Sexta-feira, 20 de Março, 2015

 

Risco Extremo nos Mercados

O barulho da chuva batia preguiçosamente na janela do quarto. Os pingos soavam conta-gotas nas madeiras da janela antiga e surrada pelo tempo, que por vezes toma o Sol quente do verão. O dia seria preguioso, disso parece que ninguém tinha dúvida, pois haviam aquelas nuvens escuras dominando o céu, com garoa fina e o clima convidando a tomar uma boa xícara de café forte e escuro. É feriado, dia de São José, o padroeiro de muitas causas perdidas, inclusive emprego e chuva.

Dizem os mais religiosos, que quando chove no dia de São José, chove o ano todo. Como a Ciência explica essa crendice popular? Será verdade? Algum fato antigo chamou a atenção do matuto do campo para essa associação estranha? Os jornais, como sempre, só traziam notícias ruins. Parece que escrever alguma coisa boa não faz mais parte do script dos editores medíocres da atualidade. Lá se foram bons tempos onde os editores escreviam bem, escreviam para todos, e não apenas para a corporação dona do jornal que quer vender mais em cima de assunto já batido.

Só havia uma certeza, ou quase certeza. As ações da Vivo (VIVT4) cairiam forte. A tela do CANAL ONLINE mostrava o seguinte sinal:

O IMA-crash da VIVT4 já tinha ultrapassado a medida de 0,8, e como de costume, a estatística sempre mostra probabilidade acima de 90% para uma forte virada para baixo. Há 8 anos atrás quando isso ocorria, batia o chamado "calorzinho" de medo de falhar em afirmar com tanta precisão tal previsão. Nos dias atuais, até soa arrogância e petulância, mas o IMA-crash acima de 0,8 avisa com dois dias de antecedência que tragédias virão à frente do sinal observado.

O horário na tela do computador era

Esse tipo de número e representação computacional é nostálgico, mas fascinante, pois lembra quando a programação de computadores era uma arte, era um prazer enorme ver essa representação de data com os resultados sendo despejados na tela do computador. A hora da "previsão" era 12:51 do dia 18-Março-2015. E o que se viu depois?

Dos R$ 54,01 daquele momento, a ação VIVT4 caiu para R$ 50,38 às 11:21 do dia 20-Março-2015. A queda foi de 6,72% e a quantidade de dias de quedas... dois dias. A visão total desse cenário na tela do CANAL ONLINE foi essa à seguir:

Como e por que o IMA acerta tão bem esse tipo de previsão e nos presenteia com tamanho grau de acertos? E o melhor, sempre avisa com boa antecedência para o sinal intradiário, com dados adquiridos a cada 15 minutos. Quanto ao tempo do céu, a previsão dos meteorologistas errou e o tempo abriu na parte da tarde com muito Sol e calor. Então, sendo o mercado tão turbulento e tão difícil de prever, onde está o chamado "pulo do gato" do IMA. Até mesmo nosso mestre de todos, Sir Isaac Newton, desistiu dos mercados financeiros. Em suas palavras, quando ocorreu um violento crash promovido pela Companhia dos Mares do Sul, Newton afirmou:

"... Eu consigo prever onde os planetas vão estar, consigo dizer com precisão onde uma bala de canhão irá cair, mas nunca vou entender a loucura das pessoas do mercado financeiro...".

Talvez realmente exista uma força oculta, como os exotéricos afirmam, que nos conduz na forma de "ondas". Mas ninguém provou cientificamente. Talvez existam mesmo espiritos de luz, que na forma de onda nos coloca pela frente os destinos de cada um. Mas ninguém provou isso cientificamente. O que se provou é que ciclos realmente ocorrem nos eventos históricos, nos eventos econômicos, nos eventos eletrônicos, enfim, em tudo que depende de obtenção e visualização de sinais.

As ondas são medidas em frequências, em períodos, em fases, e nas recentes décadas em tempo, com as chamadas wavelets. Essas wavelets, ou ondaletas, se encaixam em eventos passados e determinam qual tipo de situação passada estamos vivendo nesse momento. O chamado espectro que está vivo no tempo, nos sauda com "luzes" brilhantes mostrando o ciclo do repetitivo evento do passado. Talvez seja esse o motivo de tamanho acerto do IMA. Por que talvez, e por que não uma afirmação?

Porque mesmo com estatística favorável, a estatística dos riscos nos informa para colocar os pés no chão e pensarmos em probabilidades. Se a densidade de probabilidade não é aquela de seus cálculos, você está errando e convencendo os outros de seu erro. Na Ciência isso é fatal, e a batida de frente é forte pelos pares avaliadores de sua pesquisa. Já no mercado financeiro, a desculpa é sempre: "os mercados são imprevisíveis". Então por que temos as agências de risco?

O problema não está na não previsibilidade do mercado. Está em usar de forma errada a Estatística que nos brinda com suas hipóteses que devem ser sempre respeitadas. Mas os analistas ou charlatões do mercado não as respeitam. Por exemplo, já escrevemos aqui que os mercados não seguem a distribuição Normal (ver "Por que o mercado não é normal?"). Artigos aos milhares existem na internet constatando esse fato. Mas "nossos" especialistas em mercado ainda divulgam relatórios de riscos baseados na distribuição de probabilidade Normal (ou gaussiana).

O leitor poderá observar na figura ao lado, algumas pequenas setas em cima dos gráficos. Sabe o que isso significa? Quantas vezes o conhecido e famoso "Valor em Risco" ou Value at Risk, conhecido pela sigla VaR falhou no segundo semestre de 2008.

Sete vezes errou, sete vezes deu prejuízo, sete vezes enganou os analistas, sete vezes provocou medo e desespero em 2008.

Mesmo dentro da crise, se os analistas tivessem a experiência para calcular a chance do VaR acertar suas previsões, teriam desistido dessa técnica para sempre. Ou não, porque são teimosos nos erros.

A maior queda num determinado dia em 2008 foi de 11,39% no segundo semestre. Pelo cálculo de probabilidades, se a distribuição fosse Normal, essa quantidade de variação diária só aconteceria uma vez a cada...1.328 dias! Sim, somente daqui há mais de mil dias teríamos uma queda como essa. Mas ela ocorreu e com frequência em 2008.

Se usarmos a média das variações de 2007 para tentar prever o que aconteceria em 2008 seria ainda mais assustador. Com dados de 2007, se desejássemos prever os riscos do mercado no ano seguinte, uma queda de 11,39% nunca ocorreria.

Ou melhor, se a distribuição fosse normal, essa é uma variação que somente ocorre uma vez a cada 40 bilhões de anos. Se usarmos a função do Excel conhecida como Inv.Norm.N( ) esse cálculo é simples e imediato. Qualquer um com boa vontade e pouco conhecimento de estatística pode realizar.

 

 

VaR diário mês a mês com janela de cálculo de 10 dias (julho-dezembro)

Para evitar aquele velho jargão de que "bater em bêbado é fácil", fizemos uma comparação entre a distribuição de probabilidade teórica e a real para os retornos do Ibovespa não para a crise de 2008, mas para dados de 2013.

Qualquer pessoa pode calcular os retornos do Ibovespa, criar a distribuição de probabilidade teórica e comparar com os dados reais. Na verdade isso pode ser realizado para qualquer ativo das bolsas pelo mundo inteiro.

A curva em azul ao lado, é o que se esperaria para os retornos do Ibovespa em 2013. As diferenças diárias, teóricamente deveriam seguir de perto essa curva. Mas o que se observa é a curva em vermelho.

Ou seja, mesmo fora de qualquer crise, o valor estimado por qualquer cálculo de risco apresentou erro de 25% em relação os retornos reais. Alguém lhe falou isso em seu banco, caro leitor? Claro que não, apenas nos dizem que o fundo gold-platinum-X lhe dará 100% do CDB, o que não quer dizer nada.

Na figura ao lado, uma queda de 0,68% tinha menos de 0,5% de chance de ocorrer em 2013. Ela ocorreu em 1% das vezes.

E se o mercado virar? E se uma crise acontecer? "Estamos protegidos, e nosso erro é de apenas 5%", diria seu banco. Errado, em 2013 todos correram riscos maiores e mais perigosos ao calcular o Value at Risk para o Ibovespa, erro de 25%.

 

Essa discussão toda será apresentada por nós, AO VIVO, online, num curso com slides e algumas planilhas em Excel, onde fomos gentilmente convidado pelo grupo de ensino Leandro&Stormer. Apresentaremos planilhas, modos de calcular assimetrias no mercado financeiro, distorções de probabilidades para os ativos, as falhas nos cálculos dos riscos, o estudo da FFT para as frequências medidas no mercado, para no final, chegarmos às wavelets. Mostraremos como chegamos ao IMA, como ele funciona, e o porque de seu uso.

A ementa do curso é essa a seguir, divida em dois dias (24 e 26 de Março), ao vivo a partir das 19 horas no canal do Leandro&Stomer, com chat para se conversar enquanto apresentamos o curso.

O link para o curso é esse a seguir, ao clicar no banner de sua apresentação:

A você que sempre nos prestigia com sua presença aqui no Mudanças Abruptas, esperamos conversar ao vivo com você nesse curso, e dentro das limitações de nosso conhecimento, poder abrir novas frentes de discussões sobre formas de enxergar o mercado financeiro.

Até lá!

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