Quinta-feira, 14 de Abril, 2016

 

Previsão da Inflação

A inflação está em queda. Seria um grande motivo de comemoração, mas diante dessa época insana de quanto pior melhor, poucos ousam a comemorar ou avisar à população mais leiga. A imprensa nacional divulga os dados, e logo depois da mensagem vem sempre um "...mas..." e então coloca algo ruim como o desemprego, a lavajato, a queda da exportação, o problema do dolar e assim por diante. É insano e depois saem as ruas dizendo-se "patrióticos".

O gráfico à seguir é para um dos medidores da inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) realizado pelo IBGE. Claro que também os insanos vão sair dizendo que o IBGE é do governo, que por isso ou por aquilo não é confiável. Cabe o ônus da prova a quem discute dados. Se os dados estão errados, prove.

O fato concreto é que estamos com três meses de queda na inflação. No caso do IPCA é possível ver que começamos em janeiro com 1,27% de inflação, em fevereiro com 0,9% e depois, agora em março com 0,43%.

Três meses de quedas contínuas e consecutivas como há muito tempo não acontecia. Alguém quer separar economia de política? Não, então ninguém vai comemorar, mesmo que isso traga tranquilidade à população que anda tão desanimada com toda essa história sobre os políticos corruptos.

A boa notícia é que a probabilidade da queda continuar e ainda ser mais forte é grande. Só para lembrar ao nosso eleitor, em setembro de 2013 começamos a utilizar um modelo bem simples para previsão do PIB (ver nosso texto "PIB brasileiro pode cair"). Também mencionamos em modelos de previsão usando séries temporais em "Difícil fazer previsão" e mostramos que, mesmo com modelo bem simples, é possível ter um bom acerto sobre o futuro dos dados. Criticamos e comparamos os absurdos erros dos analistas com utilização de estudos tão complexos com resultados pífios.

Utilizando-se da mesma metodologia agora, estimamos com esses dados do IPCA a inflação de Abril e Maio desse ano. Mas fomos um pouco além. Como o modelo sempre fornece apenas um número, isso não é muito correto para séries que possuem desvios aleatórios como a inflação. Adicionamos a isso a técnica de Simulação de Monte Carlo, para verificar qual a oscilação e quais os cenários possíveis de se esperar para Abril e Maio (ver nosso texto " O cassino que gerou a bolsa").

O primeiro resultado ao lado mostra o gráfico anterior da inflação do IPCA e algumas retas ao final. Essas retas são as 10 simulações computacionais de Monte Carlo para estabelecer uma previsão.

Com as 10 simulações para cada um dos dois meses no futuro, foi possível traçar um intervalo de confiança de 95%.

Ou seja, se os resultados da oscilação respeitarem o padrão da distribuição de probabilidade Normal, é possível garantir que os resultados da previsão da inflação terão apenas 5% de erro.

E para isso, a simulação para o mês de Abril foi rodada para um modelo simples de série temporal com apenas ordem 2.

Ou seja, com apenas dois passos passados o modelo se ajusta aos dados para tentar prever passos futuros.

Como sempre comentamos, deve-se ter cuidado, pois o modelo é limitado e o resultado mais confiável é no primeiro mês de previsão.

Previsão da inflação para Abril/2016

Previsão da inflação para Maio/ 2016

Cenários de inflação para Abril/ 2016

 

Cenários de inflação para Maio/ 2016

 

Meses seguintes e distantes perdem rápido a credibilidade. Não tem sentido em inflação esperada ao final do ano, como toda a imprensa divulga e como os analistas falam.

Isso está completamente errado e nunca se deve confiar nas tais afirmações sobre dolar ao fim do ano, dolar no ano que vem, PIB ao fim do ano e assim por diante.

Então, se esse modelo de série temporal estiver correto, temos algumas previsões para depois compararmos se ele acertou ou não.

Para o caso de Abril desse ano, o modelo nos diz que a inflação poderá ficar entre 0,31% e 0,40%.

Já a previsão para Maio desse ano, ou seja, daqui dois meses, é que a inflação esteja entre 0,19% e 0,27%.

Se isso realmente ocorrer, então vamos começar a ouvir a tal história de que está na hora do Banco Central baixar a inflação.

Será?

Teremos que esperar para ver, mas os dados são bem simples, os juros estão bem altos e diversos setores já registram quedas fortes nos preços.

Diversos setores inclusive já veem aumento de vendas pela percepção da população de que os preços estão mais acessíveis.

Mas nada disso agora parece interessar a ninguém.

 

Como dito antes, a imprensa nacional até mencionou a queda da inflação, mas em todas as reportagens se observa a palavra "...mas...", e em seguida se fala do desemprego e das demais notícias ruins.

Por que não enaltecer as notícias boas?

Porque os "economistas Nostradamus" estão a postos, querendo o cargo de "novo ministro da fazenda". Todos, sem excessão, estão tão sedentos pelo poder, quanto os políticos corruptos. Não existe diferença nenhuma entre os "famosos" e sempre procurados economistas de outrora e nossos políticos.

Ou então, que valor tem ex-ministro da fazenda que não controlava inflação a 100% dar opinião agora? Ou ainda, de que serve economista que, junto com o colega do Banco Central, aumentou a Selic de uma tacada só para 50%? Ou ainda, que tal economista que mantinha a banda cambial fixa, apesar da crise de 1998 na Russia, no México e depois no Brasil?

Por que insistir em chamá-los de acadêmicos e ouvir suas opiniões, sendo que os tempos deles foram sombrios, tanto quanto os de agora?

Só tem um propósito. Ajudar a voltar ao poder, na cadeira de podereso ministro da Fazenda que poderá ficar vaga em breve. Ou então a colocar ruídos e perturbar ainda mais o clima atual. Essa é a visão deles, infelizmente, o cheiro da podridão atrai esses eternos e desprezíveis ex-ministros que agora querem voltar.

Existem excelentes economistas fora dos holofotes, verdadeiros acadêmicos, verdadeiros pesquisadores que escrevem em revistas bastante conceituadas fora do país. Por que não ouvi-los? Não falam o que os jornalistas querem ouvir.

 

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