Terça-feira, 04 de Abril, 2017

 

Produção Industrial: acertamos o desastre

 

Ao contrário do que a imprensa divulga, a situação financeira e econômica do Brasil não está melhorando. Hoje ficou nítida e clara a declaração de "cinismo" generalizada por todos os noticiários. Sempre tivemos jornalistas às avessas, que moldavam a notícia para satisfazer o governo A ou B.

Mas também sempre tivemos jornalistas que combatiam esse tipo de jornalismo e colocavam em suas colunas o outro lado da notícia, criticando colegas que apenas baixavam a cabeça para os governos e repetiam números.

Os tempos mudaram para pior.

Seja no rádio ou televisão, mais de 90% dos jornalistas são repetitivos e chatos, sempre mostrando o "número padrão" de consenso, para não ser criticado. Mais ainda, são medrosos, pois sabem que com esse novo governo, quem criticar perde dinheiro de propaganda de bancos públicos, agências, etc. E com a crise de leitores ou telespectadores, o que sustenta todas as redes de notícias aqui no Brasil é o dinheiro público e sujo.

Para qualquer bom economista, o que se aprende na faculdade é que a comparação de cenários sempre deve ser feita com relação aos doze meses passados. Isso porque deve-se levar em conta a sazonalidade, ou seja, períodos semelhantes do ano onde os dados podem ser comparados.

Mais importante ainda é o acumulado de uma série histórica. O acumulado reflete um período fechado de dados e nos diz se estamos ou não em recessão. A pergunta que fica é a seguinte.

Se os jornais sempre usam a inflação acumulada de doze meses para "enaltecer" uma política de governo que apóiam, por que usam dados de indústria na comparação com o mês anterior?

Sim, porque também para dados industriais ou de comércio, a coleta é fechada para um acúmulo de 12 meses e isso está sempre disponível nos instituos de pesquisa, tais como o IBGE. Hoje por exemplo, poucos jornais divulgaram o terrível dado acumulado da produção industrial acumulado de 12 meses.

Preferiram, por exemplo, dizer que a produção industrial de janeiro desse ano cresceu 1,4% acima dos 1% da expectativa do mercado. Mas e o acumulado? Qual o tamanho da crise em nossa indústria? Uma crise, ou saída de uma crise, não se mede por um ponto, mas por um acúmulo, assim como a inflação fechada de 12 meses.

A razão é óbvia.

Estão tentando tapar o Sol com a peneira, com a peneira dos dados. Não são dados falsos, nem errados, mas estão camuflados por uma estatística de má fé jornalística que não conta a realidade do cenário atual.

Ao lado, quando abrimos os dados acumulados de 12 meses, percebemos que em 12 meses a indústria está produzindo 4,8% menos em um ano.

Como isso pode ser sair da crise?

Claro que vão insinuar, como fizeram, que estamos melhor do que antes.

Não, o que temos é que estamos menos pior do que antes, mas mesmo assim muito pouco.

O reflexo disso é um desemprego galopante, como visto nesse mês. O índice de desemprego explodiu para 13,2%, ou 13,5 milhões de pessoas.

Esse dado ainda não entrou no cálculo da produção industrial e só irá aparecer daqui 2 meses. Ou seja, a produção industrial vai continuar caindo.

Mas quanto?

 

 

 

 

Previsão "Mudanças Abruptas" para dois anos

 

 

 

Talvez o leitor não se lembre, mas no dia 1/fevereiro usamos um modelo matemático para fazer previsão da produção industrial acumulada de 12 meses.

Em nosso texto "Indústria terá recessão até 2019", criamos os cenários pessimista e otimista até o fim de 2018.

Dissemos em nosso texto que nossa previsão estaria sempre ali, para ser consultada e confrontada com a realidade.

Pois bem, pelo segundo mês consecutivo nossa previsão ficou em linha, acertando em cheio a produção insutrial.

Ao lado, a linha cor de laranja com os marcadores da mesma cor indicam que nossa previsão "cravou" em cima dos dados reais... dois meses antes!

Bola de cristal?

Não, nada disso. Apenas um bom ajuste com base nos dados históricos do IBGE e que nos remete a um futuro bem mais sombrio do que o governo Temer e seus jornalistas amigos tentam induzir.

Como dissemos em nosso primeiro texto, o governo vai tentar tirar proveito dessa "falsa melhora", dizendo que saímos do fundo do poço e que ele "é o cara certo no momento certo". Estando em linha com nossa previsão e ao final desse ano a indústria ainda estará no desastre.

Conforme o primeiro retângulo amarelo indica acima, temos como cenário pessimista -2, 23% a +1,17% de produção industrial acumulada de 12 meses.

Mas depois, já para janeiro de 2018 tudo recomeçará a cair. Final do ano que vem, se o modelo ainda se comportar de maneira confiável a indústria vai recuar entre -2,4% a -5,8%.

Seria a eleição a causa? Pode ser.

Seria o quadro judicial com mais delações a causa? Pode ser também.

Mas tudo isso é "bola de cristal", é especulação, não matemática. Do ponto de vista matemático, com 95% de probabilidade para essa banda de previsão, o cenário vai ser menos pior até o fim desse ano, mas ainda recessivo. E voltar a ser pior no ano que vem.

O ministro da fazenda Meirelles disse que teremos 3% de aumento do PIB. Pode ser que ele esteja com inveja do seu antecessor que errava sempre nas previsões. Está simplesmente caindo no ridículo de previsão sem nexo.

Não haverá PIB de 3% durante muito tempo à frente. Pode ser que o próximo presidente eleito, se tiver uma visão com menos maldade do que o atual, faça o Brasil renascer das cinzas, com investimentos que melhorem as condições de emprego, de financiamentos e por consequência, aqueça a indústria de verdade.

Esse governo que ai está, um governo onde a tesoura é a solução, não fará nem o PIB, nem a produção industrial crescer de forma galopante como coloca em sua mídia pessoal.

Infelizmente ainda estamos acertando a previsão de produção industrial, e se assim prevalecer, o desemprego será ainda maior na próxima amostragem do IBGE. Hoje enalteceram a indústria automobilística, mas por que ninguém falou das férias coletivas em Taubaté? Ou da ameaça de fechamento da GM de São José dos Campos? Ou das férias coletivas de outras indústrias?

É melhor errar por um modelo matemático, do que errar por falta de caráter!

 

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