Quinta-feira, 24 de Junho, 2010

 

ESPECIAL EUA

Onde se esconde a crise?

 

(direto - San Diego) Não é verdade. Não adianta insistir pois não é bem assim. A mídia televisiva e escrita tradicional está a todo momento dizendo que o povo americano é arrogante, gosta de mandar nos outros, gosta de se impor, etc. Na verdade o que se deve entender é que o povo americano gosta de seguir regras. Aqui em San Diego, assim como em toda costa oeste americana fica muito mais fácil de entender o povo norte americano. Primeiro, você tem que ser educado. Segundo você tem que ser educado. Terceiro você deve seguir regras. As regras existem e se você perdeu na discussão que as criou, deve obedecer goste ou não.

Em meio a esse sentido de seguir regras, sempre haverá governantes que vão se aproveitar de alguma brecha das regras para ludibriar ou tentar convencer os menos favorecidos de algo que nós de outro país acharíamos absurdo. É sempre assim no que se refere na relação povo e governante (e banqueiros). E então, ao insinuar que aplicar seu dinheiro em bancos pomposos e com sedes de vidro fumê e mármore é a melhor coisa a se fazer, o povo americano acostumado cegamente a acreditar nas regras, vai acreditar nesse tipo de recomendação. Quando as coisas começam a "entortar o rumo", fica difícil para o povo entender que foi enganado, pois nesse país existe regra e seguí-la é antes de tudo uma questão de educação.

Então a pergunta que nos fazemos aqui nos EUA, quando se anda pelas ruas é ... onde está a crise? Os bancos que causaram as crises desde o início do século XX continuam com prédios monstruosos, com contratações de executivos ( e demissões de subalternos), com sua aparência de eterna superioridade.

 

 

As pessoas continuam sorrindo, seguindo suas vidas, fazendo suas compras e se endividando. Sim, as pessoas estão felizes por continuarem a se endividar. Se a imprensa do Brasil e se os analistas criticam o governo brasileiro por assistencialismo, a mídia daqui faz pressão para continuar o velho costume local de permitir que se façam dívidas e que todos tenham crédito.

Claro que os mais sérios tentam fazer algum barulho para dizer que a dívida pública do tesouro americano é impagável e que os EUA será a nova Grécia. Em alguns jornais se encontram até analistas dizendo que os EUA serão o Lehman Brothers do setor público, ou do mercado internacional. Mas as pessoas aqui seguem felizes e comprando.

Saímos então pela estrada, nas ruas, mas não mais prestando atenção no povo educado americano, ou no seu governo astuto e dominador internacional, mas em algo que nos mostrasse onde se esconde a crise. E então, ao olhar para dentro das lojas, algo nos apontou a ponta do iceberg.

 

As chamadas das promoções são algo de assustar. Claro, véspera de data importante (natal, ano novo, dia das mães, dia dos pais, etc) é normal nesse país grandes promoções. Mas os comerciantes resolveram gastar a última bala para se defender da crise, usando-a o ano todo. As promoções chegaram ao absurdo de 90% ! Sim, uma grande loja de cosméticos literalmente limpou sua prateleira de um produto, oferencendo um desconto de 90%. O que levaria grandes lojas a quase entregarem de graça seu produto? Ou ele estava muito super faturado ( que é o que acontece no Brasil, mas não nos EUA) ou as vendas realmente não andam bem. Nos jornais local de hoje o que se fala é sobre o relatório de venda de casas que caíram. Estão dizendo que isso é um balde de água fria na recuperação.

Tomamos o carro e resolvemos ir mais longe, onde a rivalidade entre a democracia e a ilegalidade tem fronteiras. Seguimos até a divisa do México com os EUA, na cidade de Tijuana.

Essa é uma das fronteiras mais "tensas" entre os EUA e o México. O que esperaríamos ver eram americanos nas lojas, muita polícia e fiscalização e só. Mas para nossa surpresa, encontramos ... mexicanos e brasileiros comprando e muito, sem medo ou constrangimento. A surpresa foi a liberação geral dos americanos e tão geral que se falavam nas loja castelhano e português e muito pouco inglês. Claro que a gestão Obama deu uma tranquilidade nesse país e melhorou como os outros países enxergam os EUA. Mas ainda não é suficiente. As fotos a seguir nos deixa atônitos.

 

Essa não é uma fronteira longe e isolada das cidades, mas o estacionamento de um shopping center do lado americano. Ao fundo pode ser vista uma bandeira do México, gigante e imponente, e do lado de cá do muro uma outra bandeira maior, a do dinheiro. A bandeira de pano mexicana não é pareo para segurar seu povo do lado de lá do muro. E os americanos liberaram geral. Muitos mexicanos, na verdade todos os mexicanos de Tijuana, compram do lado americano e não se mostram muito agradável quando se fala em inglês. E esse é outro sinal que a crise está escondida mas muito presente. Se não houvesse crise, essas promoções fora de época não estariam acontecendo. E se não houvesse crise o muro das fotos seria de concreto e muito maior com menos mexicanos deixando seu dinheiro do lado de cá da fronteira.

Os americanos não querem segurar os mexicanos como antigamente, querem segurar o dinheiro dos "ermanos" com promoções para atrair e segurar seus empregos. Achamos uma parte, pequena mas importante da crise. Ela não acabou e muito pelo contrário, sinais como esses de violações sempre criticadas e permissões de compras liberadas só mostram a incubação da crise, que pode estourar quando as defesas estiverem baixas. Nem mesmo o porta-aviões Midway, herói de guerra poderá segurar a próxima crise, se ela realmente desabrochar como já descrita nesse site e por renomados economistas americanos.

porta aviões Midway - San Diego - USA