Sábado, 26 de Maio, 2018

 

Reajuste Mad Max de Combustível

 

"No futuro não muito distante....

"Não existirá nenhuma civilização...

"Não existirão heróis...

"Somente homens loucos ...

"E forças de controle... "

 

E esse futuro chegou ao Brasil nessa semana.

Homens loucos estão no poder, estão no Congresso Nacional vivendo uma realidade virtual fora de controle, com olhos arregalados roubando mais e mais a cada dia. Eles acham que o que estão fazendo é "normal", é "honesto", desviando sem freio dinheiro de impostos que pagamos.

A frase acima é do filme Mad Max de 1979 estrelando o então jovem Mel Gibson no papel de oficial que tenta controlar uma população fora de controle, com brigas e esterias pela falta de combustível. No filme crimes acontecem o tempo todo, onde os personagens representam pessoas comuns que se rearranjaram em gangues saqueadoras e estupradoras.

O Brasil é o próprio filme, mas não nessa semana, há muitos anos. Os (des)governos que conquistamos começaram roubando pouco, deixando de fiscalizar e punir maus elementos da sociedade, que agora se transformaram em monstros. Depois passaram a roubar muito e às claras, sem vergonha.

A população do Brasil, por conta da falta de investimentos em educação ao longo dos últimos 40 anos, educação de qualidade, com valorização dos professores, tornou-se zumbi.

É duro, muito duro reconhecer isso, mas a população do Brasil virou refém da maior rede de televisão e do Facebook. Ninguém mais pensa, todo mundo se odeia, todo mundo semeia mentiras, todo mundo provoca as pessoas, instigadas por editores de jornais tão corruptos e loucos quantos os políticos.

A falta de inteligência de Michel Temer não surpreende. Ele e seu partido sempre viveram nos porões dos governos, corrompendo e sendo corrompidos e chamando a tudo isso de "consultoria". Por isso o tempo todo políticos quando são pegos com propinas dizem que é dinheiro de "consultoria".

Para eles, fazer fofoca, descobrir jeito de roubar sem ser pego é "consultoria". E Michel Temer cresceu politicamente alinhado a esses escândalos sem aparecer. Afinal de contas, o máximo de votação que Temer teve nesses anos todos não passou de 200 mil votos em cada eleição. Impressionante é que conseguiu tudo isso do estado que se dizia o melhor em educação, em riquezas, em indústrias e comércio.

E junto com o antigo Arena, que se transformou em DEM e com o PSDB, que foi o antigo MDB, Michel Temer e toda a sua turma estão hoje percbendo que deveriam continuar no porão. Era mais fácil para eles governar do porão do que da sala de estar. Não conseguem fazer operação matemática de soma e subtração em planilhas do sistema de impostos federais.

O jovem, mas não mais inteligente Rodrigo Maia, não conseguiu somar e subtrair algumas linhas na planilha Excel. O deputado Marun, "escudo" de Temer, achou difícil esse tipo de conta, pois na "sua época" ele usava calculadora de mesa! E não tem vergonha de assumirem esse desconhecimento vergonhoso, usando tons e palavreados jocosos, se achando engraçados e com ar de poderosos.

A sopa perfeita para o Mad Max brasileiro, o filme de horror por falta de combustível, estava pronta.

Faltava apenas algo que esquentasse para borbulhar o caldo. E esse algo veio, não agora, mas sim desde o meio do ano passado. Essa crise tem nome e endereço. O nome dela é Pedro Parente e mora no Rio de Janeiro, dentro da Petrobras.

Ligado por relações de mercado a esses grupos de investimentos, como o J.P. Morgan, Pedro Parente assumiu a empresa e estranhamente deixa a entender com suas atitudes, que parece querer satisfazer os interesses desse banco americano e outros, chamados de "minoritários".

Assumiu e mudou de uma hora para outra toda a política de reajuste dos combustíveis.

Colocar de forma diária o reajuste, para na versão dele, "não onerar a empresa" com oscilações internacionais, seu conselho e diretores reajustaram a gasolina 116 vezes até dezembro do ano passado (ver reportagem do UOL). Que empresa, que logística, que produtor, que comerciante consegue diariamente ajustar seus planos de investimentos para adequar perfeitamente o preço de seus produtos com essa mudança diária no combustível?

A alegação dos chamados "especialistas" é que lá fora, nos outros países, é do mesmo jeito. Errado!

Como errado?

Porque nos outros países existem inúmeras empresas concorrendo o tempo todo na busca do melhor preço. As alterações que ocorrem dependem do estoque de cada empresa de refino. Assim, mesmo subindo o preço internacional do petróleo, se uma empresa aumentar muito o combustível na bomba, outra com estoque maior vai no sentido contrário para roubar cliente.

Já no Brasil, mesmo as empresas internacionais formam cartéis e repassam todas praticamente ao mesmo tempo as altas, e no mesmo valor, para levar os lucros para seus países de origens. Então, como que se pode afirmar que lá fora é igual ao que a Petrobras está fazendo?

Isso não quer dizer que a Petrobras, como empresa nacional, deva segurar os preços com politicagem barata para render votos. A empresa pode aumentar seus preços conforme os preços internacionais, mas sem ir para a direção dos trades em "real time". Essa noção de traders operando o intradiário nunca deveria ser aplicada ao reajuste de combustíveis.

Como a população carente vai comprar gás de cozinha, trabalhar vendendo suas poucas mercadorias que geram renda para mal comer durante o mês? Uma empresa estatal não pode ter prejuízo, mas ela não deve jogar a conta em quem manda nela. E quem manda numa empresa mista como a Petrobras não é seu conselho, não é o presidente e muito menos os acionistas minoritários. Quem manda nas estatais são aqueles que pagaram os impostos que as criaram.

Muito antes de nós, nossos avós pagaram caro no governo dos anos 50 para criar a Petrobras, e não J.P. Morgan, Goldmann Sachs, Citi Bank ou Bank of America. Sendo assim a empresa tem uma dívida que, se somados todos os investimentos feitos nesses 70 anos, deve com certeza passar de 1 trilhão de reais para com o contribuinte brasileiro.

Uma maneira honesta de reajustar os preços, poderia ser utilizando o conceito de variabilidade. Por exemplo, por que não aplicar um gatilho baseado no desvio padrão dos preços do barril de petróleo? Poderia-se criar uma banda limite para o reajuste dos preços. E essa medida pode ser realizada diariamente, mas com dados históricos dos 30 dias passados.

Ou seja, observa-se sempre 30 dias antes para tomar a decisão de aumentar ou diminuir o preço. Se a variabilidade ficar dentro do intervalo de desvio padrão, não se aplica nada. Deixa o preço como está.

Quando a variação dos preços entre dois dias consecutivos ultrapassar essa banda de limite pré-estabelecido, a diferença da oscilação poderia ser repassada para a população. Assim, quando a variabilidade dessa diferença ficar abaixo de um certo desvio padrão, corrije-se para menos o preço do combustível. Quando ficar a mais, corrije-se para mais.

Para provar a eficácia, tomamos os dados do preço do barril de petróleo desde janeiro de 2016 até alguns dias atrás. O gráfico ao lado mostra a escalada no preço do barril em dólar.

Conforme já explicamos antes, o desvio padrão é a medida de variabilidade mais simples que existe. Esse valor indica o quanto de oscilação ocorre em torno da média.

Por exemplo, se desejar ver o que acontece com uma oscilação de 68% dos dados ao redor da média, cria-se uma banda com um desvio padrão negativo e positivo. Os pontos que estiverem dentro desse intervalo representam 68% da amostra.

Se desejar algo mais abrangente, pode-se aumentar o intervalo para dois desvios padrões. Nesse caso estaremos abrangendo 95% da amostra.

Então, vamos supor um caso real desses dados ao lado. Em 18 de março de 2016 o barril estava valendo US$ 40,85. No dia seguinte caiu para US$ 39,14. Olhando para os 30 dias anteriores o desvio padrão foi de US$ 2,33.

Pode-se então criar a banda [-2,33 +2,33]. Como a diferença entre o dia 19 de março e 18 de março foi negativa e ficou em -1,71, o reajuste não se aplica.

Vamos tomar um dia de reajuste. Por exemplo no dia 20 de abril de 2016 o preço foi de 41,07 e no dia seguinte de 43,35. A diferença foi de US$ 2,28.

Então um reajuste deveria ser efetuado, pois naquele dia a banda era de [-1,19 +1,19]. Subtraindo-se US$ 2,28 dessa diferença para o desvio de US$ 1,19, obtemos US$ 1,08.

Então o reajuste deveria ser baseado nessa diferença, ou seja, alguma porcentagem sobre US$ 1,08 para os combustíveis.

Com essa simples operação a empresa não ficaria prejudicada, pois estaria dentro do seu histórico de variabilidade e poderia aplicar essa diferença nos preços ao consumidor para compensar o estouro da banda.

Ao lado é possivel ver ao longo de um ano e meio dos dados os estouros da banda que é alterada diariamente. Mas como a base é um histórico de 30 dias, a distribuição nas correções são mais "suaves" para o consumidor.

Mas isso geraria lucro para a empresa?

Sim, como pode ser visto na tabela experimental ao lado, só para esses dados, em dois anos a Petrobras ficaria com resultado positivo nas correções de US$ 2,32 por barril.

O número de reajustes foi de 87 vezes nesse exemplo. Desses reajustes, 47 foram de altas nos preços e 40 foram de baixas.

Perto das 116 mudanças realizadas pela Petrobras em 6 meses, 87 vezes em um ano e maio é muito mais suportável para todos os cidadãos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O gráfico ao lado mostra o acionamento dos disparos nos reajustes dos preços. Pode-se observar que muitas são pequenas alterações e as grandes alterações parecem bem distribuídas em intervalos mais racionais.

O eixo das ordenadas mostra o quanto em dólar o preço do barril ultrapassou o intervalo entre desvio padrão negativo e positivo.

Apenas a título de teste, usamos por exemplo não o desvio padrão completo, mas 70% dele como limite.

Ou seja, ao invés de criar uma banda entre menos um desvio e mais um desvio, criamos o intervalos entre menos 70% do desvio e mais 70% do desvio.

Esse número de 70% é ficitício e poderia se adequar a política nacional de impostos, a política da empresa, ou mesmo aumentar mais diante de uma crise global.

O acionamento do gatilho, do tipo "liga-desliga" é mostrado ao lado com as barras atingindo apenas valores de +1 ou zero.

Por exemplo, se o intervalo criado fosse de apenas 30% do desvio padrão para disparar reajustes, o número de intervenções seria de 273 dias.

Nesse caso teríamos 153 altas de preços e 120 quedas, perfazendo um lucro de US$ 14,00 por barril nos últimos 18 meses.

Se em outro caso colocamos um desvio padrão para cima e para baixo nos limites, a empresa teria tido prejuízo.

Nesse caso, para [-desvio +desvio] o prejuízo em 18 meses teria sido de US$ 0,22 por barril, com apenas 38 reajustes.

Se hipoteticamente isso tivesse ocorrido, teríamos apenas 20 altas e 18 baixas.

Enfim, são apenas exemplos simples, testes com dados passados sobre o preço do barril que qualquer acadêmico mediano poderia fazer dentro da equipe de finanças do departamento de preços. Não é possível e nem mesmo racional de se pensar que ninguém dentro da Petrobras, que se destaca por concursos difíceis e excepcional selecionamento de funcionários, pensou em outra política menos radical do que essa de reajuste diário.

Ainda mais impressionante é sua diretoria, seu conselho, todo ele remodelado depois do impeachment de Dilma, concordarem como "bois de presépio" nessa proposta nefasta. Obviamente que as contas e resultados dos lucros não foram em cima de controle dos preços para onerar de forma menos dura possível a vida dos brasileiros.

A conta do slide final deve ter sido com cifras volumosas em seus lucros e o quanto grandes bancos americanos ficariam felizes com um grande caixa da empresa. O que essa turma tem que pensar, é que a empresa não é deles. E nem mesmo o presidente da empresa prestou concurso para entrar. Ele entrou pela janela, pulando etapas importantes para o conhecimento da empresa.

Existe uma história antiga sobre a "Engenharia do Burro".

É sobre a ganância de um produtor de açucar que sai do interior para carregar a mercadoria e vender na capital. Sempre andando ao lado do rio para matar a sede de seu burro, ele foi acumulando cada vez mais sacas de açucar de outros produtores para fazer um grande e excepcional lucro no final.

E para ganhar mais, o produtor foi aumentando a pilha de sacas no lombo do burrico. Depois percebeu que não poderia perder tempo e ficar parando para o pobre animal beber água. E assim foi aumentando a carga e não parando para o animal beber água.

O resutlado final?

O burro morreu de cansaço, ao quebrar a perna e despencar para dentro do rio levando com ele todas as sacas de açúcar.

Assim como Mad Max, assim como a história da engenharia do burro, o final é o caos. O mesmo caos que vivemos hoje pela ganância de um único admnistrador que nunca pensou em estratégia, apenas na estratégia de bancos americanos que o conduziram ao poder. O fim poderá ser o mesmmo para todos:

" Sem heróis nem civilização, apenas loucos".