
Terça-feira, 10 de Agosto, 2010
Alerta no sinal de crash. Ibovespa vai virar forte.
Não será apenas uma correção. Gostaríamos que fosse apenas mais uma correção natural do Ibovespa, que não houvesse desemprego nos EUA, que a economia mundial estivesse crescendo. Mas nãos será correção. As notícias no Brasil estão "brandas" e iludidas pelo crescimento do país. Estamos crescendo pela força de nossas empresas, da agricultura, do esforço de alguns setores importantes, mas sobretudo por falta de opção mundial. Falta de opção quando nos referimos aos especuladores em busca de ganhos rápidos e não dos investidores de longo prazo. O aporte no país do investidor de longo prazo é importante para manter o emprego, a renda e a estabilidade econômica. O grau de investimento adquirido pelo país foi um importante sinal aos bons investidores, mas também aos especuladores de curta permanência. Não que isso seja de todo mal, mas muito especulador de curto prazo cria essa sensação no Brasil que o mundo não está em crise, ou ainda que estamos "fora" da crise. Segunda-feira (09/08/2010) nosso índice de crash atingiu um valor muito próximo dos dias da grande queda de 2008, com valor de 0,93. A explicação técnica pode ser encontrada na página principal do site ("Explicação IMA"). Esse valor dá uma garantia que estamos próximos de uma reversão muito mais forte do que apenas uma correção. O sentido de "mais forte" significa mais de 10% de queda para os próximos dias ou no máximo semanas. Confundido com análise técnica, muitos leitores carinhosamente quando nos escrevem perguntando algo, sempre usam da afirmação "o que sua análise técnica diz agora..." ou "você que gosta de análise técnica...". Cabe lembrar que o índice de mudanças abruptas nada tem de semelhança com as análises técnicas tradicionais (média móvel, estocástico, IFR, etc.) pois ele não se baseia em padrão gráfico anterior para obter seu valor. O índice de crash é baseado na análise wavelet que depende das frequências amostradas, ou seja, o espectro de medida não é no tempo como todas as análises técnicas fazem. Um sinal de celular procura o sinal da antena pela frequência mais forte e não por dados anteriores no tempo. Um sinal de televisão só consegue capturar imagem pois procura frequências. Um sinal de rádio FM também procura frequências. Assim, o sinal de crash procura frequências rápidas que em grande quantidade fazem a tendência do mercado mudar. Essas altas frequências (ou frequências rápidas) estão relacionadas, por exemplo, com notícias contraditórias. Em 2007 o sinal foi usado pela primeira vez na forma em que está para o Hang Seng Chinês. A previsão de grande virada do Hang Seng ocorreu uma semana antes da primeira grande queda de 4% em Novembro de 2007. Dos 33 mil pontos na época até hoje, o Hang Seng não voltou mais a esse patamar. Quando todos publicavam artigos que o céu era de brigadeiro, alertamos que ia ocorrer uma grande virada no mercado. Bom, mas "achismo" todo mundo tem liberdade de fazer. No entanto, o índice de crash foi publicado duas vezes em revista internacional (Physca A) da Elsevier com crivo de pesquisadores (sempre em número de 3) internacionais. Um deles, por coincidência era diretor da Sociedade Suíça de finanças. Significa que não é apenas dizer que um índice funciona, mas provar estatísticamente o quanto funciona para observadores acadêmicos internacionais. Após a publicação em 2007 e início de 2008, o índice começou a acompanhar diariamente o Ibovespa. A primeira figura desse texto mostra os alertas que o índice de crash fez recentemente.
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Quando o índice de crash atingiu o patamar de 0,95 em 20 de Abril de 2008, poucos dias depois o Ibovespa começou a cair, às vezes voltando um pouco, mas sempre caindo. Essa queda começou muito antes de se saber que o Lehmann estava quebrado. Como o índice captou o crash? Pelas frequências escondidas no sinal temporal. Em 6 de Janeiro desse ano de 2010, o índice de crash passou de 0,88 e o Ibovespa recuou 11%. E o último sinal forte aconteceu em 8 de Abril de 2008 quando o Ibovespa virou novamente e teve uma queda de alguns dias de 19%. Pode-se observar nas duas figuras a seguir como foi pronunciada as duas quedas uma vez que olhando a figura 1 parece que foi apenas uma correção. Pode-se lembrar que sempre que essas quedas fortes (acima de 10%) ocorrem, todo mundo fica apreensivo e comentários nos noticiários começam a aparecer relembrando a crise. |
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Nada no mundo tem 100% de acerto, ninguém no mundo tem 100% de razão e isso vale para o índice de crash. Mas a diferença dele, é que quando aparece forte serve como um alerta para pararmos, para pensar um pouco. Refletir a situação global é importante para os investimentos futuros. A tabela a seguir foi retirada do segundo e mais completo artigo onde o IMA (índice de mudanças abruptas) foi criado (" A new indicator of imminent occurrence of drawdown in the stock market"). A primeira tabela é para o Dow Jones, avaliado desde 1929. Deve-se tomar cuidado com as datas pois está em formato inglês, ou seja, o mês vem primeiro que o dia. A segunda coluna nomeada com uma letra grega indica o valor do índice e a terceira coluna de quanto a quanto variou o Dow Jones. A penúltima coluna mostra os dias de quedas e a última a variação em porcentagem. Em 4 de Setembro de 1929, alguns dias antes da segunda-feira "negra" o índice de crash atingia 1,0. A partir de então o Dow Jones saiu de 379 pontos e caiu para 198 pontos em 46 dias, uma queda de quase 50%. O índice teria avisado ao mercado da época que uma virada iria ocorrer. E para o Ibovespa? Com os valores obtidos desde 2004 a tabela a seguir mostra o que aconteceu todas as vezes que o índice atingiu valor 1,0. Pode-se observar que nosso último valor na tabela foi em 6 de Maio de 2008, pois foi quando o artigo foi submetido para publicação. Não sabíamos que o Ibovespa ia continuar caindo. A queda foi ainda mais pronunciada do que o número de 19% anotado na tabela. Significa dizer que temos um alerta, que poderá estar errado, mas diante de tantos valores observados e computados, existe uma maior probabilidade de uma queda superior a 10% do que a continuidade da tendência de alta observada nos últimos dias. Do ponto de vista de fundamentos, como essa queda se justifica? Por que haveria uma queda a partir desse mês? As notícias que não são as "chamadas de capa" já alertam bem sinistramente que o céu não é de brigadeiro. Desemprego americano está alto, produção americana está baixa, valores de casas, aquisição de créditos nos EUA, endividamento incomum americano, desemprego na Europa, crise do Euro, falta de confiança do consumidor europeu e por fim, a China. A China teve sua bolha até 2007 em seus índices de mercado. De lá para cá o Hang Seng depois de cair estacionou nos 21 mil pontos, muito abaixo do máximo 33 mil pontos. Apesar da economia chinesa ainda crescer mais de 10% ao ano, e mesmo Singapura crescendo 26%, o mercado asiático anda preocupado. E mercado asiático preocupado é preocupação geral. Com os pontos de fundamentos anotados, o índice ainda assim poderia estar errado. Por exemplo, se não houvesse tanto dinheiro público do tesouro americano especulando nas bolsas, elas estariam caindo mas levemente e fazendo com que o consumidor americano poupasse mais. Claro, isso é recessão. Mas recessão é um período para modificar regras e atitudes como as que ocorreram entre 1930 e 1940 e depois entre 1970 e 1990. O mundo não acabou, as empresas sólidas sobreviveram e não tivemos mais fome do que temos hoje. Eram tempos difíceis, mas todo mundo sobreviveu. O problema é que quando se altera o curso natural do processo, ao invés de recessão vem pânico e pobreza que são muito piores. A injeção de dinheiro artificial no mercado não estabiliza o processo e a volta das quedas pode ser mais forte. Simulamos essa situação em nossa vídeo análise ("Altas frequências no mercado de ações"). Em nosso texto de 23 de Março sobre o "Oráculo de Cassandra" já dissemos da ingratidão que é fazer previsão e ainda mais no mercado financeiro. Portanto o que se tem agora não é uma previsão, mas um alerta importante sobre as atitudes e investimentos no mercado de ações.
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