Quinta-feira, 22 de Outubro, 2010

 

 

O outono chinês

O clima chinês é conhecido por ser um dos mais terríveis do mundo juntamente com o clima russo. O inverno desses dois países já derrotou muitos inimigos em campos de batalha no passado. As extremidades das temperaturas tornam a China um lugar que deveria ser inóspito (no inverno -30 graus e +45 graus no verão), mas graças ao poder de resistência do povo chinês às adversidades eles vivem, cultivam, plantam e crescem como economia mundial. A severa política de controle de natalidade devido à escasses de alimento no passado fez da China um país sem "tios". Com a limitação de apenas uma criança por família, tio é uma palavra que praticamente não existe para as crianças chinesas.

O controle de natalidade não limitou apenas a palavra tio, mas a força de trabalho no futuro. Dona de uma exuberante produção e crescimento econômico, o preço desse controle de natalidade poderá afetar seriamente a China num médio prazo. Ainda em ritmo de expansão, pode parecer uma loucura afirmar que um país de mais de 1 bilhão de habitantes terá problemas na força de trabalho. Essa é uma das linhas de raciocínio de Harry Dent em seu "The great depression ahead" onde faz uma comparação interessante entre as crises e o crescimento populacional.

Segundo Dent na crise de 1929 a população mundial estava ainda em boom de crescimento pós primeira guerra mundial e nessa fase quem era criança em 1915 já era um jovem ávido por comprar coisas em 1929. Isso acelerou demais a economia a ponto de causar uma defasagem na curva de demanda e produção. Ainda no livro Dent diz que Brasil e China terão crescimento até por volta de 2050 quando a força de trabalho de ambos os países envelhecerão e o crescimento se arrefecerá.

Prever o que acontecerá em 2050 é um dos exageros do livro recheado de gráficos exóticos e sem sentido, mas filtrando os erros e exageros um coisa Dent tem razão. Os dados de força de trabalho podem indicar a limitação de crescimento do país. E talvez a China esteja começando a ficar "cansada" nesse outono de 2010.

 

Fonte: CNN.com

No gráfico anterior é possível ver que a China continua seu crescimento forte mas com a velocidade diminuindo a cada trimestre. O gráfico retirado da CNN e da reportagem "Economia da China esfria no terceiro trimesre" mostra que ao contrário do que se afirmam, uma crise pode derrubar um elefante como a China. Após atingir seu pico de 11% de crescimento, com a crise de 2008 o governo chinês viu seu PIB chegar a 6%. Com o aumento das vendas os chineses cresceram para 12% e impulsionaram o mundo, mas então pararam. E nesse ano o país vê seu PIB caindo trimestre a trimestre.

Preocupante? A maioria dos especialistas que sempre erram, mas sempre estão na mídia, dizem que não. Afinal de contas crescimento de 9% é um enorme crescimento quando comparado ao crescimento brasileiro. Comparação errada. A China só pode ser comparada à China. Isso porque sua moeda é controlada, suas vendas são controladas e seu povo é controlado. A queda do PIB vai fazer o governo chinês segurar ainda mais sua moeda "Yuam" para continuar a vender mais. Os produtos chineses em dólar são hoje muito mais barato do que a produção em solo americano. Por isso, mesmo dentro do solo americano, os produtos "made in China" dominam as vendas.

 

Colônias inteiras de chineses viajam agora pelo mundo graças a exuberância de seu crescimento. Mas com essa exuberância de crescimento a China descobriu a tal da "desigualdade social". O número de suicídios em fábricas chinesas aumenta todos os anos devido ao excesso de trabalho entre os jovens e baixa expectativa de ascensão social. Esse problema só vai aumentar a medida que a economia chinesa se resfria. A desigualdade social numa população de mais de 1 bilhão de pessoas trará problemas ainda desconhecidos para os estudos de sociologia.

O problema é que com o outono, um resfriado chinês pode causar uma pneumonia nos EUA que não conseguem aumentar a taxa de emprego. E vão continuar com esse problema pois estão eternamente dependente da China e de seu próprio déficit que é impagável com mais de 1trilhão de dólares. O que nessas semanas foi cunhado como "guerra das moedas" na verdade tem a ver com especulações sobre pressão dos EUA para a China liberar o Yuam. Essa tensão de pronunciamentos tanto do governo americano quanto do governo chinês é antiga, mas quanto mais o presidente Obama é pressionado para aumentar o nível de emprego, mais ele joga para o Yuam a culpa. Isso causa entre os especuladores mais aumento de adrenalina para fazerem o que mais gostam: especular moedas.

Se essa queda do PIB chinês terá consequências futuras na economia mundial, brevemente vamos saber. Um efeito imediato de mais uma queda no PIB chinês do quarto trimestre será o aumento da taxa de desemprego mundial. Se o quarto trimestre da China for ainda menor em termos de PIB, as commodities como minério do Brasil vão ver seus preços caírem. É muito importante esse outono chinês para o mundo, pois ele ditará como será o inverno na Europa e nosso verão no Brasil.