
Segunda-feira, 11 de Julho, 2011
O próximo alvo da crise
Em 18 de Novembro de 2009 alertamos sobre o tom irracional nas bolsas de valores, alertamos que as bolsas estavam muito esticadas frente à realidade (ver "O tom irracional da bolsa"). Em 15 de Dezembro de 2009 alertamos que a frase do primeiro ministro da Grécia George Papandreou "...os investidores não precisam se preocupar nem entrar em pânico..." era a derrota final ("Os deuses do Olimpo se revoltam").. Ele tinha acabado de fazer exatamente o que previa a teoria da reflexividade de George Soros. Nunca diga que está tudo bem numa crise, pois todos vão achar que as coisas estão muito mal. Exatamente nessa época todo mundo falava que 2010 seria o ano da saída da crise e da recuperação mundial. Não foi. Em Fevereiro de 2010 a Espanha entrou na roda dos problemas. Mostramos no texto (" Os ventos de Colombo") que o primeiro ministro espanhol estava enganando seu povo quando dizia que a Espanha não estava no mesmo nível de Grécia e Portugal. Mostramos estatisticamente que a Espanha estava no mesmo nível da Grécia em termos de desemprego. E mostramos ainda que em termos de desempenho do PIB a Espanha era o pior dos três. E ainda é o pior entre Portugal e Grécia. Em 15 de Dezembro, voltamos a mostrar como a situação da Espanha está se deteriorando rápida e sendo camuflada e escondida pelo governo, pelos analistas e pela mídia ("Castanholas ao chão"). O nível de desemprego em Dezembro era de 20,7% na Espanha, mas entre os jovens já passava de 40%. Rebater dados e realidade só vai fazer surgir novos alvos e gerar mais desconfiança. O resultado todos sabemos que no fim será o pânico, a correria dos fundos para vender ativos e quem vai pagar é o povo. Isso porque os fundos e bancos de investimento vão de novo pedir de chapéu na mão ajuda aos governos para não demitir. A ajuda vem e o que eles fazem? Pegam o dinheiro do contribuinte e recolocam nas bolsas de valores e não na geração de empregos. O premio nobel Paul Krugman afirmou há uma semana atrás que o mercado não aprendeu com a última crise e voltou a fazer os mesmos erros. Em Novembro de 2010 ("O pote sem vinho") Portugal rebateu o tempo todo que não estava em crise, que os investidores poderiam ficar tranquilos e novamente entraram na teoria de George Soros. Foi só o governo português dizer isso que teve sua nota de crédito rebaixada e a crise foi aumentando até chegar no ápice dessa semana. A Moody's agora considera os títulos portugueses "junk" (lixo). Portugal agora é mercado de especulador e todos os grandes fundos são obrigados a deixar o país, que vai entrar numa roleta russa assim como o Brasil nos anos entre 1980 e 1990.
Não podemos esquecer do Japão, que conforme alertamos no mesmo dia do terremoto ( "Super tremor no Japão vai abalar a economia mundial"), a situação está cada dia pior em termos de contas internas e balança comercial. Conforme avisamos em Março ("O sol não é para todos"), o Sol vai entrar num período de maior número de explosões solares. A relação entre esse período e queda nos lucros das empresas de energia é muito alto, devido a enorme interferência nas redes de energia e também nas empresas de telecomunicação. O mais preocupante de tudo é que cientificamente está comprovado que a relação entre explosão solar e terremotos é acima de 90%. Ou seja, grandes explosões solares mexem com a camada de magnetismo da Terra que exerce força sobre as placas tectônicas. Coincidência ou não, o leitor poderá comprovar nas imagens do sistema da Nasa conhecido como SOHO, que em todos os últimos grandes terremotos do Haiti, Chile e Japão ocorreram explosões gigantes (veja as imagens digitando os dias no site do SOHO e escolhendo o tipo "LASCO C2" ou "LASCO C3" no tipo de imagens). Especificamente no caso do Japão, pode-se ver ainda um grande cometa colidindo com o Sol e logo em seguida a grande explosão que foi alertada pela Nasa (e em nosso twitter). Isso preocupa pois se tivermos que apostar em investimentos futuros na recuperação do Japão, os títulos, ações e moeda japonesa não serão boas opções. Ainda nesse fim de semana outro grande terremoto de 7,1 sacudiu o Japão e todos olharam para as usinas nucleares. As ações das empresas de energia do Japão estão super desvalorizadas desde o tsunami de Março. Acionistas perderam muito de seus investimentos e não devem recuperar nem a médio prazo. |
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Parece que tudo caminha a tristes contas para nossa previsão em "A letra da crise". O leitor deve se lembrar que na época todos falavam que a letra era "V", era "W", e nós afirmamos que a letra é "n". Ou seja, afirmamos em 25 de Maio de 2010 que depois da queda de 2008, teríamos uma recuperação rápida, um estacionamento provisório e então a volta das quedas generalizadas nas ações, títulos e moedas até uma grande recessão. Parece que vai ser assim mesmo, apesar de não querermos, pois ser mais um cassandra não é agradável ( "O oráculo de Cassandra"). O responsável "mor" para isso é o Federal Reserve (EUA), que contaminou todos os mercados com dinheiro sem lastro (ver "Nova crise já tem dono: Federal Reserve"). Apesar de grande acadêmico e estudioso de crises, Ben Bernanke resvolveu colocar sua tese de doutorado como doutrina para o mundo. E errou. O quantitative easing (nome que o FED deu à política de recompra dos títulos americanos) falhou. E então, como se pode verificar nas linhas acima, muitos são os candidatos para serem o alvo da mídia e ataques especulativos nos próximos dias (ou meses). Qualquer um pode ser o escolhido, diante de algum fato novo, algum anúncio diferente ou cenário estressante. Mas de todos, o mais próximo é a Espanha, pelo seu desemprego, sua grande importância, seus grandes bancos e sua economia. Como a Espanha não consegue andar, Portugal está parado e a Itália patinando. E a Espanha depende desses vizinhos para mover sua economia como elo de auxílio nas exportações e na mão de obra. Desemprego alto, inflação alta e revolta popular (que já se manifesta nas praças) são partes de um cenário mais provável para a Espanha ser escolhida como novo protagonista do cenário de crises financeiras e rebaixamento nas notas de créditos. Mas os outros estão por perto, loucos para roubar essa posição. |
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