Quinta-feira, 19 de Fevereiro, 2015

 

Paraná, cadê o dinheiro?

A região Sul do Brasil é uma das mais importantes no setor de exportação de grãos. É a maior responsável pelo saldo positivo em nossa balança comercial, e quando ela para, o Brasil para também. As commodities sustentam a exportação brasileira há mais de uma década, sendo as empresas desse setor as mais badaladas nas feiras agropecuárias, pois movimentam milhões em tecnologia de colheita e de estocagem. Nada mais correto pensar então, que o estado mais produtivo e exportador seja aquele com menores problemas financeiros.

Mas, coloque um político na história, e tudo vai abaixo. Infelizmente é o que acontece com o Estado do Paraná. O Estado faliu e está paralisado por péssima administração de seu governador Beto Richa (PSDB). O ICMS do paraná subiu 44% nos últimos anos, a maior arrecadação do Brasil. Mas a gestão Beto Richa(PSDB) aumentou a despesa em 53%. Logo, o caos se instalou, apesar do governador negar. Na verdade, todos os políticos negam suas "artimanhas" fracassadas.

E então podemos perguntar: mas ele não foi reeleito? Sim, escondendo os dados reais de sua gastança junto com seus amigos e correligionários deputados estaduais. Logo após a eleição, correndo risco de ser aplicada a lei de responsabilidade fiscal, o governador do Paraná escollheu a classe mais "fraca" para pagar a conta: professores estaduais.

Deixou boa parte da classe sem o décimo terceiro salário e sem o pagamento das férias. Quebrou contrato de professores auxiliares temporários e não pagou recisão de contrato. Retirou 12 mil professores de funções administrativas e obrigou a voltar para a sala de aula. Não enviou recursos para as escolas, a ponto de diretores dizerem em diversas reportagens que só tem material de limpeza para a primeira semana de aula. O governador cortou ainda a ajuda ao transporte, a progressão na carreira docente além de muitas outras medidas, para computar ao final uma "economia" de 30% dos gastos.

Claro, ou ele faz isso, ou é impeachment por não cumprir a lei de responsabilidade fiscal. O que ele não contava é com o tamanho da reação inesperada da classe docente do Paraná. Todos os níveis entraram em greve, formando um corpo de 950 mil professores em greve. Em adesão, outros setores entraram em greve, inclusive alunos das escolas públicas e universidades. E nessa última semana, funcionários do DETRAN do Paraná anunciaram paralisação contra o pacote de ajustes de Beto Richa.

Na semana passada, professores tentaram assistir a votação e protestar contra sua aprovação, mas o governador "democrata" usou da mais antiga arma da ditadura: mandou bater nos docentes. E num ato de revolta, os professores prenderam no camburão da polícia os deputados que tentaram fugir.

E então, uma cena patética tomou conta do cenário. Ao tentar liberar à força os deputados amigos do governador Beto Richa trancados no camburão, o "valentão" secretário de Segurança Fernando Francischini saiu correndo de medo de ser ele, também, trancado no camburão da PM. Sua campanha para deputado tinha como slogan "Coragem tem nome e sobrenome". E a covardia também, ele esqueceu disso!

Secretário Segurança Fernando Francischini fugindo de medo dos professores

Mas como o governador Beto Richa deixou um dos estados mais promissores chegar nessa situação?

Obviamente não foi da noite para o dia, e vem de longa data. Qualquer um pode encontrar evidências claras que o próprio Tribunal de Contas do Paraná tem colocado ressalvas nas contas de Beto Richa. No link do TCE do Paraná para o relatório final de 2013, é público a série de ressalvas em 2013 já alertando para as irregularidades do governo Beto Richa. Para ler o relatório completo é só clicar na figura à seguir.

Por exemplo, o relatório levanta alertas como na página 13:

"As despesas realizadas na administração ....tiveram acréscimo de 6,21% em relação a 2012.... Em relação ao exercício de 2012 os gastos somados... cresceram em termos reais 14,75%...".

Em outro ponto o TCE ainda alerta:

"...Detectamos que o resultado orçamentário apresentado... divergem dos apurados por esta DCE...".

E com o que o governo do Paraná gastou mais em 2013? Pois bem, na mesma página do relatório está escrito:

"... A Despesa Empenhada com Publicidade Legal e Institucional totalizou R$ 159,9 milhões, com acrescimos reais de 15,77% nos gastos com publicidade institucional e 166,76% com publicidade legal...".

Então, não é um crítico de jornalismo, não é um crítico político, ou professor revoltado que está escrevendo sobre a publicidade de Beto Richa. O órgão responsável por avaliar as contas públicas do Paraná, escreveu que Beto Richa aumentou em 166% as despesas com propaganda!!

Onde está o dinheiro dos professores? Está aí, vazou pelos ralos da propaganda e marketing do governador paranaense.

Ainda na mesma página o relatório aponta que:

"O saldo da Dívida Ativa ao final do exercício 2013, no valor de R$ 16,8 bilhões, apresentou um acréscimo nominal de 10,92% em relação ao ano anterior...".

Parabéns ao referido governador que além de tudo, de arrecadar sempre mais a cada ano, ainda aumentou sua dívida em 11%.

Então, podemos perceber, que mesmo na esfera oficial, as contas iriam estourar em breve. Se o próprio TCE relatou diversas ressalvas em diversas partes, o que se poderá encontrar em outros setores do governo do Paraná? Na página 14, o TCE afirma categoricamente que:

"... No exercício de 2013 o Governo Estadual não cumpriu o limite constitucional de aplicação em Ciência e Tecnologia (2% da Receita Tributária), executando o equivalente a 1,62% da base de cálculo.".

Em entrevistas o governador anunciava na época, que estava investindo mais na área da Ciência, aumentado os fundos de pesquisa. Era uma inverdade, pois mesmo o aumento que ele pronunciava já era ilegal. Ele estava e ainda está abaixo do limite estabelecido por lei de 2%.

Existem muitos pontos relevantes condenando o governo de Beto Richa, e quem desejar poderá ler com seus próprios olhos a situação caótica que já estava desenhada pelo TCE do Paraná. O fato é que se percebe que num ato de desespero, o governador tentou remanejar dinheiro das áreas da educação e saúde para mascarar suas falhas num novo relatório desse ano ao TCE. Ele não contava com tamanha reação da população local.

Beto Richa conseguiu transformar o Estado do Paraná num dos maiores "gastões" em contratação de pessoal. Ao lado está uma tabela retirada do Tesouro Nacional, apontando que o Paraná aumentou os gastos em contratação de pessoal para 48,1% de sua receita corrente líquida.

Ou seja, metade do que ganhou foi para salários, e certamente, a maioria não foi para a área de educação e saúde.

Mas o pior de tudo, é que mesmo com todas essas irregularidades e lambanças no Paraná, os deputados estaduais resolveram "cumprir a lei" e se deram um aumento de 26% em seus salários!

Espera aí? O governador está enviando um pacote para cortar gastos, mas os deputados querem aprová-lo e ainda aumentar seus próprios salários? Colocá-los no camburão da polícia parece ser pouco para os legislativos do Paraná.

Se a inflação oficial foi de 6,75% no ano de 2014, que conta foi essa adotada para aumentar os salários em 26%. Ah sim, é o efeito cascata que veio do Congresso Nacional em Brasília.

Como o governo pode dizer que não existe dinheiro para pagar décimo terceiro salário e férias, mas existe para aplicar esse aumento absurdo? O salário dos deputados do Paraná agora são de R$ 25.322,25. O impacto na folha de pagamentos da Assembléia do Paraná será de R$ 285 mil reais mensais.

Poderíamos imaginar que, pelo menos o governador, abriria mão de um aumento de salário. Engano. Beto Richa, "cumprindo a lei", obviamente, aumentou seu salário em 14,9%. Dos antigos R$ 29,4 mil agora o governador receberá R$ 33,8 mil.

Fonte: Tesouro Nacional

Fonte: IBGE, Gazeta do Povo-PR

 

Ranking da produção industrial no Brasil

 

Um ponto ainda mais negativo, é que a "galinha dos ovos de ouro" está secando no Paraná. A produção industrial paranaense caiu 5,5% em 2014. Em 2010 a produção industrial do Paraná crescia a passos largos, por volta de 17% ao ano.

De lá para cá veio caindo, por falta de incentivos e atitudes positivas de Beto Richa. Em 2013 o crescimento foi de apenas 3% e em 2014 ocorreu um forte retração no Paraná, de 5,5%.

Dentre todos os estados, o ranking nacional de produção industrial mostra que o Estado do Paraná está em penúltimo lugar. Só ganha do "capenga" Estado de São Paulo, também outro que passa por problemas administrativos e de atitudes na área de investimento em produção industrial por parte de Geraldo Alckmin(PSDB).

Apesar de todo incentivo, o setor automotivo paulista não conseguiu alavancar suas vendas, e as demissões são apenas uma questão de tempo.

Diante de tudo isso, o que se pode fazer? Os professores passaram o Carnaval acampados em frente da Assembléia do Estado do Paraná e tudo indica que um novo palco de discussões e guerra será instaurado.

O governador estuda modificar o pacote, mas não abre mão dos cortes em seu pacote. Ou seja, novamente a classe mais penalizada do país vai pagar de novo pelas bagunças dos políticos. Segundo o secretário da Educação do Paraná afirmou: " ...as medidas são duras, porém necessárias...". Necessárias para quem?

A necessidade é de urgência apenas para mascarar o novo relatório que será enviado ao TCE e tentar escapar da penalidades previstas por infrigir a lei de responsabilidade fiscal.

Em um "aceno de paz" o governo do Paraná diz que pagará os salários atrasados até o fim de .... Fevereiro! Mas os trinta mil reais do governador estão em dia.

Como prova de que os professores "gostam" do governado Beto Richa, eles até fizeram uma marchina de Carnaval em sua "homenagem" (ver esse link de reportagem):

" Jaguara, traíra; tome cuidado, esse menino é um engodo. Deu calote, deu calote em todo mundo, só para depois colocar a culpa nos outros".

Nessa quinta-feira o governo volta a sentar à mesa junto com os representantes dos professores APPSindicato. Muito assunto deverá ser passado à limpo, mas o retrocesso ao pacote poderá ser a única solução de curto prazo.

E como isso não acontecerá, com salários atrasados, a greve poderá durar ainda mais e se alastrar para outros setores.

O mais incrível de toda essa história, é que a grande imprensa nacional se abstém de mostrar detalhes sobre essa sórdida situação criada pelo governo do Paraná. Apenas pequenos blogs ou jornais locais descrevem o dia a dia dessa greve. É muito estranho, por exemplo, a maior rede de televisão do Brasil dispensar apenas 10 segundos em seu maior jornal sobre esse assunto.

Não se comentou sobre os gastos irresponsáveis do governador, sobre suas dívidas, sobre o palco de guerra na semana passada, sobre as pessoas sem salários, sobre os aumentos abusivos de salários dos deputados e governador do Paraná, absolutamente nada. Os 10 segundos foram apenas para dizer que, agora o DETRAN do Paraná estará em greve, e ... só!

Imparcial? Será mesmo que a maior rede de televisão do país é verdadeiramente "imparcial"? Ou será que ainda recorre às táticas da era da ditadura, quando graças ao poder militar ela cresceu camuflando a verdadeira situação do Brasil? O que é mais importante? Carnaval, ou as pessoas que precisam de salários?

Enquanto as escolas de samba tomaram por volta de 20 minutos de jornal, professores sem salário apareceram em apenas 10 segundos de reportagem. Essa é a verdadeira imparcialidade dessa emissora. Relatar os fatos importantes só lhe convém, quando o lado em que ela escolheu, lhe favorecer. O lado da verdade, deixa para o Carnaval.

 

 

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