Quarta-feira, 28 de Dezembro, 2011

 

A recessão de 2012 já começou nas bolsas?

Devemos dizer que o ano novo está chegando ou que o final de ano está próximo? Tudo depende da vontade que se deseja que o ano termine. Pessoas que não passaram por fatos positivos no ano, esperam que somente devido a uma data tudo mudará. O que faz de um dia melhor que outros 364 dias passados? A resposta é a Esperança. O ser humano tem essa dependência a fatos e datas para dizer que naquele horário tudo mudará para ele. De interpretações mal sucedidas até às "previsões" dos Maias, implantou-se no cérebro de muita gente que 2012 será o fim do mundo.

O ano de 2012 poderá ser o fim do mundo para alguns, o início do mundo para outros, um ano maléfico para alguns ou um ano de sucesso para outros. Não será uma data ou uma coletânia de datas que fará o mundo mudar, mas sim, uma coletânia de ações. Somos, enquanto seres humanos, dotados de características sui gerneris para pensar, para colocar as nossas sinapses do cérebro em conexões maravilhosas. Mas quando em um ambiente coletivo, o ser humano torna-se irracional e por acreditar em fatos não entendidos, toma atitudes erradas. São essas atitudes e não as datas, responsáveis pelas tragédias humanas.

Uma guerra se inicia não devido a um ano, ou posição de planetas, ou ainda pela passagem de cometas. Uma guerra se inicia por acreditar que essas datas nos torna vulnerável e acaba levando líderes a se juntarem a outros fanáticos para tomar decisões erradas. Políticos fanáticos com ligações perigosas a crenças ou crendices populares, podem aprovar leis, atos e decisões para por fim à humanidade apenas por acreditar que a data é "perigosa" para se acreditar no futuro.

O ano de 2012 poderá ser um ano como outro qualquer, com tragédias naturais, com guerras e mortes horrorosas, com declarações e manifestações nefastas, ou ainda um ano maravilhoso para o nascimento de uma nova sociedade, de uma riqueza incalculável ou por descobertas científicas nunca antes vistas. Depende da atitude coletiva e não da data. E assim também deverá ser na economia, que poderá ou não levar a uma recessão.

 

Existem muitos gestores e empresários se dizendo otimista quanto ao ano de 2012. Tem muito analista se dizendo pessimista com 2012. Ambos os lados estão errados. Temos que ser realistas com nossos atos e decisões e não com uma data.

Numa quarta-feira, no dia 4 de Agosto de 201o fomos bastante claro em nosso texto ao dizer que "A recessão está chegando". Naquela data nada tinha de pessimista em nossas observações, mas de ser realista, olhar os dados e as atitudes do ponto de vista do cenário completo.

Nessas últimas duas semanas, textos e mais textos de analistas e gestores indicam que 2012 será um ano de recessão. Somente em 2012? Essa recessão vem sendo implantada desde 2010, sem essas mesmas pessoas sequer alertar a população para economizar. Todos apoiavam naquela época que o FED (Banco Central americano) deveria jogar dinheiro no mercado, recomprando abertamente títulos da dívida dos EUA. Não perceberam que nesse ato o FED seria o responsável pela recessão ("Nova crise já tem dono: Federal Reserve"). Observe o gráfico ao lado, do índice Dow Jones entre os anos de 1931 e 1933.

 

 

 

Dow Jones diário entre 1931 e 1933

 

 

Ibovespa diário entre Setembro e Dezembro de 2011

 

Agora observe o gráfico ao lado do nosso índice Ibovespa de Setembro desse ano de 2011 até o dia de hoje, final de 2011. O que se observa nos dois gráficos é que ambos os índices ficaram "presos" numa faixa de valores. O Dow Jones entre 50 e 70 pontos e Ibovespa entre 50 mil e 60 mil pontos.

O evento que liga os dois gráficos e as duas épocas foram os crashes de 1929 e 2008. Outro fato que liga os dois gráficos foi a série de erros em reconhecer que depois do crash a recessão estava instalada.

Outro fato ainda são as previsões errôneas que aconteceram em ambas as crises, conforme já relatado no texto "Sobre a arte de fazer previsões". Nesse texto mostramos que os acadêmicos americanos foram infantis e irresponsáveis ao analisar erronêamente os sinais do mercado. Listamos 10 previsões totalmente erradas levantadas pelo grande economista John Keneth Galbraith que acusou a Harvard Economic Society em seu livro. Vale a pena relembrar

A recessão não acontecerá em 2012, ela já vem se implantando lentamente desde 2010, cegando com dados "ruidosos" a visão dos gestores. De que interessa saber a opinião dos donos das empresas americanas? O que significa para a economia real se passou de 51 para 53 pontos? Para a economia real, para as pessoas que vão pagar suas contas, tanto faz. Apenas as bolsas de valores acham isso relevante e apostam erronêamente que esse é um dado relevante. De que adianta saber o relatório FOCUS do BC do Brasil? É apenas uma opinião dos analistas do mercado sobre o futuro do dólar no fim do ano que vem. Ou ainda sobre a inflação do fim do ano que vem. Ou ainda sobre os juros da Selic no fim do ano que vem. Eles por acaso acertaram o preço do dolar no fim desse ano? Quantos que participam desse relatório não diziam em Janeiro de 2011 que o dolar estaria acima de R$2,00? Isso é simplesmente insignificante para o poder aquisitivo real e apenas serve para inflar e criar bolhas nas bolsas.

Algumas notícias dispararam de Novembro para cá, somente agora dizendo que 2012 teremos recessão. O leitor pode verificar por si só:

- "Chance de recessão é de 50% em 2012 nos EUA, diz relatório do FED" (reuters em Novembro de 2011)

- "Líderes da indústria alemã não enxergam recessão em 2012" (reuters, Dezembro de 2011)

- "Como Obama sobreviverá à recessão de 2012?" (US News, Novembro de 2011)

- "Portugal afundará na recessão de 2012" (Public Service Europe, Dezembro de 2011)

- "Uma recessão em 2012?" (Fox Nation, Dezembro de 2011)

- "Reino Unido enfrenta retorno de recessão em 2012" (The Guardian, Dezembro de 2011)

Em todos os textos, os analistas mudaram radicalmente suas projeções, que em 2010 apontavam que a crise já tinha passado. Esse é o problema, ou seja, a atuação coletiva sem pensar, sem raciocinar, levado pela opinião de uma grande maioria de "especialistas". O especialista não existe. Existe a pessoa que observa de seu próprio jeito e toma a decisão. Deixar para outros dizerem que uma data será isso ou aquilo, não faz parte da estrutura criada pelo ser humano.

Por exemplo, o gráfico a seguir é de 555 horas (cerca de 4 meses de negocição intraday) de observação do Ibovespa-intraday, tomandos a cada 15 minutos e nos revela a mesma coisa que o gráfico diário.

Não é apenas o preço do fechamento do Ibovespa que está preso num canal de pontuação, mas durante as horas dos dias, o comportamento dos investidores de curto prazo é o mesmo comportamento dos investidores chamados de longo prazo. Todos olham as mesmas notícias, mas pior do que isso, pensam da mesma maneira. Existe uma incapacidade de realmente separar um investimento em uma empresa daquilo que é apenas especulação.

Seguindo e observando a história, percebemos que nas bolsas de valores dos dias atuais o comportamento já é idêntico ao comportamento do investidor de 1930. A tecnologia e todo estudo provocado pela desenvolvimento da ciência em nada alterou o comportamento humano sobre o poder de decisão, pelo menos no mercado financeiro.

Diante desse fato, o que pode se perceber é que a recessão à qual promulgávamos em 2010 em nosso texto realmente nos atingirá em 2012. Claro que muita gente vai associar isso ao povo Maia, ou a Bíblia, ou a Nostradamus ou a qualquer outro popular que "sempre" acerta previsões. Isso não existe. Uma data é algo inventado pelo homem apenas para marcar o desenrolar dos eventos. Mas diante da inconsciência coletiva, uma data pode sim influênciar fatos e decisões.

Se em 2010 os investidores tivessem pressionado os lideres para geração de empregos, não haveria nenhuma crise ou recessão em 2012. Ou então, se os líderes realmente fossem líderes, teriam estudado mais e percebido que com grande geração de emprego não existe recessão. Se tivessem restringido e endurecido as regras para os fundos de investimentos, não teríamos recessão em 2012. Se tivessem endurecido as regras para negociações de altas frequências, as empresas seriam vistas como um capital e não como uma roleta de Cassino.

Como nada disso aconteceu, infelizmente, o pobre do povo Maia é quem será o culpado pela possível recessão de 2012. Ainda há tempo de mudar esse cenário? Não. Isso não é pessimismo, mas sim observação de que as atitudes tomadas continuam as mesmas, oferecendo dinheiro aos bancos em vez de oferecer oferta de emprego. Mas, quem sabe os sábios Maias não esconderam no templo de Yucatán, uma profecia para mudar os líderes e os atos coletivos de 2012?

A todos, nosso feliz 2012. E ainda 2013, 2014 e 2035. Sejam sempre felizes independente de um número chamado de data.