
Sábado, 05 de Novembro, 2011
Aterrorizando o mundo econômico de Neferti
Em 1285 A.C. o faraó Ramsés II sofreu uma emboscada às margens do rio Orontes no Egito junto com sua legião de soldados. Os inimigos do faraó são rebeldes contra seu domínio opressor e tão numerosos que cobrem montanhas e vales como uma nuvem de gafanhotos. Conta a história egípcia que Ramsés não se abala e sai de sua tenda sozinho para enfrentar a multidão. Junto com Ramsés II apenas está lhe acompanhando o deus Amon, que se agiganta e pistoeia os inimigos. Esses saem correndo e juram eterno apoio ao faraó por gerações sem fim. O faraó está ligado a figura do deus Amon e ninguém na Terra tem autoridade para questionar as dinastias. Ninguém até aparecer o rei Akhenaten, que não acreditava na crença popular e aboliu o culto de todos os deuses antigos, inclusive Amon-Ra e Amon. Em lugar de todos os deuses surge Aten (O disco Sol) o único deus permitido e verdadeiro. Não se sabe por que Akhenaten aboliu os deuses, mas o que se sabe é que a oposição cresceu não só a sua disnatia mas aos seus herdeiros. Um dos papiros mais antigos encontrados e decifrados pelos egiptólogos é o papiro das Profecias de Neferti , não confundir com a rainha do Egito Nefertiti. Ao que tudo indica essas profecias fizeram apologia à revolução para reestabelecer a "ordem" das coisas. Entenda-se como ordem, que os ricos deveriam ficar cada vez mais ricos, ninguém poderia subir nas camadas sociais e todos deveriam adorar apenas aquilo que os dirigentes achavam correto. Um trecho desse papiro nos apresenta como o tão criticado "sistema" domina a população menos favorecida há milênios. O papiro faz o que hoje chamamos de quarto poder, ou seja, as notícias plantadas para convencer a massa de que a realidade é a que está sendo divulgada e não outra. Uma parte do papiro diz: Toda a felicidade desapareceu, A terra está vergada sob aflição[...] Eu mostro a ti a Terra em tumulto O fraco está bem armado, Aquele que o cumprimenta foi cumprimentado, Eu agora mostro a ti em cima o que estava embaixo[...] O mendigo receberá riquezas, O grande (irá roubar) para viver. O pobre irá comer pão, Os escravos serão exaltados [...] "
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E depois que as dinastias do rei Sol foram dizimadas e a "ordem" restabelecida para a alta sociedade egípcia, os deuses voltaram a ser adorados. Para lembrar o fato da destruição do deus Sol, todos os dias os sacerdotes de muitos templos entoavam liturgias celebrando a vitória dos deuses. O deus Apófis (a serpente que representava o mal) foi vencido e chamado de destruidor, e ele era sempre aniquilado nas orações: "... Ele tombou na chama, Apófis com uma faca em sua cabeça. Ele não pode ver e seu nome já não é desta terra. Eu ordenei que uma maldição seja lançada sobre ele; eu consumi seus ossos; eu aniquilei sua alma no decurso de cada dia; eu quebrei as vértebras de seu pescoço[...] Eu o tornei não-existente[...] Ele está caído e derrotado[...] " Sarkozi e Merkel chamaram imediatamente Papandreou para explicar por que tinha pedido um plebiscito e ordenaram sua mudança de planos. Enfiaram uma faca em seu pescoço. Ele voltou derrotado, caído e sem partido. Apesar de ganhar voto de confiança é obrigado a passar o comando para a oposição. Será um mero fantoche do dinheiro que ele emprestou. Ele é o mal e os mercados são o bem. Para os livros e para o mercado financeiro, os vitoriosos foram Sarkozi e Merkel, a democracia tanto importa. Os mercados gostaram da aniquilação de Papandreou e subiram ao redor do mundo após o vexame de anular o referendo à população. O mercado se comportou e se comporta exatamente como os sacerdotes dos faraós. Muitos sacerdotes assassinaram faraós para manter status e poder da alta casta. Quantos não foram aniquilados pela força do mercado para manter a ordem e o bom relacionamento familiar? Claro que Papandreou está colhendo o que plantou há meses atrás conforme alertamos em nosso texto ("Os deuses do Olimpo se revoltam") em Dezembro de 2009. Ele teve muito tempo para pedir referendo, muito tempo para arrumar a casa, muito tempo para se ajustar, mas não fez. No entanto, mesmo assim, o povo tem o direito de escolher o que deve fazer e não o dinheiro europeu. Na verdade foi um "blefe" de Sarkozi que Papandreou engoliu. Se Papandreou jogasse o nosso bom e velho jogo de cartas "truco" saberia gritar seis! A França nunca deixará a Grécia sair da União Européia. Se isso acontecer não é a Grécia que será ainda mais rebaixada pela Ficth, Moody's ou Standard & Poors. Se a Grécia deixar a UE, quem vai ser rebaixada será a França, pois todos os bancos franceses tem títulos da Grécia que não cabem na gaveta. Faltou malícia de Papandreou. O sistema sempre venceu e sempre vencerá. No entanto, o que os líderes e os mercados se esquecem é que até mesmo os faraós e suas fortunas desapareceram, ficando enterrados na areia à espera dos deuses virem buscar seus corpos. Para seu desespero os únicos que vieram buscar e roubar suas riquezas foram aqueles que sempre estiveram por baixo como os saqueadores do deserto. A profecia de Neferti sempre será atual, pois o ser humano muda, os costumes mudam, mas o sistema financeiro é o mesmo, fazendo a riqueza se perpetuar entre os eternos faraós. Nos dias atuais os faraós tem outro nome: banqueiros. |
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