Quinta-feira, 24 de Novembro, 2016

 

Nossos sete anos

 

Eu não queria ir à escola. Nos meus 6 a 7 anos, brincar sozinho era uma constante em minha vida e convivia muito bem com meus "amigos invisíveis". Eles eram muito legais, me distraíam e me empolgavam nas brincadeiras. Mas isso não tem nada com espiritismo ou fantasmas.

Meus "amigos invisíveis" eram personagens que eu criava na hora de jogar futebol sozinho. Tinha o craque da ponta direita, tinha o atacante imitando jairzinho, tinha o meia de campo imitando Leivinha (do Palmeiras) e assim por diante.

O que mais eu gostava de imitar era o goleiro Leão. Chutava a bola com força na parede para ela voltar bem no canto e eu cair para fazer a defesa. Me ralava inteiro, mas sempre gritava "defeeeende Leão para o Brasillll ". Às vezes criava times inteiros com nomes inventados e jogava bola o dia todo, sem ninguém, só eu e meus "amigos".

Muitas vezes criava cenários de guerra com meus "hominhos" e bonecos imitando soldados. Como os tempos mudaram. Hoje isso seria um ato repugnante, com os adultos dizendo que brincar de guerra é apologia ao crime. Ou ainda, esse povo chato da internet dizendo que brincar de guerra torna uma pessoa assassina. Quanta besteira.

Também brinquei muito de banco imobiliário, mas isso não me tornou milinário até hoje!

Lembro de quando ganhei de meu avô materno dois revólveres de espoleta. Eram prateados e tinham os canos brancos. Gostava muito de rodar entre os dedos, assim como os cowboys faziam nos filmes. Gastava espoleta com cheiro de pólvora, do qual o cheiro me lembro até hoje. Nunca senti vontade de matar ninguém, nunca briguei com ninguém, e até onde eu sei, não sou bandido.

Brincadeiras, desde que você tenha um lar saudável e com educação correta dos pais, não tornam ninguém bandido porque brinca disso ou daquilo.

O que dizer dos desenhos da época? Coitado do Zé Buscapé, hoje o autor do desenho seria preso, por incentivar o uso de armas!

Enfim, aos 7 anos, pra que eu iria a essa tal de escola?

Mas chegando na escola, já no primeiro dia fiz muitos amigos e gostei do ambiente. Realmente era muito bacana essa tal de escola, mas vivi ainda por muitos anos com meus "amigos invisíveis".

Isso mostra que nossa apreensão pelo desconhecido causa o repúdio muitas vezes desnecessário. Ser ignorante num assunto ou numa área não significa ser incapaz, não significa ser menor do que ninguém, apenas não viveu aquela situação antes. Quem as viveu é apenas mais experiente no assunto, não mais inteligente.

Ao criar esse site, tivemos a apreensão e o receio sobre o que viria em troca. E-mails com palavrões, xingamentos, críticas destruitivas, gozações, enfim tudo o vemos todos os dias na mídia. Mas a realidade é que criamos novos amigos, amigos desconhecidos fisicamente, mas com laços de interesse bastante comum. E como sempre me dei bem com meus "amigos invisíveis", o site me faz ser muito feliz com amigos que não conheço fisicamente.

"... professor, obrigado pelo texto O Dicionário de Deus, graças a ele eu resolvi fazer o curso de Matemática..." . Que maravilha de e-mail, escrito por um internauta que se disse empolgado com as formas geométricas expostas no texto e sobre como as equações poderiam descrevê-las. A palavra do texto foi poderosa e decisiva a ponto de mostrar um outro lado para uma pessoa. Que mudança abrupta o texto causou em alguém!

Falar de mercado financeiro, falar de política, mostrar um pouco de nossa pesquisa, mostrar um pouco de novas ferramentas computacionais, criticar o uso errado de estatísticas, apresentar algumas malandragens da mídia que tenta convencer pessoas com informação errada, enfim, os textos desses últimos 7 anos tiveram sempre a conotação semanal, sobre algo que chamou a atenção sobre alguma polêmica no mundo.

O Mudanças Abruptas começou com cerca de 200 acessos por mês. Nesse mês que completa 7 anos de existência na internet, chegamos a um milhão de visitas em 3 anos.

A média de acesso por mês chega a 22 mil acessos/mês sendo a seção "análises" a mais visitada do site. Essa é uma seção específica para análise semanal do mercado financeiro, com amostras de alguns resultados do IMA-ONLINE.

Quando iniciamos, precisamos de uma ajuda com o patrocínio do site. O primeiro patrocinador foi o jornal Valor Econômico.

Como estamos no meio acadêmico, o segundo patrocinador foi a Opencadd, representante do Brasil na venda do software Matlab.

Trabalhamos com o software Matlab desde sua primeira versão no meio dos anos 1980, para previsão, simulação e otimização de sistemas. Um ótimo software para todas as áreas da Ciência.

No momento o Mudanças Abruptas sobrevive e tem sua própria vida graças a colaboração dos assinantes do canal IMA-ONLINE.

Fora isso, ainda temos as doações que são feitas por leitores que colaboram com o que acham que podem doar, nos valores de R$ 2,00, R$ 5,00 ou R$ 10,00.

Assim, independente de qualquer grupo econômico, de qualquer ideologia, tanto nós quanto nossos professores que escrevem de vez em quando em suas colunas, o Mudanças Abruptas tem liberdade para criticar qualquer assunto sem influência de ninguém.

Mês de Outubro 2016 - Recorde de 27 mil acessos

 

 

Análises semanais do mercado teve 57 mil acessos em 3 anos

 

 

Depois do Brasil, Portugal e Alemanha foram os maiores acessos

 

 

Talvez isso tenha atraído brasileiros que residem fora do Brasil e tentem saber de notícias de uma outra forma, ou outro ponto de vista.

Também graças aos modelos que apresentamos, alguns resultados teóricos, graças a nossa seção de acadêmicos com informações sobre alguns assuntos mais específicos, o público que visita o Mudanças Abruptas não é apenas do Brasil.

Depois de internautas brasucas, o segundo maior acesso é de Portugal. E nos últimos 3 anos tivemos muitas visitas vindas de países bem distantes. Depois de Porugal os maiores acessos são da Alemanha e França.

O texto mais visitado foi "O rastro digital da megasena", um texto onde analisamos a sequência dos números da loteria e indicamos a presença de não aleatoriedade em diversos jogos.

A prova disso foi baseada em novas medidas estatísticas para testes de aleatoriedades. Muitas pessoas gostaram e espalharam o texto a ponto de atingir 17.575 visitas.

Muitos ainda solicitaram a planilha para seus próprios testes. Quem não quer ficar rico?

O que irá acontecer à frente?

Não sabemos. Pode ser que o site dure mais 7 anos, pode ser que dure mais, pode ser que sua existência seja interrompida antes. Hoje, com ajuda dos assinantes, o site tem sua vida normalizada, em dia com os impostos, em dia com suas contas e sua própria vida, graças a você fiel leitor e assinante.

Algumas vezes recebemos e-mails do tipo: "... precisa atualizar com mais frequência os textos, crescer, modernizar, enviar via celular, fazer medidas de outros índices..." e assim por diante. Ou então, "...vocês não querem crescer?..", certa vez retrucou um internauta.

O Mudanças não é um supersite, talvez nunca venha a ser um supersite. Se tiver mais patrocínio seria bom? Claro que sim, e existe espaço para isso, pois muitos sites não chegam a marca de 1 milhão de acessos. Mas a ideia inicial é de expor aqui apenas um "desabafo acadêmico" e demonstrar do ponto de vista da Ciência como muitos erros que aparecem em nosso dia a dia são maldosos e por ignorância.

E essa ignorância não depende de nenhuma raça ou classe social, haja vista que baqueiros bilionários cometem erros absurdos, grandes, a ponto de jogar todos nós e nossas vidas no lixo econômico que vivemos. Então, dinheiro não é sinônimo de inteligência. Somente a educação, a Ciência e os estudos tornam o cidadão mais honesto e justo.

Em alguns textos também descrevemos nossa observação da política, como um contraponto do ostracismo e "mesmice" global pelo que passa o Brasil. Todos parecem não pensar mais, apenas repetir as asneiras da grande imprensa e seus limitados colunistas. A manipulação cega as pessoas sobre a verdade, sobre a realidade.

O que todos devem pensar é que, seguir uma onda, não significa que você está no caminho certo. Por isso parar, ficar de fora do "oba-oba" e olhar o lado mais crítico ajuda a ser um cidadão mais decente. Perguntar-se sobre os fatos, olhar os dois lados da história, pesquisar sobre o passado de quem diz, de quem fez ou de quem está falando, é fundamental para saber onde chegaremos.

É só observar que o "todo poderoso" protegido de Michel Temer nunca foi, desde jovem, flor que se cheire, nunca gostou de estudar, sempre agiu com esperteza, se infiltrando em grupos de estudo de estudantes mais inteligentes para se dar bem na vida. Sim, segundo Renato Russo do Legião Urbana conta em seu livro, Gedel Vieira era in-su-por-tá-vel (ler aqui no O Globo). Nasceu torto, tornou-se mais torto e vai morrer torto, levando uma grande gama de pobres brasileiros para o buraco em função dos seus interesses pessoais. E o presidente da República endossa isso!

O que faltou a ele? Educação.

O Mudanças Abruptas não vai mudar ninguém. Mas também não vai deixar de mostrar e cutucar o leitor sobre um olhar para os outros pontos de vista. Erros de números, erros sobre dados, erros sobre aspectos na Ciência aparecem todos os dias e, dentro de nossa pequena capacidade de expor e relatar todos os fatos, tentamos da melhor maneira discutir isso em nossos textos e no site.

Então, 7 anos, 14 anos, 21 anos, não saberemos o que vai se tornar o Mudanças Abruptas.

Mas se ele tocar em algo que estava adormecido em você, meu amigo leitor, em algo que você tinha vontade de fazer, estudar, realizar mas não sabia como, será de grande alegria para nós.

Os leitores são meus atuais "amigos invisíveis", os quais eu brinco, cutuco, tento trazer para dentro do texto e da ideia por trás das linhas escritas nas seções. Não conheço todos, mas sei que se estão lendo o que escrevo, pensam que algo nas suas vidas, ou na sociedade, precisa de Mudanças Abruptas.

Obrigado por 7 anos, caro leitor, "amigo invisível" !!

 

 

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