O silêncio dos inocentes
“Devolvam nosso dinheiro”, disse o presidente Barack Obama dos EUA divulgado em vários sites (http://www.financialpost.com/story.html?id=2440608).
Conforme nosso post anterior (2010: diagnósticos e prognósticos financeiros, http://mudancasabruptas.com.br/Anonovo.html ), os bancos revoltaram Obama ao não cumprirem com o propósito do empréstimo de quase 800 bilhões de dólares.
A aprovação do empréstimo aprovada pelo congresso era gerar novos empregos, garantir os existentes e estimular os gastos através das fontes de créditos. Isso não ocorreu como mostrado no texto “Economia USA e radiação fazem bem à saúde” (no link deste site http://mudancasabruptas.com.br/USAecon.html ). Grande parte desse montante foi utilizado pelos bancos americanos para investimentos ( ou re-investimentos) no mercado de ações. O dinheiro canalizado pelos bancos no mercado de ações está provocando bolhas nas bolsas do mundo todo.
Mesmo que algumas ações mereçam seu crédito pela valorização embasada em sólidos relatórios a maioria das valorizações não corresponde ao mercado real, ou estado financeiro, a ponto de obterem as maiores valorizações num período de tempo tão curto.
A bolsa do Brasil foi uma das que mais se valorizou no mundo com algo em torno de 90% e a todo instante com alarde da famosa frase de que é a “bola da vez”. Os quatro bancos americanos Citigroup, Bank of America, JP Morgan e Morgan & Stanley deixaram a bolsa brasileira longe na corrida pelas maiores valorizações.
As ações do Citigroup no pior momento da crise chegaram a custar US$ 1 e chegaram nessa semana a US$ 3,5 ou 250% de valorização. O Bank of America custava US$ 4 em Setembro de 2009 e saltou para US$ 16 a ação ( 300% de valorização). Quanto as ações do JPMorgan, valiam US$ 15a ação e saltou para US$ 45 ( 200% de valorização). E finalmente, as ações do Morgan & Stanley subiram de US$ 15 para US$ 30, tendo “somente” 100% de valorização em pouco mais de um ano.
No final de 2009, num gesto de extrema generosidade alguns bancos devolveram parte do montante tomado como empréstimo. Como “inocentes” da crise, silenciaram quanto às responsabilidades e voltaram ao pagamento de generosos bônus aos seus executivos. Silenciaram também quanto a não facilitar o crédito como queria o governo americano. E finalmente silenciaram quanto aos seus enormes ganhos mesmo estando a economia ainda debilitada. Os bancos silenciaram quanto ao seu propósito, mas continuaram agindo como grandes players do mercado, valorizando ações em seus relatórios de recomendações. Por conta deles, quando recomendam possuindo seu enorme poder de compra e venda, fazem o mercado acontecer. Escolheram dessa vez que o porto seguro do dinheiro mundial era as bolsas dos emergentes, e uma das principais a Bovespa. Conforme já comentado em nosso outro post (“ o tom irracional da bolsa”, http://mudancasabruptas.com.br/Irracional.html ), o problema de ser a bola da vez é que todos tentam colocá-la no buraco.
Assim como Hannibal Lecter no filme “O silêncio dos inocentes”, será possível os bancos concordarem com a cobrança do presidente dos EUA e ajudarem a solucionar casos de crise pelo mundo, como um bandido que busca o benefício da delação? Nesse um ano e meio, não pareceram estarem dispostos a isso.

Ações do CitiGroup

Ações do JP Morgan

Ações do Morgan & Stanley

Ações do Bank of America

Sábado, 18 de Janeiro, 2010