Sábado,26 de Março, 2011

 

 

O Sol não é para todos

 

Vamos entrar num novo ciclo solar. O período mais ativo está começando e vai se prolongar por cerca de dois anos até perder sua força. Isso não tem nada de catástrofe nem teoria de catastrofismo. É uma ciência perfeitamente aplicada e previsível como um relógio antigo de cordas. O ciclo de explosões solares é de cerca de 11 anos e ele é calculado com ferramentas que se mede estatística de frequências, tais como transformada de Fourier ou wavelets. Qualquer um pode baixar diversos arquivos públicos da internet e usar até mesmo no Excel, a ferramenta de "análise de dados", para achar o período de repetições das explosões solares.

Se você é um investidor que tem aversão ao risco e tem horizonte de 5 anos, deve evitar dois setores que mais vão sofrer com as explosões solares aqui na Terra: Energia e Telefonia. Sim, grandes explosões solares emitem radiação que prejudicam as telecomunicações e podem derrubar satélites de comunicação. Alguns satélites perdem o controle pelas interferências e saem de suas órbitas. Sem poder fazer nada, empresas deve lançar novos satélites aumentando os custos. Um satélite fora de órbita obriga as empresas a contratarem serviços de outros satélites, de outras empresas, de outros países. E se a procura aumenta o preço do uso desses satélites dispara. Foi assim quando o Brasil demorou para comprar um satélite de comunicações anos atrás e todos pagamos caro pelo uso de satélites americanos e europeus.

Para as empresas de energia, tempestades solares rompem as comunicações das linhas de força, cortando a energia e gerando multas pelo serviço não prestado. Isso não é só no Brasil, mas no mundo todo. Como os cabos de força transportam energia pelas torres de alta tensão, a energia se dissipa e se perde na transmissão. Mas com altas doses de radiação elas simplesmente páram as transmissões ou mesmo rompem os cabos pelo acúmulo de concentração eletromagnética. De 2011 a 2013 ou 2014 esses dois setores vão sofrer muito com distribuição e manutenção das redes de transmissão.

O gráfico a seguir mostra o preço da ação de uma das gigantes de eletricidade nos EUA a AP (american power company) num longo período desde antes o último ciclo solar (entre 1998 e 2004).

Até o ano de 2000 seus preços estavam num grande rally e então caíram abruptamente no período de 1999 até o fim de 2002. Claro que existiu aí o fator da crise dos tigres asiáticos, os problemas nas bolsas do Brasil, Argentina, México e Rússia e ainda o ataque às torres gêmeas em 11 de Setembro de 2001. Mas a empresa sentiu mais que as outras devido aos problemas gerados pelas diversas falhas no sistema.

O setor de telefonia americano não foi diferente e outra gigante do ramo de telefones, a AT&T teve baixa bastante expressiva no mesmo período dos aumentos das explosoões solares. O gráfico a seguir demonstra os preços da AT&T e pode-se observar a longa queda entre 1999 e 2002, asssim como a AP. Na verdade a AT&T ainda não conseguiu recuperar seus preços historicamente altos da década de 1990.

No caso brasileiro obviamente não foi diferente. Sozinha no ramo até a abertura do capital a agora nomeada Telefonica teve suas ações com severas quedas como pode-se ver na figura abaixo. Claro que também temos que filtrar e lembrar do traumático processo de transição de empresa pública para empresa privada, as demissões de funcionários, as ações judiciais que sofreu pelas dispensas, além do custo de se investir em nova mão de obra. Os preços já corrigidos caíram de 36 reais para 22 reais entre 2000 e 2002.

Além desses dois setores o investidor deve tomar com outro setor: Seguros ou re-seguros. Teremos sérios problemas nos próximos três anos para essas empresas. Existe uma controvérsia discussão acadêmica entre a relação existente entre as explosões solares e o aumento de Terremotos. Muitos cientistas apontam uma forte correlação no aumento de Terremotos com o aumento das explosões solares e explicam que isso se justifica. Isso porque com as tempestades magnéticas, o campo magnético terrestre sofre mudanças, o que faria mudar a direção das correntes de magma do manto terrestre. Essas mudanças levariam as placas tectônicas a colidirem. Isso seria perfeitamente visível como mostra o gráfico a seguir.

O gráfico mostra realmente um número até alarmante na quantidade de terremotos exatamente no período entre 2000 e 2001. Mas tenha calma leitor. Olhar só gráficos cria ilusões exploradas pelos profetas do apocalipse. O que acontece é que em toda a década de 1990 muitos países investiram em novos sensores, novos computadores que transmitem dados em tempo real, novas bases de sismologias e aí, é claro, com uma medição muito maior ocorre uma inflação nos dados históricos. Então, se depender de qual corrente de pensamento escolher, a corrente que afirma não haver comprovação científica nos dados parece mesmo a mais correta (por enquanto).

O que pode corroborar isso é que a magnitude máxima dos terremotos não mudou. A intensidade deveria ser mais violenta e fugir da média ou mesmo do intervalo normal das observações. Não é o que acontece quando se observa os dados sobre a magnitude observada no mesmo período, como no gráfico a seguir. Não há nenhuma tendência fora da normalidade quando se analisa a magnitude dos Terremotos, tanto no período das explosões solares quanto antes. Tudo permanece igual, estatísticamente falando.

No entanto, as empresas de seguros são bastante arriscadas de se investir porque às mudanças climáticas são hoje visivelmente e cientificamente reais. Comprovadas as enchentes, a frequência de furações (esses sim de magnitudes maiores) e o derretimento da camada polar, essas empresas terão que cobrir os custos de seguros em países com costas marítmas ou mesmo com grandes afluentes de água doce (nosso caso). Com o caso recente do Terremoto no Japão a maior queda é dessas empresas de seguros, que vão ter que arcar com os custos que devem chegar a ordem de trilhões.

O Sol é por si essa bomba de hidrogênio que nos dá energia e vida, mas pode dar morte para algumas empresas. Não somente nossa exposição ao Sol a partir desse ano deve ser mais cautelosa, mas nossa exposição nesses três setores citados nesse artigo deve ser protegida por protetor solar, na pele e no bolso.