Segunda-feira, 11 de Janeiro, 2016

 

E o petróleo...

O preço do barril de petróleo, em valores corrigidos do dolar, obteve seu máximo por volta de US$ 120/barril. Desde 1861 a oscilação do preço do óleo viscoso e lucrativo é acompanhado de crises, crashes, solavancos e muitos lucros para os árabes. Alguns países arábes já se preparam para a possível escassez futura do pretróleo, mas a maioria vive num cenário de luxo artificial, sem investir de fato na melhoria das condições de vida de sua população.

Podemos observar isso no Iraque, uma das maiores reservas do mundo, mas que é assolada por catástrofes humanas e financeiras o tempo todo. Cidades destruídas e muita fome, mesmo a região estando sob um bolsão quase infinito do óleo. Outro exemplo está na Vemezuela, que em outros tempos tinha crescimento pujante e forte, com boa qualidade de vida, mas por conta do regime ditatorial está se afundando em lama e no seu próprio petróleo.

Preço do Petróleo desde 1861 (retirado o wikipedia.com)

A disparada no preço do petróleo em 1972 levou o Brasil a estourar sua dívida externa, com nossa matriz de transporte errôneamente modificada do transporte por trem para veículos automotivos. No gráfico anterior é possível ver a disparada dos preços que pegou o governo dos militares completamente desprevinido. Dos tradicionais 20 dolares/barril, o preço em menos de um ano saltou para 60 dolares/barril. O preço aumentou em três vezes no prazo de um ano. Por isso, não devemos nos esquecer que petróleo é a forma mais rápida de terminar crises ou criar crises.

E uma possível disparada poderia ter ocorrido já no início desse ano de 2016. Com as relações cortadas entre Arabia Saudita e Irã, em outros tempos o preço do barril estaria disparando. E por que dessa vez isso não ocorreu? Dois motivos apontam para a inversão do tradicional movimento no preço do petróleo.

O primeiro motivo é que os EUA agora estão extraindo óleo combustível diretamente do xisto, com contaminação violenta do seu solo, mas com um lucro absurdo. Ao invés de importar e depender dos árabes, os EUA estão investindo na tecnologia de extração do xisto em grandes profundidades no solo e transformando em óleo para refino e combustível.

O segundo motivo está ligado ao primeiro. Como os americanos estão menos dependente da importação, o consumo está bem adequado à produção. O resultado é que mesmo na semana passada, onde a Arabia Saudita e Irã chamaram seus embaixadores de volta, o preço do petróleo caiu. É que na mesma semana, os EUA divulgou um relatório sobre o estoque de gasolina no país. E para susto de todos, o estoque é o mais alto da história auxiliado pelo inverno mais ameno de 2016.

Esses dois acontecimentos acabaram abafando a crise entre os árabes que é séria. O fiel da balança no Oriente Médio é a Arabia Saudita, tradicional aliada dos EUA. E como o Irã é o tradicional inimigo dos americanos, essa é uma crise que inspira cuidados.

O gráfico ao lado mostra o que aconteceu com o preço do barril do petróleo desde 1950. Podemos perceber que o fundo do valor do barril ainda não é o mais baixo na história mais recente.

O valor é mais baixo do que na crise de 2008, mas ainda estão longe dos preços abaixo de 20 dolares de 1950. A tendência, quando se observa apenas os dados sem contexto com os eventos, pode sugerir que os preços vão continuar desabando.

Mas no caso do petróleo, apenas olhar dados não condiz com a realidade, pois esses dados são muito dependente dos acontecimentos macroeconômicos ligados à guerras, debates e desavenças entre as nações.

Então pode ser bastante enganoso se prever que o preço do barril vai continuar caindo.

preço do barril de petróleo desde 1950 (retirado de Macrotrends.net)

Previsão via modelo "caminho aleatório"

Que cenário podemos observar para os próximos meses? Diante da incerteza, talvez um bom modelo para dar algum tipo de noção sobre o que esperar para o preço do petróleo seja o random walk, ou "caminho aleatório". (Já usamos o IMA para o petróleo, ver o texto "O dolar negro").

Já utilizamos esse modelo tradicional em nosso cone de incerteza para a previsão sobre o Ibovespa. Aproveitando os dados históricos do preço do barril de petróleo desde 13 de agosto de 2015 até o dia 4 de janeiro de 2016, criamos o cone de incerteza para o preço do barril (ver explicação técnica sobre random walk aqui).

Ao lado é possível observar em branco o preço histórico dos últimos 100 dias úteis do petróleo e o cone mais escuro com o provável cenário para o preço.

Observamos que o lado pessimista da previsão, nos leva para o preço do barril US$ 28,88. Se isso acontecer os preços para as ações da Petrobras e todas as outras petrolíferas do mundo vão derreter.

Por outro lado, a versão otimista da previsão nos leva para o preço de US$ 44,73, o que torna as ações petrolíferas bem interessantes. Um aumento de 10% no preço do barril pode levar num aumento bem maior para as ações.

A probabilidade dessa oscilação de preço em 30 dias corridos estar correta é de 95%. Isso não garante acerto, visto que 5% de chance de dar tudo errado é um valor alto.

No entanto, no dia a dia, se ligarmos essa oscilação aos eventos que estão ocorrendo no mundo, poderemos ter investidores com grandes negócios positivos.

Por exemplo, um fato que pode colaborar para o cenário de alta no preço do barril, é que o inverno americano ainda não foi forte de fato. E não é que ainda não foi, que as tradicionais nevascas não vão acontecer. As nevascas podem apenas estarem atrasadas, mas se elas vierem mais óleo será usado para aquecer as casas nos EUA.

Outro fator importante é a detonação da provável bomba de hidrogênio por parte da Coréia do Norte. Mesmo sendo uma fraude, o que se sabe é que uma bomba forte com bom poder de destruição foi realmente detonada. Então, se alinharmos o fator Coréia do Norte, briga entre os árabes, um frio mais forte nos EUA e a crise imigratória na Europa, pode ser que o preço do petróleo escolha o cenário de alta que traçamos, e o preço de U$ 44,73 não seja tão fictício assim.

Ninguém tem o poder de previsão, ainda mais com coreanos e árabes, mas a história mostra que mais cedo ou mais tarde os eventos vão se repetir. Uma coisa historicamente é quase certa. O preço do petróleo ainda vai oscilar muito e dar muitos sustos, seja para o lado otimista, seja para o lado pessimista.

 

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