em seu microcosmo, bem embaixo de nossos pés, mas insistimos em ficar lendo e observando os fatos deploráveis de nosso mundo do dia-a-dia.

O que leva um ser humano, que já é rico e poderoso, se envolver com política suja? Essa questão surgiu em diversos blogs e textos nessa semana em referência ao banqueiro do BTG Pactual. A ganância! Esse tipo de pessoa, banqueiros de modo geral, não se contentam com suas riquezas, mas desejam ser mais ricos do que os outros, ser o mais rico de todos, ser o mais falado pela imprensa, como o "garoto de ouro" do mercado brasileiro.

A vida para políticos e para o tipo de gente que se torna rica subindo sobre as outras pessoas, além de ser uma vida confortável, cheia de privilégios e luxos, é uma vida fútil, uma vida virtual, sem realmente a compreensão do que seja a vida em seu sentido mais amplo. É simples a resposta para os textos. Quem é rico, quer ser o mais rico, pois para ele a vida é só um jogo de "banco imobiliário" ou "monopólio". E para ser o mais rico, vale tudo.

O ser humano, sobretudo o ser humano ganâncioso, é o que mais deu de errado no processo biológico da evolução. Quando olhamos para o micromundo ao nosso redor, vemos a destruição se espreitar por toda a parte. Mas a destruição tem um propósito. É uma destruição para manter constante a lei da sobrevivência, para que quem sobreviva passe seu DNA para o descendente.

Os humanos ganânciosos, sobretudo os milionários a qualquer custo, também se gabam de que a lei do mais forte impera no mercado financeiro, e só se sobressai aquele que destrói os outros em causa própria. Mas o entendimento é errôneo em relação ao mundo real. A destruição de uma espécie por outra serve para perpetuar o gene vencedor, tornando a espécie mais forte.

Já no mercado financeiro e no mercado político, a destruição não perpetua nada, destrói tudo, inclusive o destruidor. E assim, vale a pena olhar ao seu redor e compreender que você, caro leitor, faz parte do mundo, e não é mais importante que as outras espécies. Diante das tristes notícias da semana, onde os poderes do Brasil começaram a mostrar sua verdadeira faceta de falsidade, resolvemos olhar para o pequeno mundo e buscar uma esperança.

Esse inseto caiu na teia de aranha e vai morrer.

O inseto sabe que morrerá. Lutou para não morrer, mas sabe que sua vida tem um propósito para servir na perpetuação do gene de outra espécie. A aranha constrói sua teia e não tem pressa, ela sabe que mais cedo ou mais tarde seu alimento chegará. Sua teia tem o formato e a consistência moldada por milhões de anos de evolução.

Os seres humanos também concebem suas teias, teias essas de intrigas e corrupções. Mas ao tentar copiar a teia da aranha, se esquecem que não evoluíram para isso. A teia da aranha tem a forma geométrica perfeita, seguindo uma lei matemática para permitir um deslocamento rápido, econômico e preciso até o alvo. A teia da corrupção humana é frágil, pois não tem consistência evolutiva, mas serve apenas com o propósito do narcisismo.

É como se a aranha desenvolvesse sua teia apenas para mostrar para outra aranha que pode dominar seu micromundo. Rapidamente outras aranhas a destruíriam, pois no micromundo esse propósito de querer aparecer não resiste. Quem tentar aparecer demais, morre.

As redes do mundo biológico obedecem a lei da vida, a lei que indica o momento certo de se autodestruírem. Uma rede no mundo biológico que se destrói serve para construir outro mundo. Por exemplo, podemos observar essa perfeição de rede, com uma bela estrutura conectada, que parece sólida e bem distribuída.

Mas essa rede, quando se solta libera vida. São os pólens da planta a seguir, que se soltam para germinar outra planta, para manter sua espécie em evolução e transferir com segurança seu gene por gerações sem fim.

Já as redes humanas quando se soltam, quando elas se desconectam, não fazem surgir vida nenhuma. Mas pelo contrário, poderão fazer surgir mortes pela ganância descontrolada dos mantenedores dos nodos, os pólos de riqueza e corrupção.

Formiga solitária é formiga morta. A vida ensinou isso com a passagem do gene. No mercado financeiro, os "formigas" pensam o contrário. Para eles, serem os melhores, serem os maiores, serem os mais ricos os fortalecem.

Errado. Podem passar a vida inteira muito bem, com muito luxo, com muito conforto, mas não construirão nada de importante. Pelo contrário, ao passar por cima dos outros, estão destruindo a si próprios. Estão destruindo seus próprios herdeiros.

Por que as formigas são chamadas de insetos sociais? Será que é por acaso?

São insetos sociais pois tentam se mover como um único animal, formado de milhões de antenas e conexões. Já os seres desprezíveis, como os corruptos, tentam se mover como um único animal, com milhões de antenas de celulares e são mortos pelas gravações das intrigas deles mesmos.

As antenas das formigas servem de orientação para a comunidade. As antenas dos humanos servem para a desorientação e o escárnio.

Ao destruir um pássaro e arrancar suas tripas, um gavião está usando a carne para alimentar sua própria carne ou da prole. As tripas são extirpadas para a retirada da proteína necessária que lhe dará força, velocidade e energia para continuar vivendo.

Os humanos quando extirpam a tripa da própria espécie, seja ela simbólica por meio de palavras ou mesmo através da morte, estão extirpando a si próprios. Um dia, a casa cai, com certeza.

Uma frase célebre que sempre deve ser lembrada é que "ninguém consegue enganar a todos o tempo todo", nem mesmo no mundo do microcosmo acontece isso.

 

 

Um dia a casa cai. Quem tentar enganar a humanidade, quem tentar enganar a própria espécie, será no futuro conhecido como o "paspalhão", o corrupto, o "safado".

Ptolomeu e sua teoria ridícula de que a Terra era o centro do Universo, viveu em cima dessa mentira apoiada pela Igreja e após sua morte a teoria ainda resistiu por anos.

Mas não para sempre.

Hoje essa teoria é ridicularizada, o DNA de Ptolomeu morreu, se extingiu, desapareceu. A Ciência passou a limpo e eliminou do DNA humano, a ideia de que o ser humano é o centro do mundo. Mas o mercado financeiro ainda vive no tempo de Ptlomeu e crê nessa ilusão de que é indispensável.

Não viveremos para ver, mas um dia esse estilo de vida e de corrupção entre banqueiros e políticos também será ridicularizado.

Não dá para prever como, ou quando, mas se a humanidade evoluir, perceberá que a invenção do dinheiro foi um erro para a sobrevivência da espécie. Claro que o dinheiro move nossas vidas, e seria loucura imaginar que devemos acabar com essa invenção.

Mas tudo muda nas espécies, tudo se altera, tudo evolui.

Os seres humanos passaram milhares de anos observando a Lua, contenplando e sonhando sobre dragões imaginários, sobre seres e deuses que moravam em nosso satélite.

Se no ano 600 a.c. alguém argumentasse sobre ir à Lua, seria taxado de bruxo, de louco e ridicularizado. Mesmo quando Galileu mostrou a Lua com seu Telescópio as pessoas ficaram pensando que seria invenção dele. Não era possível realmente ver a Lua tão perto.

E estamos falando de apenas algo próximo de 300 anos. Então não é tão loucura imaginar que a sociedade mudará, que a sociedade punirá os gananciosos e bandidos com a sua destruição. Mas não será amanhã. Nem nos próximos anos.

Daqui milhares de anos, nossa geração será vista da mesma maneira que hoje olhamos as gerações da idade média. Se nos perguntamos como alguém acreditava em bruxas, como alguém imaginava que eclipse solar era prenúncio do mal, que a passagem de cometa era mau agouro, daqui centenas de anos dirão o mesmo de nós.

Nossos tataranetos perguntarão, como em são consciência, permitimos que pessoas tramassem fugas espetaculosas sendo de instituições que deveriam permear a ordem da população? Como os habitantes do Brasil no século XXI admitiam que banqueiros mandassem nas instituições e se enraizassem de tal maneira a prejudicar seus próprios "irmãos"?

Não tem explicação. Não quando observamos a natureza digna de evolução como a natureza biológica da vida real. Mas essa solução virá, e para ela chegar mais rápido, primeiro precisamos nos exercitar. Exercitar em escolher melhores representantes, a cobrar melhor os representantes e acima de tudo, que as pessoas de bem sejam os representantes.

É um erro falarmos apenas em eleger melhor os representantes se.... não temos melhores representantes! As pessoas honestas, as pessoas de bem, precisam sair e tomar o lugar da escória. As pessoas precisam saber boicotar setores econômicos malignos da sociedade, precisam voltar a se empenhar sobre os pilares da revolução humana: liberdade, igualdade entre as pessoas (leia-se igualdade social) e fraternidade.

A crise de 2008 é recente e ainda permitimos as mesmas práticas! Não evoluímos nada em sete anos!

Não adianta ser fraterno e desigual. Não adianta ser igual e não fraterno. E não adianta permitir que lhe tirem a liberdade, sobretudo a liberdade de agir, de criticar e de expressar sua total indignação contra corruptos e ganânciosos que extinguem qualquer população, seja ela macro, seja ela micro.

 

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