Quinta-feira, 26 de Fevereiro, 2015

 

Moody's poderá ter forte crash

O Sol começava a brilhar por entre os prédios de N.York. Os raios tinham diversas cores ao penetrar na janela de vidro blindex do Lehman Brothers e o diretor John respirava tranquilo, com um ar de alívio que podia ser sentido na sala de reuniões. Não estava tão frio, mesmo com o ar-condicionado ligado logo naquela manhã de Março de 2008. Os noticiários, pelo contrário, eram adversos para os funcionários do banco. A palavra "crise" aumentava na imprensa, com especulações sobre uma possível crise financeira.

Mas naquela manhã, John tinha certeza que tudo ficaria bem. A partir daquele dia, as coisas iriam se acertar e o majestoso banco sairia vencedor novamente. Por que? Ora, porque a Moody's acabara de soltar uma nota que tranquilizaria o mercado. O Lehman, apesar da crise, teve seu rating mantido em A1. E a Moody's ainda revisara de positivo para "estável" as notas do grande banco, que era "obviamente" grande demais para cair.

Claro que isso é uma ficção para representar outra ficção, a ficção de que a agência de risco Moody's entende do que fala. Mas fora essa ficção contada, a nota realmente existe, indicando no dia 17 de Março de 2008 que o Lehman Brothers era estável e tinha sua nota de crédito mantida em A1. Para quem desejar ler a nota completa da Moody's, é só clicar nesse link, pois ela ainda é pública (não se sabe até quando).

relatório da Moody's sobre a nota de crédito A1 do Lehman Brothers

O relatório da agência ainda diz que "...Hoje reconhece que o Lehman tem navegado muito bem através da persistente volatilidade...". Esse relatório da Moody's não era de uma década antes da crise, ou de um ano. Era de apenas seis meses antes do banco quebrar. Como uma agência de avaliação de firmas e países, não consegue prever o que acontecerá com um banco que está quebrando apenas seis meses antes do acontecimento? Que utilidade possui os relatórios dessa agência, ou ainda, que reconhecimento podemos dar a esses relatórios com enorme erro como esse? Erro esse que nunca terá uma explicação, por mais que tentem.

Em outra parte desse desastroso relatório Moody's diz que "...Moody's notou que o gerenciamento de liquidez e posições permanece robusto....". Permanece robusto seis meses antes da falência?

E o que aconteceu com essa empresa de ratings? Ganhou muito, mas muito dinheiro, mesmo errando em suas previsões. O valor de sua ação (MCO) no Dow Jones saltou de US$ 16,13 para US$ 101,55, um aumento de 529% em sete anos de avaliações.

Na realidade, depois de sérias críticas sobre suas notas favorecendo bancos e empresas que faliram, a Moody's ficou um bom tempo em silêncio. Mesmo com a crise da Grécia em 2010, a empresa ficou longe da imprensa.

Mas quando os solavancos voltaram a ocorrer no leste europeu, novamente na Grécia e agora na América Latina, em especial no Brasil, a agência volta a toda com seus cortes rápidos nas notas de créditos e sem detalhes dos cálculos.

Eles dizem que usam uma distribuição de probabilidade para riscos, mas se for a mesma apresentada em seu "manual", está errada. Eles admitem cauda fina na probabilidade.

Os cortes são rápidos demais e demonstram ser muito estranhos, tamanha a velocidade e rápida deterioração de empresas que até pouco tempo eram as "queridinhas" do mercado.

Outro fato muito estranho, é que quando vem a público, a agência diz que "até o fim do mês" será divulgada uma nova revisão dos ratings. Um mês tem quatro semanas, com exceção de fevereiro, 30 dias, 720 horas, 43.200 segundos.

Pode ser um engano de nossa parte, mas suas divulgações sempre acontecem nos piores momentos para as empresas e países.

Por exemplo, quando a Grécia estava quase entrando em acordo com a União Européia, a agência rebaixa a Grécia. Quando a Russia apertava o cinto da população, a agência rebaixa grandes empresas e bancos russos.

Caso típico que aconteceu com a Petrobras nessa semana. Depois de uma alta de 5% nas ações da petrolífera brasileira na terça-feira (24/fev/2015), na mesma noite uma nota é divulgada rebaixando a Petrobras para o grau "especulativo".

Interessante notar que foi a última notícia do Jornal Nacional da Rede Globo: "...E uma última notícia, a agência Moody's acaba de rebaixar a Petrobras para grau de especulação...". Por que a Rede Globo foi a primeira a divulgar em horário nobre o rebaixamento?

Por que a Moody's não deixou um dia marcado? Será que escolheu um dia "a dedo" propositadamente para baixar o preço das ações? E se essa foi a intenção, por que?

Mas a Moody's deveria começar a se preocupar em, ela própria, fazer seu caixa para gerenciamento de crise. O primeiro motivo é que o IMA-crash de suas ações chegou ao máximo e começa a cair.

Valor histórico da Moody's na bolsa dos EUA

Fonte: finance.yahoo

Fonte: IBGE, Gazeta do Povo-PR

sazonalidade da ação MCO

 

Espectro wavelet

 

As ações da Moody's chegaram ao patamar máximo e mostram estresse acima do normal. A queda do IMA-crash da MCO indica uma possível mudança de tendência e de mares calmos para a empresa que sempre joga turbulência na vida dos outros.

Em todas as vezes que o IMA-crash esteve acima de 0,8 para a MCO, as quedas foram superiores a 7%. Em 2012 foi ainda pior, com um derretimento de suas ações de 20% em apenas dois meses (ver tabela ao lado).

Quando se calcula o IMA de uma ação, a indicação da sazonalidade da ação aparece naturalmente. No caso das ações da Moody's, existe um indicativo de que o ciclo de seu valor máximo chegou ao fim. Poderá resisitir talvez mais um mês nesse patamar, mas deverá virar forte.

A figura ao lado mostra o ápice da sazonalidade dessa ação e uma tendência começando a surgir para a queda. E a queda poderá não ser apenas um acerto de realização, mas uma tendência que tenderá a piorar a cada mês.

O que corrobora com isso é o espectro wavelet (figura ao lado e abaixo). A tradicional figura de tufão branco que mencionamos sempre, indicando o movimento forte dos coeficientes de ajustes das ondas para as frequências altas, já apareceu e já passou.

Fora todos esses dados técnicos, uma preocupação a mais para o gerenciamento da empresa de risco, é que finalmente o departamento de Justiça dos EUA iniciou um processo de ação contra a Moody's.

Exatamente por recomendar e julgar Lehman Brothers e outras firmas e bancos em 2008 com rating AAA (ou A1), os EUA estão processando a agência por esses erros que levaram à perdas milionárias para diversos investidores.

E se for fazer um acordo com o governo dos EUA ( o que é normal ), a Moody´s pode começar a fazer um bom caixa para pagar seus erros. Conforme a reportagem do jornal O ESTADO DE S.PAULO afirmou em 2-Fev-2015, a S&Poors (outra agência de risco) pagou US$ 1,37 bilhão para terminar o processo e assumir a culpa.

Estaria a Moody´s pronta para assumir sua culpa, seus erros e seus desvios na conduta de divulgação dos relatórios como fez a S&P?

 

O mais estranho de tudo isso, é que quando a agência Moody's rebaixou a nota da Grécia, os jornais gregos criticaram a agência. Quando ela rebaixou os EUA, o presidente Obama e a imprensa americana questionaram e estão estudando um regulamento mais severo para esse tipo de relação do mercado financeiro. Quando a França foi rebaixada, a imprensa francesa criticou e apontou diversas falhas, antigas e atuais da Moody's.

Mas no Brasil, quando a Moody's rebaixa as ações da maior petrolífera da América Latina, nossos jornalistas "enaltecem" a agência e dão destaque para seu relatório que não tem valor científico nenhum! Tivemos acesso a um documento da Moody's que afirma dar "transparência" em suas decisões e demonstra como escolhe os ratings. E eis que surge uma das muitas falhas da agência. Ela supõe erroneamente que a distribuição das falências, ou calotes, segue a cauda fina da distribuição Normal!

Em nosso texto "Cauda gorda na Bovespa" mostramos exaustivamente que as probabilidades no mercado financeiro seguem caudas gordas e não finas como as que a Moody's usa para avaliar países e empresas. Não bastando esse erro ginasial, eles ainda utilizam a volatilidade implícita de Myron. Sim, a mesma para calcular a volatildade do Modelo Black-Sholes que levou o próprio Myron a perder bilhões com seu fundo de investimento LTCM e ser afastado por alguns anos do mercado financeiro (assistir ao filme no youtube).

Erro parecido já foi alertado por nós em outro texto para a outra agência de risco ( "Standard&Poor's: telhado de vidro") e se procurarmos falhas, apenas um site não será suficiente para tanto erro teórico que o mercado financeiro faz de conta que não sabe, ou que não existe.

A pergunta que fica é: Por que os políticos, deputados e senadores, não chamam a agência para debater no Congresso Nacional? Sim, eles deveriam fazer a lição de casa e sair da mesmice de ficar ouvindo a si próprios, ou aos ladrões da Petrobras que nunca vão dizer nada. Mais produtivo seria para a população, se nossos congressistas fizessem como no Senado dos EUA, que chamaram essas agências e acadêmicos para apontar falhas limitando o poder de atuação global, a menos que provem que realmente acertam.

E por fim, como a Moody's colocou a Petrobras como grau especulativo, fica aqui uma dica: Quem se julgar prejudicado pelo rebaixamento da Petrolífera, que poderia arrastar milhões de investidores à venda das ações da Petrobras, por uma nota que no futuro não reflita realmente a situação prevista pela Moody's, que faça como governo dos EUA. Processem na justiça do Brasil a atuação da Moody's. Vai demorar, mas como nos EUA aconteceu, é uma causa que poderá render bons frutos no futuro.

E o governo brasileiro, em se tratando de uma empresa pública, ao invés de ficar no "chororô" e "bate-boca" com o vice-presidente da Moody's, deveria entrar com uma ação pública de perdas e danos na Justiça americana. Lá funciona.

Um único grupo de pessoas, com conhecimento bastante discutível, não pode tolher as raízes de crescimento financeiro de milhões de famílias como faz a agência de classificação de risco Moody's em todo o globo.

 

 

Gostou do texto?

FAÇA UM DONATIVO PARA O SITE

(R$ 2,00 ; R$ 5,00 ; R$ 10,00 )